Apenas 10% dos portugueses afirma ter pagado por notícias online, com Portugal a apresentar uma das taxas mais baixas entre 48 países analisados pelo Digital News Report (DNR).
«Portugal continua a apresentar uma das taxas mais baixas de pagamento por notícias em formato digital entre os 48 países analisados pelo Digital News Report, com apenas 10% dos portugueses a afirmar ter pagado por notícias online no ano anterior — uma quebra de dois pontos percentuais face a 2024», segundo o Digital News Report Portugal 2025 (DNRPT25).
Esta tendência «confirma o cenário de estagnação observado nos últimos anos, em linha com o que se verifica também em vários mercados europeus, incluindo países tradicionalmente mais fortes em subscrição digital, como a Suécia ou a Noruega», lê-se no relatório.
O DNRPT25 é produzido anualmente pelo OberCom – Observatório da Comunicação desde 2015, publicado a par do relatório global do RISJ – Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Em termos globais, «o pagamento por notícias digitais situa-se nos 18%, ligeiramente acima de 2024 (+1 pp.), com a Suíça a destacar-se como uma das poucas excepções a esta tendência de estabilidade, ao registar um crescimento expressivo (+5 pp.)».
Em Portugal, um terço opta pela opção de subscrição contínua de notícias digitais, «embora tenha aumentado a proporção daqueles que acedem a notícias através de serviços que incluem este conteúdo de forma indirecta (33%)».
O pagamento por pacotes combinados de impresso e digital também cresceu (23%), assim como o pagamento isolado por artigo ou edição (20%).
«A doação para apoiar marcas ou serviços jornalísticos mantém expressão residual (10%), embora tenha aumentado ligeiramente», refere o relatório.
Mais de dois terços (70%) dos que pagam por notícias digitais «mantêm esse compromisso de forma contínua, o que sugere fidelização entre a base de subscritores existentes».
Contudo, o potencial de expansão continua limitado: «66% dos não pagantes afirmam não ter interesse em qualquer das condições propostas para virem a pagar por notícias online, o que reforça a persistência de barreiras culturais e económicas à monetização digital de notícias em Portugal».
O Expresso e Público «destacam-se como as marcas que os portugueses mais subscrevem de forma regular (Expresso de forma acentuada, com 39% face aos 26% do Público), seguindo-se o Observador (19%) e Correio da Manhã (18%)», refere o DNRPT25, sendo que este indicador não pretende ser uma fonte fiável sobre o desempenho na circulação digital paga.
A televisão continua no relatório deste ano a ser a «principal fonte de acesso a notícias em Portugal, sendo utilizada por 67% dos portugueses e assumindo-se como a principal via de acesso para 53% da população».
E apesar da Internet igualar a televisão em termos de utilização geral (67%), «apenas 19% a apontam como fonte principal, confirmando a persistência da hegemonia da televisão, sobretudo entre os mais velhos».
Já nos jovens entre os 18 e 24 anos regista-se uma propensão para o digital: mais de quarto (26%) privilegia a Internet (sem redes sociais) e 24% as redes sociais como vias principais de acesso a notícias.
A rádio e a imprensa mantêm papéis mais marginais (7% e 4%, respectivamente), enquanto os podcasts e os chatbots de IA [inteligência artificial), introduzidos pela primeira vez na medição em 2025, revelam uma utilização residual como fonte principal (1% cada), apesar de 6% e 4% dizerem ter usado estas opções na semana anterior, respcetivamente.
Os motores de busca (28%) lideram como porta de entrada para as notícias, seguidos pelo acesso directo a sites (19%) e pelas redes sociais (20%), «um padrão que contrasta com o cenário global, onde as redes sociais lideram».
Com trabalho de campo a cargo da YouGov, o projecto inquiriu a nível global em 2025 cerca de 97 mil indivíduos utilizadores de Internet, em 48 países. Em Portugal foram inquiridos 2012 indivíduos.














