O presidente da Associação Empresarial de Portugal alertou que o sistema de ensino do país não está a adaptar-se com a rapidez necessária às transformações do mercado, aconselhando os jovens a ganhar competências para lidar com imprevistos.
Em entrevista à agência Lusa sobre se o sistema educativo português está, ou não, a adaptar-se com a rapidez suficiente às transformações do mercado, Luís Miguel Ribeiro respondeu: “claramente que não”.
“O mercado está numa mudança acelerada e o sistema de ensino está numa transição lenta”, disse o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), no âmbito da abertura da 17.ª edição da Qualifica – Feira de Educação, Formação e Juventude, na Exponor, em Matosinhos (Porto), um certame que arranca quinta-feira e termina no sábado.
Para o presidente da AEP, o sistema de ensino e educação não pode continuar com uma transmissão do conhecimento e uma avaliação da capacidade do aluno absorver esse conhecimento transmitido.
Luís Miguel Ribeiro destaca que o mais importante para os jovens singrarem no mercado de trabalho mundial é conseguirem desenvolver «sentido crítico de análise e capacidade de olhar para os dados» e não serem o transporte dos dados, até porque, com a Inteligência Artificial, é fácil aceder aos dados de uma forma célere.
O desenvolvimento das soft skills, ou seja, das competências sociais e interpessoais, são critérios essências para os jovens conseguirem lidar com a pressão ou o imprevisto numa empresa confrontada com uma guerra ou uma pandemia, explica.
Na Qualifica 2026 vão ser apresentados, além dos cursos e mestrados que existem em Portugal, um conjunto de eventos paralelos que pretendem trabalhar a questão da «mentoria social, a questão do desenvolvimento pessoal, as questões da cultura (…), a participação cívica dos mais jovens, porque é uma parte importante da formação de um jovem para entrar no mercado do trabalho».
Questionado sobre se existe um desfasamento entre formação académica e competências exigidas pelo mercado de trabalho, o presidente da AEP afirmou que há e que essa «realidade é objectivamente demonstrada pelos números do desemprego jovem».
Segundo Luís Miguel Ribeiro, o desemprego jovem resulta da falta dos dirigentes de ensino em ouvir os representantes das empresas sobre as sugestões de áreas e de formas de qualificar os mais jovens.
«Precisamos de criar uma grande e uma maior aproximação entre as instituições de ensino, de qualificação, de formação profissional, e as empresas, ou seja, o mercado de trabalho» e, para isso, é necessário perceber o que é que as empresas precisam, defendeu o presidente da AEP, associação criada há 176 anos.
Luís Miguel Ribeiro insiste que os desafios de hoje no mercado passam muito pela “preparação e pela sensibilização” dos jovens para lidarem com «situações de maior imprevisibilidade, para estimularem a criatividade, para os prepararem para desafios, como o período da pandemia».
«Não são aqueles que têm mais qualificações que estão mais bem preparados muitas vezes para dar esta resposta, mas aqueles que têm este desenvolvimento das chamadas soft skills, estas capacidade de lidar com stress, pressão, imprevisto, com a adaptação que é necessária», assinalou.
Essa agilidade mental e capacidade de adaptação é fundamental e, por isso, a Qualifica 2026 apresenta quinta-feira a conferência “Educar para o Trabalho”, com Nuno Crato, professor catedrático e ex-ministro da Educação, a falar sobre o tema “Uma Política de Educação Nacional Orientada ao Trabalho e Mérito”.
O presidente da AEP explica que o certame vai ter um conjunto de eventos que pretendem trabalhar a “questão da mentoria social”, “desenvolvimento pessoal”, ou «participação cívica dos mais jovens, porque é uma parte importante da formação e permite entrar no mercado do trabalho mais bem preparado».














