Muitas vezes aclamados como heróis, a verdade é que são poucos os motivos para os professores celebrarem. Em Portugal, a classe docente está em greve por tempo indeterminado, com manifestações agendadas. Segundo o Sindicato de Todos os Professores, as alterações ao modelo de concurso de colocação de professores, a melhoria das condições da carreira, mudança de escalões e congelamento do tempo de serviço estão em cima da mesa. Na Hungria, milhares de professores marcharam em Budapeste por melhores salários e reformas urgentes.
Este mal-estar na educação é geral um pouco por toda a Europa e reflecte-se na falta de professores. Em França, existem actualmente 4 mil vagas por preencher e, na Alemanha, as estimativas apontam um défice de 25 mil professores até 2025.
As razões estão maioritariamente associadas às condições de trabalho, incluindo os salários estagnados. A Euronews foi saber quanto recebem os professores na Europa e quanto mudaram os seus salários na última década. E as diferenças são consideráveis.
De acordo com dados compilados pela Comissão Europeia/EACEA/Eurydice, no ensino secundário os salários iniciais brutos anuais oficiais, nas escolas públicas, variam entre cerca de 4 233€ na Albânia e 69 076€ no Luxemburgo em 2020/2021. O salário médio dos professores nos países da União Europeia (UE) é de 25 055€. Na lista de 36 países, Portugal ocupa o 17º lugar, com 22 374€.
Além do Luxembourgo, o salário inicial anual é superior a 50 mil euros em apenas dois países, Suíça (66 972 euros) e Alemanha (54 129 euros).
Entre os países da EU, a Bulgária tem o salário anual mais baixo, com 7 731 euros. Abaixo de 10 mil euros estão outros países da UE, como Letónia, Eslováquia, Hungria, Roménia e Polónia.
Comparativamente ao salário mínimo nacional, a relação entre os salários dos professores e o salário mínimo mostra quanto ganham os professores. (o rácio é calculado dividindo o salário bruto do professor pelo salário mínimo bruto).
A Alemanha tem a proporção é mais elevada, com 2,8, enquanto a Polónia tem a proporção mais baixa, com 1,1. Ou seja, o salário inicial dos professores na Polónia é muito próximo do salário mínimo, enquanto os professores recém-licenciados nas escolas públicas alemãs ganham quase três vezes o salário mínimo. A proporção média em 21 países da UE é de 1,86. Portugal ocupa a quarta posição com uma proporção de 2,4.
O relatório mostra também dados relativos ao período de 2009/2010. Nessa altura, os salários iniciais brutos anuais dos professores variavam de 2 743 euros na Roménia a 63 895 euros no Luxemburgo.
A média nos 26 países da UE foi de 19 563 euros em 2009/2010. No entanto, em seis países da UE ficou abaixo dos 5 mil euros, nomeadamente Eslováquia (4 824€), Polónia (4 462€), Lituânia (4 275€), Letónia (4 166€), Bulgária (2 761€) e Roménia (2 743€). Em Portugal, o valor era de 21 261 euros.
A maior variação nos salários iniciais brutos anuais dos professores entre 2009/2010 e 2020/2021 aconteceu Lituânia, onde aumentaram 269% nesses 11 anos. A Roménia e a Bulgária também tiveram aumentos consideráveis na última década, de 193 e 180 por cento, respectivamente.
O salário inicial dos professores também aumentou 42% na Alemanha, que já tinha o segundo salário mais alto no período 2009/2010. A variação foi inferior a 10 por cento em seis países da UE – Chipre, Portugal, Espanha, Itália, Eslovénia e Luxemburgo.
A Turquia é o único país da lista onde os salários iniciais dos professores diminuíram ao longo da década, caindo 876 euros, ou 10%, provavelmente devido ao colapso da lira turca nos últimos anos.
Em termos nominais, a Islândia viu os salários iniciais brutos anuais dos professores aumentarem 25 720 euros entre 2009/2010 e 2020/2021, o maior aumento entre os países estudados, seguida pela Alemanha (15 915 euros) e Suécia (15 135 euros).
De acordo com o Teaching and Learning International Survey (TALIS) de 2018, em média apenas 26% dos professores nos países e economias da OCDE inquiridos consideravam o seu trabalho valorizado pela sociedade e 39% estavam satisfeitos com o seu salário.
Em 2020, as despesas com educação na UE totalizaram € 671 bilhões ou 5% do PIB, percentagem verificada também em Portugal.
Os países da UE que gastaram a maior parcela do PIB em educação foram a Suécia (7%), a Bélgica e a Estónia (6,6%), seguidos pela Dinamarca (6,4%). Fora do bloco, a Islândia gastou 7,7% do seu PIB em educação. Os níveis mais baixos de gastos com educação foram observados na Irlanda (3,1%), Roménia (3,7%) e Bulgária (4%).
Na UE, o número médio de alunos por professor no ensino primário foi de 13,6 em 2020, mas, mais uma vez, existem variações significativas de país para país.
Os índices mais baixos – que alguns chamariam de ideais – foram registados na Grécia (8,4), Luxemburgo (8,9) e Hungria (10), enquanto o Reino Unido (19,9), a Roménia (19,2) e França (18,4) apresentaram as maiores médias número de alunos por professor. Pelo meio está Portugal com uma média de 12,1 alunos por professor.
O rácio aluno-professor é calculado dividindo o número de alunos equivalentes a tempo inteiro pelo número de professores equivalentes a tempo inteiro.














