Entrevista a Cátia Martins, CEO da L’Oréal Portugal: «Somos uma verdadeira escola de talento»

O fundador da L’Oréal, Eugène Schuller, disse: “A company is not walls and machines, it’s people, people, people.” E a tradução prática disso é uma empresa que «aposta fortemente na formação contínua dos seus colaboradores, favorecendo uma carreira fértil em experiências ricas e diversas». Prova viva é a CEO da L’Oréal Portugal, Cátia Martins.

 

Por Ana Leonor Martins

 

Foi há quase 22 anos que Cátia Martins entrou na L’Oréal como estagiária e de lá não saiu. «Meia vida», diz. E não foi por acaso. Na faculdade já era esse o seu objectivo – trabalhar na líder mundial em beleza. Em duas décadas, vai na sua «10.ª missão», tendo passado por mais três países. Aos 27 anos já era directora de Marketing L´Oréal Paris; aos 33 estava à frente da direcção de Marketing de maquilhagem para a América Latina; e a partir daí sucederam-se funções ao nível de General Management, nomeadamente em Itália, tinha então 39 anos. Um ano depois, torna-se CEO da L’Oréal Portugal.

Não é difícil perceber que monotonia ou falta de desafios é coisa que Cátia Martins não conhece naquela que considera a sua família profissional. Por isso, e também porque o que a fascinou quando entrou na L’Oréal se mantém – uma «forte atitude de challenger e uma enorme vontade de ir sempre mais longe e fazer sempre melhor, mantendo-se sempre “ahead of the game”» – não se imagina a trabalhar noutro sítio.

 

Integrou a L’Oréal em 1999. Ainda se lembra da empresa que encontrou e o que mais a “impressionou”?
Lembro-me perfeitamente da L´Oréal que encontrei há quase 22 anos, quando entrei como estagiária para a divisão de produtos de grande consumo – uma empresa que me recebeu de braços abertos e que me deu responsabilidades interessantes, no imediato. Encontrei uma empresa enérgica, líder na sua indústria, com uma forte atitude de challenger, uma paixão e uma enorme vontade de ir sempre mais longe e fazer sempre melhor, mantendo-se sempre “ahead of the game”. Encontrei ambição, competitividade, mas também generosidade; uma liderança tão carismática, como próxima. Lembro-me da enorme proximidade com o terreno, com as lojas e as equipas de vendas – uma verdadeira marca da divisão em que trabalhava.

 

É licenciada em Publicidade e Marketing. Trabalhar na L’Oréal era um objectivo? Como surgiu a oportunidade de, em 2000, assumir a função de product manager?
Era mesmo o meu objectivo. Uma colega da faculdade que, na altura, estagiava na L´Oréal, contagiou-me com este bichinho. Fui ficando apaixonada por tudo o me contava e quando comentou que havia vaga para um estágio – na altura existiam poucos estagiários –, não hesitei. Enviei o meu currículo e entrei naquela que seria a minha casa/família profissional até hoje! A passagem para a gestão de produto foi natural – a combinação de uma posição em aberto, a minha vontade de fazer carreira no Marketing, a boa performance do meu estágio e o fit com a empresa.

 

É aqui, como sublinhou, que tem desenvolvido a sua carreira. O que a tem mantido motivada nestas mais de duas décadas?
Tenho um fit muito forte com a cultura da empresa – ambição, agilidade, cooperação, empreendedorismo… – adoro a indústria de Beleza e as pessoas empreendedoras com quem tenho tido a sorte de trabalhar, sempre com muito talento, ambição e capacidade de inovação.

Para além de tudo isto, o percurso tem-me ajudado a manter-me com a energia certa. Sou driven pela mudança – acredito mesmo que “a única constante da vida é a mudança”. Na L’Oréal, onde estou há meia vida, tenho vivido uma aventura pautada pela mudança. Em 21 anos, vou na minha 10.ª missão e já passei por mais três países – França, Brasil e Itália –, é a experiência e as oportunidades que me têm mantido motivada e com os níveis de energia em alta, despertando em mim mais e mais curiosidade.

