Elsa Carvalho, Grupo Egor: O imperativo de “saltos qualitativos” (e sustentáveis) na produtividade em Portugal

Setembro. Após um Verão quente em que Portugal atingiu 47 ºC (13 de Julho foi o dia mais quente de 2022 e o quinto dia mais quente nos últimos 23 anos), já com temperaturas mais amenas e energias reforçadas há que enfrentar os últimos quatro meses do ano.

 

Por Elsa Carvalho, Executive Board Member e head of Consulting Services do Grupo Egor

 

As projecções económicas para 2022 e 2023 (Banco de Portugal) confrontadas com as mais recentes da Comissão Europeia, revelam que Portugal deverá crescer mais que a zona euro registando uma taxa de inflação mais moderada do que a média dos países do Euro (5,9% em 2022 e 2,7% em 2023). Portugal deverá continuar a registar uma descida progressiva da taxa de desemprego, assim como toda a zona euro (de salientar a previsão de 5,6% em 2022 para Portugal, e de 6,8% para a zona euro). Adicionalmente, prevê-se um crescimento do PIB em 2022, mas desaceleração do crescimento em 2023 e 2024, com quebra significativa do consumo privado, público e das exportações.

Numa publicação recente, Portugal era referenciado como o sétimo país da União Europeia (UE) com menor produtividade por hora de trabalho. Por outro lado, Irlanda, Luxemburgo e Dinamarca estão no topo da lista dos que geram mais riqueza por hora trabalhada.

Neste cenário, e reforçando o défice estrutural de produtividade em Portugal, a sua resolução constitui um dos grandes desafios e um acentuar do focus na agenda dos líderes e gestores. Mais, muito se tem referido sobre o imperativo de criar condições para o crescimento das pequenas e médias empresas (PME), para que elas possam ganhar competitividade internacional, mas também promover o crescimento das grandes empresas, seja por via orgânica, ou através de fusões e aquisições.

Sabemos que a produtividade resulta da contribuição de vários factores – pessoas, investimento em formação, investimento tecnológico, intensidade de inovação, qualidade da liderança e organização interna são os mais referenciados –, sendo alguns deles de grande complexidade e muito específicos.

Na agenda destes últimos quatro meses de 2022, um focus nos principais factores que impactam a produtividade das nossas empresas constitui uma boa análise visando os investimentos necessários para que se possam dar “saltos qualitativos” e sustentáveis ao invés de pequenas melhorias incrementais.

A nível das pessoas (ou do talento), reforço que não basta atrair os melhores para lidar com uma economia mais turbulenta; há que fomentar internamente a cultura e organização adequada para que a inovação floresça e o talento se manifeste.

E a respeito de talento, finalizo como comecei, com Augusto Cury: «Sem sonhos, a vida é uma manhã sem orvalhos, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventura, uma existência sem sentido.»

 

Este artigo foi publicado na edição de Setembro (nº.141)  da Human Resources, nas bancas.

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