As empresas portuguesas antecipam uma ligeira melhoria da actividade económica no segundo semestre de 2026, após um primeiro semestre marcado por fortes adversidades, segundo um inquérito realizado pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) junto de 400 empresários.
O estudo, divulgado esta terça-feira, revela que 53,9% das empresas prevêem um aumento do volume de negócios no mercado nacional durante o segundo semestre, com 51,3% a anteverem um crescimento ligeiro e 2,6% um aumento significativo. No primeiro semestre, 48,7% das empresas tinham registado crescimento.
Paralelamente, diminuiu de 25,7% para 20,5% a percentagem das empresas que antecipam uma redução da actividade económica.
Também no mercado internacional, as expectativas melhoraram, embora de forma mais moderada: 30,8% das empresas esperam aumentar o volume de negócios no segundo semestre, contra 25,7% que registaram crescimento no primeiro semestre. Contudo, mantém-se elevada, em 28,2%, a percentagem das que prevêem uma quebra.
O presidente do Conselho de Administração da AEP, Luís Miguel Ribeiro, afirma que «depois de um primeiro semestre muito difícil, é positivo verificar que as empresas encaram a segunda metade do ano com uma perspectiva de alguma melhoria da actividade».
O dirigente alerta, porém, que «estes resultados devem ser lidos com prudência», pois trata-se de uma «recuperação ligeira, que surge depois de um período marcado por fortes adversidades».
O inquérito destaca que o tecido empresarial português se revela mais resiliente e capaz de acomodar, em parte, os impactos extremamente adversos de origem interna e externa que têm condicionado a actividade das empresas.
Luís Miguel Ribeiro salienta que «esta maior capacidade de resistência não significa, contudo, que as empresas estejam a operar num contexto menos exigente. A instabilidade geopolítica, os custos energéticos e das matérias-primas e a crescente fragmentação do comércio internacional continuam a condicionar decisões e a exigir capacidade de adaptação. É importante que a ligeira melhoria das expectativas se confirme, mas também que sejam criadas condições para que as empresas possam transformar essa expectativa em crescimento efectivo».
Entre os principais constrangimentos apontados pelas empresas, destaca-se a burocracia, referida por 84,2% dos inquiridos, seguida dos custos dos bens energéticos (82,1%), tensões geopolíticas (79,5%), custos das matérias-primas excluindo bens energéticos (75%) e preços dos transportes (73%).
A fiscalidade é identificada por 65,8% das empresas como um factor que afecta o desenvolvimento da actividade, enquanto a concorrência internacional e a falta de mão de obra são apontadas por 57,9% dos inquiridos. O financiamento surge como o factor menos referido, com 28,6%.
Os empresários identificam ainda riscos que condicionam as decisões empresariais, nomeadamente a instabilidade internacional, a crescente fragmentação geopolítica e a criação de novas barreiras aduaneiras, a instabilidade fiscal, a manutenção dos preços dos combustíveis, a inflação, a falta de agilidade dos organismos públicos, os custos de contexto e o excesso de legislação.

















