Em tempo de isolamento, usemos a tecnologia para nos tornarmos mais humanos

«Nunca houve tanta necessidade de explorar novas estratégias de comunicação e capacitar os líderes, professores e pais para se adaptarem a esta nova realidade, e o digital é a ferramenta para isso.»

Por Verónica Orvalho, CEO da Didimo

 

Vivemos num contexto altamente globalizado e estamos sempre conectados. Contudo, nunca estivemos tão separados e isolados como hoje. Nenhuma das alternativas consegue substituir o contacto humano que nos conforta e nos caracteriza enquanto raça. Hoje, que estamos todos em casa, apercebemo-nos que somos altamente capazes de enfrentar as exigências de trabalhar em isolamento, graças ao desenvolvimento tecnológico e ao investimento nas infraestruturas de comunicação, mas precisamos de parar para repensar o lado humano. Nunca houve tanta necessidade de explorar novas estratégias de comunicação e capacitar os líderes, professores e pais para se adaptarem a esta nova realidade, e o digital é a ferramenta para isso.

No que toca à educação, as escolas fecharam e as crianças e jovens estão em casa com pais que têm de manter a sua vida profissional, durante o dia. Apresentam-nos soluções para que não se interrompa o processo educativo, mas temos também de reinventar o seu quotidiano para os manter ativos e acompanhados durante o dia, principalmente, os mais novos.

Já do lado dos professores, aqueles que já adoptaram os métodos de ensino online enfrentam um grande desafio que é falar para uma audiência que ainda está a aprender a ter uma presença no mundo online. Cada aluno é único e tem a sua própria postura na sala e na aula online – uns mais reservados, outros mais participativos. O professor tem compreender cada um para conseguir chegar a toda a classe, mas, para tal, precisa de ter sugestões visuais, linguagem corporal. Algo que permita perceber a postura da pessoa sem que esta tenha de dizer uma única palavra. Aqui, a tecnologia pode ser uma aliada, recorrendo, por exemplo, a humanos digitais que possam trazer a empatia e peculiaridades de cada um às interações online, dando uma nova dinâmica ao ensino à distância.

Seria possível criar uma nova forma de comunicação digital em que professores e alunos se possam sentir confortáveis com a sua identidade e, assim, instigar uma interação sincera? Imaginemos uma plataforma segura, onde crianças e professores podem estar presentes com a sua representação digital. Cada pessoa teria não um avatar animado, nem uma estrutura altamente complexa em casa, mas seria capaz de criar a sua própria identidade digital, com as suas expressões faciais e as suas nuances.

Além da educação, este isolamento continuará a ter também impacto numa camada da população que é muito importante não esquecer, como é o caso dos idosos, ou das pessoas que sofrem de distúrbios físicos, de audição e fala, que se encontram, nesta fase, mais sós do que nunca. Como as podemos ajudar a ultrapassar esta situação? O seu desconhecimento das ferramentas digitais e a sua dependência de terceiros são fatores que não arranjaram alternativa a tempo do isolamento.

A literacia digital e uma ferramenta que os representasse tal como gostariam de ser vistos e não como a sociedade os vê seriam peças essenciais para melhorar o seu dia a dia atual. O humano digital poderia ser uma ferramenta, ainda que não se pretenda que este substitua a interação real. No entanto, num momento de crise mundial, os humanos digitais podem oferecer às pessoas isoladas a oportunidade de ter acesso a informações e iniciativas de uma maneira mais envolvente e empática. Em alguns casos, estas representações podem tornar-se a nova interface para comunicação.

Do meu ponto de vista, há ainda muito a ter em atenção. O mundo está diferente, mas isto traz-nos a oportunidade de nos reinventarmos, analisarmos quem somos e o que fazemos no futuro. Por isso, a coragem e a curiosidade, aliados à inovação tecnológica, são os principais ingredientes para nos adaptarmos a esta nova realidade, definindo um futuro melhor para nós e para os que nos rodeiam.

Temos a tecnologia necessária para tirar o melhor possível deste período conturbado e agora falta reinventar-nos. Devemos olhar para este período não como um beco sem saída, mas como uma oportunidade de parar, pensar e criar. Devemos ver este momento como um desafio à nossa criatividade e à nossa capacidade de identificar e resolver problemas reais da sociedade, através de uma aposta constante em inovação e investigação.

 

 

 

 

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