Empresas estão a recorrer ao TikTok, WhatsApp e Spotify para recrutar talento

Human Resources
12 de Março 2021 | 14:30

O LinkedIn já tinha conquistado os recrutadores enquanto canal privilegiado para a identificação de talento. Mas a atenção de quem contrata já não se restringe à rede so­cial profissional. A pandemia e a dificuldade em identificar candidatos pelos canais normais está a levar as empresas a transferir para aplicações (app) ou redes sociais menos convencionais etapas do processo de selecção, adianta o expresso.

 

De acordo com a publicação, no Brasil, a Nestlé recorreu ao TikTok para seleccionar candidatos, nos Países Baixos a consultora de recrutamento MatchHR usa o Spotify para criar anúncios em formato de playlist para os seus clientes e há quem aposte no WhatsApp ou Instagram. Portugal também já dá passos nesta direcção, mas os especialistas alertam para que esta criatividade tem riscos.

O Expresso revela que no recrutamento, a presença digital caminha cada vez mais lado a lado com as competências técnicas do candidato. E a razão é simples: «As empresas procuram conhecer os candidatos na íntegra antes de contratarem, perceber se se enquadram na sua cultura. Observar como actuam nas redes sociais ou conduzir partes do processo nas redes é uma forma de conhecer o candidato fora da sala de entrevista», explica Inês Veloso, directora da Randstad.

E terá sido essa a razão que no ano passado levou a Nestlé Brasil a recorrer à rede social TikTok, centrada na partilha de vídeos, para recrutar um gestor de marketing para a marca Nescau. No processo, pedia aos candidatos que criassem um vídeo com um máximo de 60 segundos contendo uma música que os representasse, uma breve descrição pessoal e profissional e o motivo pelo qual concorriam à vaga. A empresa justificou a opção com a necessidade de contratar um perfil «altamente criativo e capaz de superar limites». «

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Segundo a publicação, foi também a necessidade de chegar aos candidatos certos e com o perfil compatível com a cultura da empresa que levou a consultora MatchHR a desenvolver para as empresas clientes uma estratégia de recrutamento onde a app de música Spotify tem um papel central. A empresa elabora anúncios de emprego em formato de playlist (lista de reprodução musical), recorrendo a títulos de músicas para compor o texto do anúncio. É criada uma lista com o título, por exemplo, “Junta-te à Amazon — Procuramos um marketeer” e, a partir daí, escolhe títulos que possam formar um texto coerente de recrutamento. A playlist é depois partilhada com profissionais já referenciados ou publicamente.

Inês Veloso explica que estas estratégias são cada vez mais comuns e que em Portugal também já se conduzem recrutamentos através de uma app como o WhatsApp ou as redes sociais. A especialista em employer branding explica no entanto que, embora esta seja uma tendência crescente, comporta riscos. «Os candidatos estão cada vez mais exigentes e as empresas não podem arriscar ter processos de recrutamento muito criativos mas que depois não têm continuidade na cultura da empresa e no seu dia a dia, sob pena de virmos a ter taxas de rotação muito elevadas e problemas de retenção de talento».

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