Emprego desce em Janeiro (pela primeira vez desde 2021). Saiba qual foi o valor médio das remunerações

A Randstad Portugal divulgou a análise mensal ao mercado de trabalho referente a Janeiro. O novo ano arrancou com um recuo no emprego pela primeira vez desde 2021, quebrando a tendência positiva que se verificava nos inícios dos anos anteriores. Ainda assim, a análise homóloga evidencia uma queda expressiva do desemprego de 9,8%, com menos 34.300 pessoas em situação de desemprego do que em Janeiro de 2025.

 

O mercado de trabalho deixou para trás os valores recorde atingidos no final do ano, com a população empregada a fixar-se nas 5.301.300 pessoas. Este valor reflecte uma queda mensal de 14.400 profissionais (-0,3%), mas mantém um aumento homólogo muito expressivo de 135.300 pessoas (+2,6%) face a Janeiro de 2025.

A taxa de emprego manteve-se nos 65,8% (estável face a Dezembro e +0,7 p.p. face ao ano anterior). A população activa também sofreu uma contração mensal de 13.400 pessoas (-0,2%), totalizando agora 5.616.300 indivíduos, dado que a quebra na população empregada superou o ligeiro aumento de 900 pessoas na população desempregada.

A taxa de desemprego estabilizou nos 5,6%, consolidando uma descida de 0,7 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano passado. O número total de desempregados estimado pelo INE fixou-se em 315 mil pessoas.

A análise demográfica mensal indica que a subida do desemprego em Janeiro foi impulsionada pelo segmento masculino (+900 homens; +0,6%) e pelos adultos dos 25 aos 74 anos (+1.100 pessoas; +0,4%). Em sentido inverso, o desemprego jovem (16 aos 24 anos) contrariou a tendência com um ligeiro recuo de 0,1% face a Dezembro.

Segundo os dados do IEFP, comparativamente ao mês anterior, o desemprego aumentou em todas as regiões, principalmente em Lisboa (4051 pessoas; +4,2%), seguido do Norte (2497 pessoas; +2,2%) e do Centro (2023 pessoas; +4,9%). Em termos homólogos a tendência foi diferente, tendo sido registado um decréscimo do desemprego em todas as regiões, sendo mais intenso no Norte (-16.281 pessoas; -12,4%), em Lisboa (-13.991 pessoas; -12,2%) e no Centro (-3505 pessoas; -7,5%). O Norte continua a ser a região do país com maior número de desempregados registados, com 115.428 pessoas nesta condição (37,1% do total do desemprego em Portugal), seguido de Lisboa com 100.730 pessoas (32,4% do total).

Relativamente às remunerações, o valor médio declarado à Segurança Social em Dezembro (dado mais recente disponível) foi de 1776,31 euros, reflectindo um aumento homólogo de 4,3%, apesar da natural queda mensal resultante do pagamento do subsídio de Natal no mês anterior.

«O arranque de 2026 reflecte um reajuste natural do mercado após a forte dinâmica do final do ano passado, com uma correção expectável, sobretudo no sector dos serviços», afirma Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal. «Apesar deste abrandamento sazonal quebrar a tendência dos últimos anos, o que ressalta da nossa análise é a resiliência estrutural do emprego. Temos hoje um mercado de trabalho muito mais maduro, robusto e com maior capacidade de retenção de talento do que há um ano, o que nos permite encarar esta oscilação de Janeiro com confiança para os próximos meses.»

A análise da Randstad Research foca-se este mês no forte impacto da sazonalidade pós-festividades. O desemprego registado no IEFP apresentou um aumento mensal de 11.285 pessoas (+3,8%). Este impacto negativo concentrou-se sobretudo no sector dos serviços, que foi responsável por 9351 dos novos desempregados (95% do total), destacando-se as quebras no “alojamento e restauração”, “comércio” e “actividades imobiliárias e administrativas”.

Apesar do efeito sazonal, a análise global conclui que o mercado de trabalho português «está hoje numa situação muito mais robusta e resiliente do que há um ano», evidenciando «maior estabilidade, capacidade de retenção de talento e um dinamismo superior ao registado no período homólogo anterior».

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