Entrevista: «A criação de um plano de talento e sucessão é crucial para a assegurar a agilidade de uma empresa», acredita a DRH da Ageas Portugal

A realidade imposta às empresas pela COVID-19 trouxe uma grande necessidade de adaptar a forma de liderar. Identificado esse imperativo, e conscientes de que nas alturas difíceis o papel dos líderes é ainda mais crucial, no Grupo Ageas Portugal reforçou-se a proximidade às equipas.

 

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

Já antes da crise pandémica, o Grupo Ageas Portugal estava a integrar os escritórios de Lisboa numa nova sede, planeada com mais soluções tecnológicas e com o pressuposto do trabalho remoto. Mas Catarina Tendeiro não esconde que o actual contexto promoveu mudanças, necessidades de adaptação e de antecipação de políticas internas. Não obstante, no pilar de Gestão de Pessoas mantiveram-se todos os projectos definidos para 2020, em áreas de gestão de talento, cultura e valores, assim como em programas de liderança e agilidade da organização. «Esta crise veio reforçar o papel da cultura e valores da empresa, e da sua transmissão pelos colaboradores», afirma a directora de Recursos Humanos, em entrevista à Human Resources.

 

Agora que já começámos a retomar quase todas a actividades económicas, e tendo a obrigatoriedade de trabalho remoto – onde isso era possível – terminado a 31 de Maio, o que sobressaiu de melhor do período de confinamento obrigatório dos colaboradores?
Durante este período, destacamos, pela positiva, a resiliência e a capacidade de adaptação dos nossos colaboradores a esta nova realidade, que nos permitiu assegurar todas as funções sem disrupções. O Grupo Ageas Portugal já tinha criado medidas para implementar o trabalho remoto, e que em Março foram alargadas por imposição da actual contingência. Como resultado, conseguimos dar seguimento a todos os projectos em curso, afirmando-nos como um parceiro cada vez mais relevante na prestação de serviços.

 

E o que destacaria de pior?
De acordo com os nossos colaboradores, o maior desafio foi a gestão emocional, o distanciamento físico entre equipas e a conciliação entre a vida familiar e profissional, uma vez que muitos colaboradores tiveram de ser ao mesmo tempo pais, professores e trabalhadores, o que é muito desgastante.

 

Que resposta deram a esse desafio da gestão das emoções?
Sabemos que esta situação de pandemia tem impacto no equilíbrio emocional de algumas pessoas e no seu bem-estar. Assim, com o propósito de apoiarmos os nossos colaboradores, o Grupo Ageas Portugal proporcionou um conjunto de iniciativas, das quais destaco três: os webinars com profissionais das áreas de Psicologia e Enfermagem sobre a gestão emocional, para capacitar os colaboradores de competências de autorregulação das emoções e sobre os procedimentos de saúde e segurança em fase de regresso aos escritórios; apoio psicossocial, sendo que, para além de reforçarmos o serviço de assistência social já existente, incluímos o apoio psicológico aos colaboradores que o solicitaram, garantindo, naturalmente, um rigoroso sigilo profissional em todos os contactos estabelecidos; e um regresso ao escritório faseado e voluntário, optando por dar flexibilidade às pessoas para se manterem em casa, caso se sintam mais confortáveis, apesar de o trabalho já não ser obrigatório.

 

Houve mudanças na forma de liderar?
Houve uma grande necessidade de adaptar a forma de liderar. Este tema foi identificado e discutido com toda a Comissão Executiva no início da crise, o que nos permitiu actuar de forma célere, criando uma maior consciencialização entre os líderes para os desafios que se avizinhavam. Com esta sensibilização, os nossos líderes responderam de forma notável, reforçando a proximidade e comunicação dentro das equipas de trabalho.

Nas alturas difíceis, o papel dos líderes é mais crucial e a liderança deve ser ainda mais próxima e exercida com sentido de serviço, tendo um impacto positivo e duradouro no desempenho das equipas.

 

O Grupo Ageas colocou 100% das suas pessoas a trabalhar a partir de casa, call centres incluídos. Isso afectou a actividade?
O contexto em si promoveu mudanças, necessidades de adaptação e antecipação de políticas internas, que afectam qualquer actividade, mas, com o empenho de todos e espírito de colaboração, foi possível manter todas as funções do grupo, sem degradação dos níveis de serviço.

 

Já disse que, nesta fase, não vão obrigar ninguém a voltar para casa. Mas desenharam um plano de “Regresso ao Escritório”. Em que consiste?
É um plano faseado e voluntário, sim, para que todas as nossas pessoas reúnam, a seu tempo, as condições pessoais para o seu regresso. O Grupo Ageas Portugal preparou cada edifício para receber os colaboradores de acordo com as recomendações de higiene e segurança, reorganizando os espaços e adaptando procedimentos. Para apoiar as nossas pessoas neste novo dia-a-dia, desenhámos um manual explicativo, construímos uma powerapp para marcação de lugares, entre outras medidas, como os já referidos webinares.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição de Junho (nº. 114) da Human Resources, nas bancas.

 

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