Empregadores portugueses antecipam crescimento nas contratações no segundo trimestre do ano. Mas conflito no Médio Oriente pode ter implicações

Human Resources com Lusa
11 de Março 2026 | 12:50
Empregadores portugueses antecipam crescimento nas contratações no segundo trimestre do ano. Mas conflito no Médio Oriente pode ter implicações
Os dados do mais recente ManpowerGroup Employment Outlook Survey permitem traçar uma imagem de qual teria sido a trajectória previsível para o emprego, no segundo trimestre de 2026, caso o actual conflito no Médio Oriente não estivesse a introduzir novos factores de incerteza no contexto económico global e nacional.
Os empregadores em Portugal avançavam com perspectivas de contratação optimistas, com uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +29%, um valor que traduzia uma evolução positiva de oito pontos percentuais face aos primeiros três meses do ano e de 10 pontos percentuais face ao mesmo trimestre de 2025. Nesse cenário de estabilidade, Portugal situava-se mesmo na metade superior dos países em termos de perspectivas de emprego, embora dois pontos percentuais abaixo da média global (+31%).
As conclusões do ManpowerGroup Employment Outlook Survey para o segundo trimestre de 2026 resultam das entrevistas realizadas a 520 empregadores durante o mês de Janeiro. Nesse sentido, não reflectem os desenvolvimentos mais recentes no contexto geopolítico internacional, nem o impacto das tempestades que atingiram Portugal em final de Janeiro e Fevereiro.
«Partindo de uma análise pré-conflito, os empregadores portugueses entravam no segundo trimestre do ano mais confiantes nas suas intenções de contratação, reflectindo um desempenho da economia nacional acima da média da Zona Euro, em 2025, com perspectivas de continuidade, nesse crescimento em 2026, bem como sinais de uma maior resiliência em mercados internacionais nossos parceiros», explica Rui Teixeira, Country manager do ManpowerGroup Portugal. «O actual contexto de incerteza geopolítica, vem seguramente alterar o grau de confiança das empresas No entanto, a experiência dos últimos anos, caracterizados por uma elevada volatilidade, reflecte-se hoje também numa maior capacidade das organizações para avançar, mesmo em contextos complexos. Ao mesmo tempo, há uma crescente consciência, por parte dos empregadores, de que a atracção e fidelização do melhor talento será sempre um fator fundamental para o sucesso e desenvolvimento das suas iniciativas de negócio», conclui.
Seguindo a tendência dos trimestres anteriores, quase metade (44%) dos empregadores nacionais destacavam o crescimento da empresa como principal motivo para aumentarem as suas equipas no segundo trimestre do ano. A necessidade de preencher vagas abertas no trimestre passado, ou mesmo em trimestres anteriores, surgia também como motivador principal das contratações, sendo referida por 27% e 20% dos empregadores, respectivamente, sinalizando assim a persistência do cenário de escassez de talento em Portugal.
Já na análise das principais razões para a redução do número de colaboradores, os empregadores nacionais destacavam a diminuição da procura (31%) e os desafios económicos (29%). Também a necessidade de reestruturação ou downsizing surgia no topo das motivações, sendo referida por 21% das empresas. Já o impacto da automação era mencionado por 15%, registando uma descida significativa face ao trimestre anterior.

Sector da Construção & Imobiliário com o maior optimismo nas intenções de contratação para o segundo trimestre, bem como o maior crescimento entre trimestres  
Todos os sectores analisados avançavam com intenções de contratação positivas para o segundo trimestre, e quase todos, com a excepção do sector das Finanças & Seguros, apresentavam uma evolução positiva face aos primeiros três meses do ano.

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O sector Construção & Imobiliário destacava-se como o mais optimista, com uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +46%, registando o maior crescimento entre trimestres (+26 pontos) e uma subida de nove pontos face ao mesmo período do ano passado. Seguiam-se os sectores do Comércio & Logística e da Hotelaria & Restauração com Projecções fortes de +34% e +33%, respectivamente, e um crescimento de quatro e 22 pontos percentuais na comparação com o segundo trimestre de 2025, traduzindo o efeito da sazonalidade.

Também o sector Industrial (+31%) apresentava intenções de contratação robustas, sinalizando uma estabilização face ao primeiro trimestre do ano e um crescimento moderado de seis pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025.

A contraciclo, e embora com uma Projecção forte de 26%, o sector de Finanças & Seguros era o único a registar uma desaceleração, com uma queda de 12 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

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Entre os sectores com intenções de contratação positivas destacavam-se ainda o sector da Tecnologia & Serviços de Informação, com +20%, e o sector Público e de Serviços de Saúde e Sociais, com +17%. Vale notar que, dentro de Tecnologia & Serviços de Informação, o subsector de Tecnologia & Serviços de IT apresentava as perspectivas mais optimistas de todos os sectores analisados, com uma Projecção de +50%.

Maior optimismo nas contrações nas Regiões Centro e Norte, mas Projecções mais conservadoras em Lisboa
A análise regional mostra que todas as regiões apresentavam expectativas de criação de emprego positivas para o segundo trimestre de 2026. A Região Centro liderava as intenções de contratação, com uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +37%, em crescimento de 12 pontos percentuais face aos meses de Janeiro a Março e de 13 pontos percentuais face ao mesmo período do ano passado. Seguiam-se a Região Norte (+32%) e o Grande Porto (+31%), este último com a subida mais expressiva, com 18 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Também na Região Sulse observava um crescimento entre trimestres, de sete pontos percentuais, com a Projecção a alcançar os 30%.

 

Pequenas e Médias Empresas com as intenções mais fortes de crescimento nas equipas  
As Médias Empresas revelavam as perspectivas de contratação mais otimistas para os meses de Abril a Junho, com uma Projecção de +36%, e um crescimento considerável, tanto entre trimestres como face ao período homólogo de 2025, de 16 e 14 pontos percentuais,  respectivamente. Também as Pequenas Empresas apresentavam intenções de contratação robustas, de +33%, e o maior crescimento face ao trimestre passado, com uma evolução de 19 pontos percentuais.
Em contraste, as Grandes Empresas entre 1000 e 4999 trabalhadores e as Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores mostravam as intenções mais conservadores, com +16% e +12%, respectivamente, e um abrandamento de cinco pontos percentuais face ao primeiro trimestre; no caso das primeiras.

 

Perspectivas de emprego global cresciam, mas diversas regiões e países ainda revelavam fragilidade no sentimento de contratação
A Projecção para a Criação Líquida de Emprego global no segundo trimestre de 2026 fixava-se nos +31%, um valor que traduzia uma melhoria de sete e oito pontos percentuais, respectivamente, face ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado.
Na Europa, a perspectiva de emprego continuava a recuperar terreno, e a fixar-se nos +21%, assinalando o quarto trimestre consecutivo de evolução positiva. Ainda assim, mantinha-se significativamente abaixo de outras regiões, condicionada por um crescimento económico moderado.
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou 41.764 empregadores, em 42 países e territórios. O próximo estudo será divulgado em Junho de 2026 e divulgará as expectativas de contratação para o terceiro trimestre de 2026.
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