Em 2040, poderá ser um algoritmo a supervisionar o seu trabalho

Margarida Lopes
31 de Janeiro 2020 | 10:59

Já se sabe que a automação e a Inteligência Artificial (IA) vão substituir cada vez mais funções, sobretudo as que envolvam tarefas manuais e repetitivas. Mas mesmo aqueles não vão perder os seus empregos para a tecnologia, podem ficar sob o seu controlo. Num artigo publicado na Fast Company, Sean Captain explica porque acha que, no futuro, os colaboradores vão trabalhar menos para o “homem” e mais para a “máquina”.

 

Em 2040, poderá ser comum que algoritmos supervisionem o trabalho, para optimizar nosso desempenho. Para alguns trabalhadores, esse dia já chegou. Os mesmos algoritmos que criam a rota do Uber, estão a dar instruções aos próprios motoristas, tornando-os mais um componente do sistema, do que uma pessoa a trabalhar. Não apenas direccionados por algoritmos, os motoristas também alimentam sistemas que avaliam o seu desempenho, com detalhes como a aceleração suave e como os clientes avaliam a experiência. É um ciclo interactivo contínuo de observar o nosso trabalho e, em seguida, dando indicações de como trabalhar, com base nessas observações, repetidas várias vezes.

«Os empregadores têm um apetite insaciável por informações sobre colaboradores, sejam relevantes ou não. E nunca perdem a oportunidade de obter mais informações, sendo por isso difícil acreditar que desperdicem a hipótese aqui», defendeu Lew Maltby, responsável do National Workrights Institute.

As novas formas de vigilância do trabalhador são mais subtis e podem não parecer vigilância no início. Por exemplo, os sistemas modernos de ponto de venda nas lojas, que acompanham não apenas as vendas, mas também a rapidez com que os colaboradores as ligam.

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Supervisionar os colaboradores não é mau, por si só. As empresas que fabricam ou implementam software de supervisão geralmente afirmam ter intenções nobres, como ajudar os colaboradores a entender como usam o seu tempo, para que possam aprender a usá-lo com mais eficiência. Em trabalhos mais físicos, como motorista de pesados, algumas empresas promovem a supervisão como forma de garantir a segurança dos trabalhadores. Mas as novas tecnologias podem exacerbar uma cultura existente de curiosidade.

As sementes do futuro já estão ser plantadas. A vigilância através de um algoritmo e baseada em dados de ponta pode tornar-se a norma em 2040. E o sentimento de ser observado, não importa quão subtil ou bem-intencionado, pode mudar fundamentalmente a maneira como os trabalhadores se relacionam com seus empregos.

Os trabalhadores poderão ter de se habituar a serem avaliados, não apenas pelo trabalho que realizam, mas pela maneira como o realizam. Se isso acontecer, vão pensar melhor quanto tempo gastam numa aplicação, a quem enviam mensagens e onde almoçam, sabendo que esses factores estão a ser registados. É difícil imaginar que isso não cause stress adicional.

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