Empresas mais digitais são mais produtivas e pagam salários superiores. Mas quatro em cada 10 adultos não tem competências digitais básicas

Margarida Lopes
15 de Junho 2023 | 09:10
Empresas mais digitais são mais produtivas e pagam salários superiores. Mas quatro em cada 10 adultos não tem competências digitais básicas

As empresas mais digitais são mais produtivas e pagam salários mais elevados. A conclusão é da edição 2023 do Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal, relatório anual da Fundação José Neves.

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A intensidade digital do emprego acelerou com a pandemia, mas no final de 2022 já estava em linha com a tendência de aumento entre 2017 e 2019. Ainda assim, a digitalização continua a crescer a um ritmo superior ao previsto para a década.

O relatório mostra que continua a haver um enorme potencial de digitalização por explorar, quer ao nível dos trabalhadores, quatro em cada 10 estão em empregos que não utilizam tecnologias digitais ou que fazem uma utilização muito básica, quer ao nível das empresas, uma vez que 48% das empresas têm um nível de digitalização baixo.

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Dado que o nível de digitalização das empresas está positivamente associado a ganhos de produtividade na ordem dos 20% e a salários cerca de 3% superiores, a aposta da digitalização pode levar a uma maior competitividade das empresas e a melhores condições salariais para os trabalhadores.

As empresas mais digitais tendem a ter equipas gestoras e trabalhadores mais qualificados, indicando que o capital humano é essencial no reforço dessa aposta.

Actualmente, 75% dos adultos menos qualificados não têm competências digitais básicas, o que reforça o papel dos serviços de emprego e das empresas na formação nesta área. Em 2022, 24% das empresas com pelo menos 10 trabalhadores deram formação aos trabalhadores em competências digitais.

Ao nível da educação, a aposta deve passar por formação básica e avançada. O estudo revela que é preciso acelerar a formação dos portugueses para responder ao emprego dos especialistas em TIC, que cresceu a um ritmo cinco vezes superior ao do emprego geral entre 2014 e 2021.

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Para fazer face às dificuldades reportadas pelas empresas em recrutar estes profissionais (seis em cada 10 que tentaram recrutá-los), este esforço deve integrar as mulheres, actualmente menos representadas em profissões mais digitais.

A maioria dos alunos portugueses do ensino básico tem competências digitais básicas, mas apenas uma minoria dos alunos utiliza as tecnologias digitais na aprendizagem, seja na escola (7%) ou em casa (10%).

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