Como priorizar as pessoas no regresso ao trabalho

Setembro continua a ser sinónimo de regresso à rotina para a maioria dos portugueses. Com o tecido empresarial a retomar o ritmo habitual, regressa a expectativa de que todos os colaboradores recuperem rapidamente os mesmos níveis de disponibilidade, energia e produtividade.

Human Resources
17 de Setembro 2026 | 14:00
Como priorizar as pessoas no regresso ao trabalho

Neste contexto, a Eurofirms, multinacional de gestão de talento, alerta que o verdadeiro desafio da rentrée não reside em impor uma cadência comum a toda a organização, mas em reconhecer e respeitar as necessidades individuais de cada profissional num período de transição que exige particular cuidado.

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«Somos cada vez mais impactados por normas e conselhos no regresso ao trabalho porque está comprovado que este período é extremamente importante para a sustentabilidade mental das equipas», afirma Cristina Rosa, People leader da Eurofirms.

De acordo com um estudo publicado pela Utrecht University sobre os efeitos das férias, o descanso tem um efeito positivo imediato na saúde e bem-estar das pessoas, mas rapidamente desaparece. A investigação alerta para o rápido efeito de “fade-out”, comprovando que os benefícios físicos e mentais adquiridos desaparecem de forma muito célere logo após o regresso à rotina, especialmente se houver uma exposição súbita a altos níveis de stress e exigência.

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Por isso mesmo, a Eurofirms reforça a necessidade de os líderes adoptarem uma postura mais empática e adaptável. «O trabalho é feito por pessoas e as pessoas não funcionam todas da mesma maneira», destaca a responsável, alertando que a uniformidade de comportamento não é garantia de eficácia. «Há quem regresse entusiasmado, cheio de energia e novas ideias, mas também há quem precise de mais tempo para recuperar as rotinas. Há quem valorize voltar à convivência da equipa e quem procure primeiro reorganizar-se individualmente». A especialista entende, por isso, que «todas estas formas de regressar são legítimas e que não há uma abordagem mais correcta do que a outra.»

Para a Eurofirms, aceitar estas diferenças não significa baixar as expectativas de negócio ou a qualidade do trabalho entregue. Significa que não existe um único caminho para chegar aos mesmos resultados. «Criar espaços de escuta, promover a flexibilidade sempre que possível, e respeitar diferentes necessidades individuais são formas concretas de transformar uma cultura centrada nas pessoas», explica ainda Cristina Rosa.

Recordando que a pressão por uma resposta imediata no período pós-férias pode agravar problemas de ansiedade e saúde mental – realidade que a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) estima custar mais 5,3 milhões de euros anuais aos empregadores portugueses –, a People leader conclui que o verdadeiro desafio do regresso à rotina não é que todos voltem ao mesmo ritmo, mas sim criar ambientes corporativos seguros. «O papel das empresas é garantir que cada pessoa se sente valorizada, respeitada e incluída, porque equipas mais humanas são, inevitavelmente, equipas mais fortes e produtivas.»

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