Emprego em Portugal no 1º trimestre de 2026 regista a maior queda em 5 anos

A Randstad Research divulga os 50 destaques do mercado de trabalho português relativos ao primeiro trimestre de 2026, com base nos resultados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Margarida Lopes
26 de Maio 2026 | 12:50
Emprego em Portugal no 1º trimestre de 2026 regista a maior queda em 5 anos

O arranque de 2026 ficou marcado por um abrandamento do mercado de trabalho nacional, com a população activa a diminuir em 18,8 mil pessoas face ao trimestre anterior, a maior quebra trimestral dos últimos cinco anos. Ainda assim, Portugal mantém um total de 5,65 milhões de activos, num crescimento homólogo de 1,8%.

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A evolução do emprego acompanhou esta tendência. No primeiro trimestre de 2026, o número de pessoas empregadas caiu em 38,7 mil, também a maior descida trimestral dos últimos cinco anos. Apesar disso, o mercado de trabalho continua acima dos 5,3 milhões de profissionais empregados, com a taxa de emprego fixada nos 57,3%.

Entre os 4,48 milhões de trabalhadores por conta de outrem, a estabilidade contratual continua a predominar: 85,8% têm contrato sem termo. A taxa de emprego a termo situou-se nos 14,2%, menos 0,3 pontos percentuais do que no trimestre anterior.

A análise às qualificações continua, no entanto, a revelar desafios estruturais no mercado de trabalho português. Atualmente, 35,8% dos profissionais empregados têm o ensino superior completo e apresentam uma taxa de emprego de 79,4%, enquanto 29,1% das pessoas empregadas em Portugal continuam a ter um baixo nível de qualificação, uma proporção que duplica a média da União Europeia.

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O desemprego aumentou em 20 mil pessoas no primeiro trimestre de 2026, totalizando 346,3 mil desempregados. Ainda assim, em termos homólogos, verificou-se uma redução de 5,3%. A taxa de desemprego subiu para 6,1%, com as mulheres a registarem uma taxa superior (6,8%) face aos homens (5,5%).

Apesar da subida global do desemprego, os jovens registaram uma ligeira melhoria. A taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos desceu para 19,1%, menos 0,7 pontos percentuais do que no trimestre anterior, embora continue a representar um valor três vezes superior à média nacional. O desemprego de longa duração continua igualmente a marcar o mercado laboral: 39,9% dos desempregados estão à procura de emprego há mais de um ano.

 

Emprego público ultrapassa 767 mil profissionais
O emprego nas administrações públicas voltou a crescer no primeiro trimestre de 2026, superando os 767 mil profissionais. Face ao período homólogo, registou-se um aumento de 8.058 trabalhadores (+1,1%).

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A administração central concentra 75,4% do emprego público, enquanto 92,7% dos profissionais das administrações públicas trabalham no continente. «Os dados do primeiro trimestre de 2026 mostram um mercado de trabalho menos dinâmico do que o observado no final do ano passado, com quedas significativas na população ativa e no emprego. Ainda assim, Portugal continua a apresentar níveis historicamente elevados de participação e emprego. O principal desafio mantém-se estrutural: garantir maior qualificação da força de trabalho e responder à desaceleração sem comprometer a competitividade do mercado laboral», afirma Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad.

 

Teletrabalho recua no início de 2026
O número de pessoas em regime de teletrabalho diminuiu em 10,5 mil no primeiro trimestre de 2026, abrangendo actualmente 1,12 milhões de profissionais, o equivalente a 21,1% da população empregada. A Grande Lisboa (33,6%) e a Península de Setúbal (28%) continuam a ser as únicas regiões acima da média nacional no recurso ao trabalho remoto.

O modelo híbrido mantém-se como a principal forma de teletrabalho, abrangendo 39,8% dos trabalhadores remotos, enquanto 24% trabalham sempre a partir de casa. O teletrabalho continua também mais associado a profissionais com ensino superior, grupo em que 44,7% trabalham remotamente.

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Construção lidera criação de novas empresas
Em Março, foram constituídas 5.184 empresas, um valor bastante superior às 1.471 dissoluções registadas no mesmo período, reforçando a tendência positiva da dinâmica empresarial.

A Construção voltou a destacar-se como a actividade com maior número de novas constituições de empresas (2.244), enquanto o Comércio e reparação de veículos liderou as dissoluções.

Relativamente às remunerações, o valor médio das remunerações declaradas dos trabalhadores dependentes foi de 1.565,30€ em Fevereiro, representando um crescimento homólogo de 4,9%. Lisboa continua a apresentar o valor médio mais elevado do país (1.801,72€), enquanto Beja regista o mais baixo (1.292,84€).

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