Ou seja, motiva-me a indústria em si, a cultura da empresa e, sobretudo, a forma como a mesma evoluiu, tendo-se tornado cada vez mais focada no “nós” e menos no “eu”.

 

O que destaca das experiências internacionais que referiu?
Foram as experiências mais enriquecedoras que tive. A minha primeira expatriação foi Paris, onde fui directora de marca para os mercados da América Latina, viajando frequentemente entre Brasil, México, Argentina, Chile, etc… um verdadeiro mini MBA de modelos de negócio, distintos entre si e muito longe da realidade de uma Europa madura. Uma forte aprendizagem também a nível cultural.

Seguiu-se o Brasil, onde a gestão da complexidade, real e exigente, fez deste passo aquele em que mais aprendi e evoluí enquanto profissional. Aqui, os desafios foram mais que muitos, com real impacto no negócio e nas equipas.

A minha última expatriação foi Itália, um mercado tão complexo de gerir como o Brasil, também pela sua complexidade de distribuição, mas em versão de país maduro, detentor de uma enorme sofisticação aliada à moda e à beleza. Encontrei grandes desafios na forma de operar o negócio; na falta de modernização comercial; na realidade totalmente diferente entre um Norte rico e um Sul supostamente pobre; nas equipas que precisavam de um switch para lideranças mais modernas, frescas e inovadoras.

 

Diria que esta oportunidade de experiências internacionais, bem como a possibilidade de uma progressão relativamente rápida, são umas das grandes mais-valias da vossa marca de empregador?
Claramente! A nossa employer brand proposition é fortíssima e prevê a possibilidade de se atribuir, logo cedo, responsabilidades importantes aos colaboradores, para que estes ampliem o seu potencial. Por exemplo, aos 27 anos fui nomeada directora de Marketing L´Oréal Paris. Nunca nos meus melhores sonhos teria imaginado tamanha velocidade de progressão. Aos 33, estava à frente da direcção de Marketing de maquilhagem para a América Latina, liderando o destino de três marcas no Brasil, já com um scope alargado, desde Finanças a Recursos Humanos, passando pelas Operações. A partir daí, sucederam-se funções ao nível de General Management.

Somos uma verdadeira escola de talento, que aposta fortemente na formação contínua dos seus colaboradores e parceiros, favorecendo uma carreira fértil em experiências ricas e diversas, nas diferentes divisões de negócio, na passagem por diversos metiers ou mesmo alavancada pela expatriação, um pouco por todo o mundo.

 

Como definiria a cultura L’Oréal?
Como disse o nosso fundador Eugène Schuller, “A company is not walls and machines, it’s people, people, people”. As equipas são a base de como trabalhamos na L’Oréal – os heróis que reflectem a nossa cultura de paixão.

Trabalhar na L’Oréal significa trabalhar no líder mundial em beleza, na vanguarda da inovação; significa, acima de tudo, fazer parte de uma equipa de pessoas talentosas, inspiradoras, empreendedoras e muito humanas.

Na L’Oréal, os líderes celebram o resultado colectivo, impulsionando um ambiente de test & learn, onde aprendemos e inovamos juntos, um ambiente de trabalho diversificado, solidário e energizante, onde as pessoas sintam que podem ser elas próprias, de forma autêntica, sincera e flexível.

 

Como é que se posiciona a L’Oréal Portugal no grupo?
A L´Oréal está em Portugal desde 1962. Actualmente, somos uma pequena filial com 400 colaboradores, aquela a que chamo a melhor equipa de Beleza em Portugal. Internacionalmente, somos considerados uma verdadeira escola de talentos e temos mais de 30 colaboradores a ocupar cargos estratégicos, em diferentes países e continentes.

A L´Oréal Portugal é um exemplo, também em termos de igualdade de género e política de benefícios. A avaliação dos colaboradores coloca-a muito acima da média da região da Europa Ocidental e da norma nacional.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição de Fevereiro (nº.122) da Human Resources, nas bancas.

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