Entre o ideal e o possível em 2026: a arte de improvisar na liderança

Human Resources
30 de Janeiro 2026 | 11:00

Por Alexandra Barosa, directora executiva do Curso de Coaching Executivo da Nova SBE e Managing partner da ABP Corporate Coaching

Neste início de ano, o meu desejo seria de uma liderança humana e empática, e de sistemas a funcionar de forma  verdadeiramente cooperativa. Mas, perante o contexto internacional, esse desejo romantizado cai por terra. Vivemos num mundo fragmentado, marcado por tensões geopolíticas, polarizações sociais e uma aceleração constante da mudança, onde a previsibilidade é excepção. A realidade chega em ondas, com agendas sobrepostas e urgências que não pedem licença.

Quando o tempo escasseia, as equipas tendem a três respostas: paralisam, insistem em planos antigos ou improvisam novos caminhos. Esta última forma é a adaptação improvisada – planeamento e execução fundem-se porque a distância entre “o necessário” e “o possível” obriga a decidir e agir ao mesmo tempo. Muitas equipas continuam, porém, a reagir com lógicas antigas — aceleram, adicionam processos e tentam controlar o incontrolável. O resultado já é familiar: pressão constante, excesso de informação e a sensação persistente de estar sempre atrasado.

Adaptar-se de forma improvisada exige uma viragem mais profunda. Trata-se de pensar de forma mais ampla, passando do “isto ou aquilo” para “ambos / e”, integrando – e aceitando – tensões e polaridades. Líderes com maior capacidade adaptativa exercem poder de forma mais colaborativa, acolhem a aprendizagem e navegam melhor a complexidade. Ainda assim, esta capacidade permanece rara: muitos líderes não desenvolveram uma lógica de acção suficientemente abrangentes para lidar com a incerteza atual.

Daí a importância de criar espaços intencionais de aprendizagem — como o coaching de equipa — que combinem desenvolvimento de competências e expansão de consciência. Esses espaços funcionam como microestruturas de segurança psicológica: contêm o desequilíbrio produtivo, libertam novas formas de pensar e permitem tratar o conflito como fonte de criatividade, o erro como oportunidade e a vulnerabilidade como condição de crescimento.

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No fundo, improvisar a adaptação num mundo frágil não significa abdicar da estratégia, mas sim estrategizar enquanto se aprende. Implica criar microexperiências, medir os efeitos, ajustar rotas e promover a aprendizagem contínua para a própria organização enquanto sistema interconectado. Quando líderes e equipas praticam este pensamento integrativo e de reflexividade, o abismo entre o ideal e o possível estreita-se. Não porque o mundo se simplifica, mas porque nos tornamos mais abrangentes, conscientes e resilientes.

Talvez a paz global ainda seja um ideal distante. Mas a forma como lideramos em contextos imprevisíveis pode deixar de ser romântica e tornar-se corajosa, adaptativa e profundamente humana.

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