O ensino público português vai precisar de recrutar, nos próximos dez anos, pelo menos 34.508 novos professores, avança o Público.
De acordo com a publicação, apesar de ser esperada uma diminuição de 15% dos alunos, o que reduz as necessidades, a aposentação de cerca de 39% dos professores em funções até 2030 faz com que a diminuição de docentes seja muito superior à de estudantes e supere, por isso, essa descida. Isso significa que dos 120.329 docentes observados em 2018/19, apenas 73.401 ainda não se terão reformado no ano lectivo 2030/31, algo que se justifica com a estrutura etária envelhecida da classe docente.
Os números foram revelados durante a apresentação do estudo de diagnóstico de necessidades docentes de 2021 a 2030, no Ministério da Educação, onde esteve presente o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e a secretária de Estado da Educação, Inês Ramires.
Dos 120.369 professores em funções em 2018/2019, quase 40% (39%) deverão reformar-se até ao ano lectivo 2030/2031, factor que exige que, por ano, seja necessário contratar 3451 docentes, em média. Estas necessidades intensificam-se ao longo do período considerado e em 2030/2031 atingem os 4107 novos docentes por ano, explicou Luís Catela Nunes, investigador da Nova SBE, que levou a cabo o estudo em parceria com a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).
No último ano, o número de diplomados na área da formação de docentes foi de 1567 profissionais, número que se revela insuficiente e “muito inferior” ao necessário para fazer face às necessidades verificadas no futuro, disse Luís Catela Nunes. Este número é, aliás, menos de metade dos 3451 docentes a recrutar e está longe de chegar aos 4107 professores que é preciso contratar por ano, em média, no fim da década.
A publicação revela que no ensino pré-escolar que se perspectiva a maior queda, com 61% dos educadores que em 2018/2019 estavam em funções a aposentar-se, e a ser necessário contratar 4419 novos docentes. Apesar disso, é no 3.º ciclo e no ensino secundário que mais professores será preciso recrutar, num total de 15.663 novos docentes até 2030. Seguem-se o primeiro ciclo, a precisar de 6926 professores, o segundo ciclo, com 5655, e o ensino especial, a Língua Gestual Portuguesa e a Educação Moral e Religiosa, onde faltam 1845 docentes.
Por regiões, é no Norte que mais docentes terão de ser contratados (12.057), seguindo-se a Área Metropolitana de Lisboa (9265), o Centro (8678), o Alentejo (2737) e o Algarve (1771). As regiões da Área Metropolitana de Lisboa e da Área Metropolitana do Porto são aquelas que apresentam uma maior necessidade de recrutamento, em número, atingindo os valores de 9265 e 5275 novos docentes até 2030/31, respectivamente.














