Emigrantes qualificados querem regressar a Portugal

Leonor Martins
5 de Dezembro 2018 | 12:41

Do total de profissionais portugueses a trabalhar actualmente no estrangeiro, 78% quer regressar a Portugal, sendo que 43% deseja fazê-lo no prazo de dois anos. Os números constam do Guia do Mercado Laboral, o estudo global anual de tendências de emprego e recrutamento, da consultora Hays.

 

O estudo da consultora faz notar que a estabilização da economia portuguesa e o consequente efeito positivo no mercado de trabalho português parece estar a contribuir para um abrandamento na fuga de talento para o estrangeiro nos últimos dois anos e para o possível retorno de alguns profissionais. Os resultados revelam que, de 2013 (o período mais crítico da crise) e este ano, a percentagem de profissionais com interesse para trabalhar no estrangeiro passou de 80% para 37%.

Mas quando questionados sobre o reconhecimento das suas capacidades e conhecimentos no estrangeiro face a Portugal, 89% dos profissionais indica que foram mais valorizados além-fronteiras.

O relatório revela ainda que quase 49% dos motivos de saída do país recaíram sobre o facto de terem uma melhor oferta noutro país ou de não terem encontrado oportunidades de emprego adequadas ao seu perfil em Portugal.

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Em relação aos benefícios fiscais propostos pelo Governo no Orçamento de Estado para 2019 – que possibilitam aos profissionais que queiram voltar ao país pagar apenas metade do IRS até 2023-, a maioria dos inquiridos considerou que esta medida terá pouco ou nenhum impacto. Ao invés, destacaram factores como um pacote salarial mais atractivo, motivos familiares, vontade de viver em Portugal e projectos interessantes.

As áreas de Banca e Seguros, Legal e Construção e Imobiliário destacam-se como sendo os sectores com mais profissionais dispostos a trabalhar no estrangeiro. Quanto aos destinos escolhidos, Espanha lidera a preferência e apesar da eminência do Brexit, o Reino Unido é a segunda preferência dos profissionais e a terceira a Suíça.

Outras conclusões do estudo:
– 62% dos empregadores consideram que as instituições de ensino não estão a preparar os profissionais adequadamente;
– 65% dos inquiridos afirma que em 2018 tiveram que recrutar pessoas pouco adequadas às oportunidades de emprego que tinham em aberto;
–  Os profissionais valorizam a oferta salarial (85%) e as empresas consideram ser um dos factores menos relevantes (28%);
– 2018 foi um ano de aumentos salariais (74%), aumentos de benefícios (28%) e de promoções (48%);
– 21% dos empregadores confirmam que os resultados da empresa estiveram acima das expectativas;
– 87% dos empregadores efectuaram contratações em 2018;
– 82% dos empregadores confirma que pretende contratar em 2019;
– Os perfis mais difíceis de identificar e pioritários para 2019são: comerciais (31%), Engenharia (30%), Tecnologia de Informação (26%), Administração/Suporte (16%) e Marketing e Comunicação (15%)
–  70% profissionais qualificados têm vontade de aceitar um novo projecto.
– As perspetivas de progressão (68%), os prémios de desempenho (65%) e a comunicação interna da empresa (59%) é o que deixa os colaboradores mais insatisfeitos com o emprego actual. Mas como motivações para deixarem o seu trabalho, identificam o pacote salarial, as perspetivas de carreias e projectos mais interessantes.

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