Em Abril, as estimativas provisórias mensais revelam que o emprego no país conheceu um aumento de 23 mil pessoas face ao mês de Março (+0,4%), continuando a ultrapassar a fasquia dos 5,3 milhões para atingir os 5.344.700 profissionais empregados. Em termos homólogos, a evolução é ainda mais expressiva, com o mercado a conseguir integrar mais 120.500 trabalhadores (+2,3%), o que impulsionou a taxa de emprego para os 66,2% (um aumento de 1 p.p. face ao ano anterior).
Este dinamismo reflectiu-se igualmente no crescimento da população activa, que teve um aumento mensal de 19.900 pessoas e homólogo de 95.200, contabilizando agora um total de 5.666.800 activos, e voltando a valores recorde.
Em termos de rendimentos, a remuneração média por trabalho dependente declarada à Segurança Social (referente a Março) fixou-se nos 1.592,11 euros. Este valor assinala um crescimento de 1% face a Fevereiro e de 4,2% em comparação com Março de 2025. Lisboa e Setúbal apresentam os valores mais altos, com 1.852,50 euros e 1.673,28 euros respectivamente, enquanto a região de Beja continua a registar as remunerações mais baixas (1.308,99 euros).
Paralelamente, a taxa de desemprego recuou para os 5,7%, assinalando uma diminuição de 3.300 pessoas (-1%) face a Março, para um total de 322 mil desempregados em Portugal. A análise demográfica mostra que a queda mensal do desemprego se concentrou nas mulheres (-3.700 pessoas; -2,1%) e nos jovens dos 16 aos 24 anos (-3.600 pessoas; -5,1%), contrastando com os ligeiros aumentos registados entre os homens (+400) e os adultos dos 25 aos 74 anos (+300).
Contudo, numa perspectiva homóloga, o cenário é de recuperação generalizada, com o desemprego a diminuir em todos os grupos populacionais, com especial destaque para a redução de 10% nas mulheres e de 10,3% nos jovens.
Em Abril, o comportamento ditou uma queda nos pedidos de emprego (-2,7%) e o desemprego registado recuou 4,2% face a Março, totalizando 295.756 pessoas, segundo os dados do IEFP. Adicionalmente, a procura de talento por parte das empresas intensificou-se: no final do mês, existiam 16.458 ofertas de emprego por preencher, o que representa um aumento mensal expressivo de 12,3% (+1.754 ofertas). Ao longo de Abril, foram recebidas 11.919 novas ofertas de emprego, dinamizadas principalmente pelo sector dos serviços (8567 ofertas), e o serviço público realizou 9.051 colocações a nível nacional.
Os dados registados pelo IEFP acompanham a tendência decrescente, com o desemprego a cair 4,2% no espaço de um mês, situando-se nas 283.290 pessoas. Contudo, a análise da Randstad Research aprofunda o comportamento único da região do Algarve. No arranque da preparação para a época alta do turismo, o desemprego nesta região diminuiu substancialmente, recuando 23,3% (menos 3971 inscritos face a março).
Esta queda na primavera contrasta de forma abrupta com os disparos na ordem dos 60% observados nos meses de inverno (como Novembro de 2025), o que evidencia um mercado condicionado por dois ciclos extremos. Embora o Algarve consiga absorver a mão de obra disponível com rapidez, a reincidência anual deste padrão alerta para os enormes desafios estruturais que as empresas da região enfrentam para promover a estabilidade laboral e a consequente retenção de talento ao longo de todo o ano.
Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal, afirma que «os dados que observamos no Algarve exigem uma reflexão urgente na gestão de talento. Mais do que reagir aos picos de procura, as empresas precisam de repensar as suas estratégias, passando de uma visão puramente sazonal para uma aposta em carreiras sustentáveis. A solução para mitigar esta extrema volatilidade passa por reinventar a proposta de valor para o colaborador: investir na requalificação das equipas durante os meses de menor actividade, criar modelos contratuais mais flexíveis e apostar num employer branding forte que mantenha os profissionais vinculados à organização o ano inteiro.»














