O estudo do ManpowerGroup revela uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de 32% para o último trimestre do ano, traduzindo um aumento de 14 pontos face ao período anterior e de 19 pontos relativamente ao quarto trimestre de 2025.
Depois de um abrandamento no terceiro trimestre de 2026, os empregadores antecipam uma recuperação no mercado de trabalho em Portugal. O aliviar das tensões globais que se observou em Julho, a necessidade de concretizar a transformação tecnológica por parte das empresas, bem como a resiliência do crescimento económico em Portugal, com um maior dinamismo das exportações e valores sólidos no consumo das famílias e no investimento, refletem-se, assim, num maior optimismo dos empregadores portugueses relativamente à criação de emprego no final do ano.
No entanto, os riscos inerentes à evolução do mercado de trabalho persistem, com o desemprego a manter-se em mínimos históricos e o agravamento recente das tensões geopolíticas, com a escalada nos preços do petróleo e o consequente aumento das pressões inflacionistas e subida das taxas de juro a pressionar empresas e as decisões de contratação. Assim, embora 44% dos empregadores nacionais pretendam aumentar as suas equipas no próximo trimestre, uma percentagem idêntica planeia manter o número actual, enquanto12% anteveem reduzir.
Indústria lidera as intenções de contratação e atinge máximos de quatro anos
Em Portugal, todos os sectores apresentam Projecções para a Criação Líquida de Emprego positivas, para os últimos meses de 2026, com apenas um sector a revelar uma diminuição face ao trimestre anterior.
O sector da Indústria destaca-se com o sentimento de contratação mais optimista, com uma Projecção de +40%, apresentando também o valor mais elevado registado nos últimos quatro anos. Este sector apresenta uma das evoluções mais fortes entre trimestres, com mais 16 pontos percentuais, e face ao período homólogo do ano passado (+37 pontos), quando a instabilidade na política de tarifas ao comércio global limitava as expectativas dos empregadores.
Seguem-se os sectores de Construção e Imobiliário (+39%), Finanças e Seguros (+35%) e Comércio e Logística (+34%). Enquanto o primeiro mantém os valores elevados já registados no trimestre passado, aumentando apenas ligeiramente (três pontos percentuais), o sector Financeiro e de Seguros mostra a segunda maior evolução entre trimestres, com 18 pontos percentuais, bem como uma progressão de 26 pontos face ao período homólogo de 2025. Os empregadores do Comércio e Logística também reforçam as suas intenções de contratação, que crescem 12 pontos percentuais face às perspectivas anunciadas para o período de Julho a Setembro.
Os sectores de Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos, de Tecnologias e Serviços de Informação e o Sector Público de Serviços de Saúde e Sociais mostram igualmente perspectivas de contratação robustas para quarto trimestre, com a Projecção a fixar-se nos 27%, 26% e 23% respectivamente. Já o scetor de Utilities & Recursos Naturais é aquele que apresenta a Projecção mais baixa (+16%), revelando mesmo uma diminuição em relação ao trimestre anterior, de quatro pontos percentuais.
Empregadores portugueses de todas as regiões e dimensões de empresa antecipam um aumento das contratações
As cinco regiões portuguesas apresentam intenções de contratação positivas para o último trimestre de 2026, com o maior optimismo a ser observado na Região Centro e na Grande Lisboa, com a Projecções de +50% e +40% respectivamente. Ambas as regiões revelam igualmente um forte crescimento entre trimestres e na comparação anual.
Num segundo patamar de resultados, embora também com Projecções para a Criação Líquida de Emprego robustas encontram-se a Região Sul, com +26%, o Grande Porto, com +24%, e a Região Norte, com +21%.
As Grandes Empresas de até 1000 trabalhadores avançam as perspectivas mais ambicionas, com uma Projecção para a Criação Líquida de Emprego de +40%, representando uma evolução de 14 pontos percentuais entre trimestres. Já nas Grandes Empresas de mais de 5000 trabalhadores e entre 1000 e 4999 trabalhadores o otimismo é um pouco mais contido, com a Projecção a atingir os 24% no primeiro caso e 21% no segundo.
Pequenas e Médias Empresas apresentam igualmente Projecções robustas de +36% e +35%, respectivamente, enquanto que as Microempresas são o único grupo a registar uma queda na contratação face ao trimestre anterior, e a Projecção mais baixa para o último trimestre do ano, de +14%.
Intenções de contratação evoluem em todas as regiões a nível global, excepto na América do Norte
A nível global, a Projecção para a Criação Líquida de Emprego situa-se nos +29%, aumentando dois pontos percentuais face ao trimestre anterior e seis pontos percentuais em termos homólogos. As intenções de contratação melhoraram em 37 dos 42 países analisados.
Na Europa, a Projecção aumenta para +20%, registando uma recuperação de 5 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Ainda assim, esta continua a ser a Região analisada com as intenções de contratação mais modestas.
Já na América do Norte a Projecção recua de um ponto percentual, fixando-se nos +35% , com os EUA a caírem nove pontos percentuais para os +36%, depois de se ter destacado no trimestre anterior com perspectivas de contratação muito optimistas.
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou mais de 39 mil empregadores, em 42 países e territórios. O próximo estudo será divulgado em Dezembro e divulgará as expectativas de contratação para o primeiro trimestre de 2027.















