Ensino superior é mais barato em Portugal, mas custos para as famílias são elevados

Frequentar o ensino superior é mais barato em Portugal do que nos restantes Estados-membros da União Europeia, mas os custos são elevados para as famílias portuguesas, que suportam 30% do financiamento das instituições através das propinas.

Human Resources com Lusa
15 de Maio 2026 | 11:50
Ensino superior é mais barato em Portugal, mas custos para as famílias são elevados

A conclusão resulta de um estudo divulgado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que analisou os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

Um dos indicadores avaliados para perceber se compensa frequentar o ensino superior foi o retorno financeiro desse investimento, calculando a diferença entre os ganhos salariais ao longo da vida e os custos directos de frequentar o ensino superior e rendimentos de trabalho sacrificados por prosseguir os estudos ao invés de entrar no mercado de trabalho logo após o ensino secundário (custos indiretos).

Comparativamente aos restantes Estados-membros da União Europeia (UE), é em Portugal que os custos de frequentar o ensino superior são mais baixos, em parte devido aos baixos salários auferidos pelos jovens que concluíram apenas o ensino secundário.

No entanto, as despesas têm um peso diferente no orçamento das famílias portuguesas.

Continue a ler após a publicidade

Segundo o relatório, os custos directos de frequentar uma universidade (propinas, taxas e emolumentos e materiais de estudo), tornam-se elevados quando em relação ao PIB per capita e representam uma parte significativa dos custos totais, ao contrário da maioria dos países, onde os rendimentos não auferidos constituem a maior fatia desse bolo.

No contexto europeu, só Espanha e Hungria ultrapassam Portugal, e os autores alertam que, apesar dos valores absolutos baixos, os custos iniciais “podem constituir sérios obstáculos à entrada no ensino superior”.

Por outro lado, o policy paper, o quinto produzido pela Fundação e o segundo dedicado à Educação, aponta os níveis de investimento “relativamente baixos”.

Em 2022, Portugal pagou, em média, 14.155 dólares (cerca de 12 mil euros) por estudante, 35% abaixo da média da UE, sendo que um terço desse valor foi pago pelas famílias, posicionando o país no topo da lista dos Estados-membros onde as famílias mais contribuem para o financiamento das instituições.

Continue a ler após a publicidade

Perante esse cenário, o desafio é encontrar um equilíbrio entre eficiência associada à frequência do ensino superior, a equidade de oportunidades e partilha justa de custos, e a sustentabilidade no que respeita à viabilidade fiscal e qualidade da educação.

Os dados do relatório sugerem que o modelo seguido por Portugal nos últimos anos – de partilha de custos, combinando financiamento público e com propinas a cargo dos estudantes – é insuficiente e, por isso, os autores deixam algumas recomendações para alcançar esse equilíbrio.

Partilhar


Mais Notícias