Cristina Fonseca, Indico Capital Partners: «Há uma necessidade real de requalificar pessoas e dotá-las de mais competências digitais»

Sandra M. Pinto
28 de Janeiro 2021 | 12:40
Cristina Fonseca, Indico Capital Partners: «Há uma necessidade real de requalificar pessoas e dotá-las de mais competências digitais»

No último dia da edição 2021 do Building the Future, dedicado à Educação, falámos com uma das oradoras, Cristina Fonseca, co-fundadora da Talkdesk e actual Venture Partner da Indico Capital Partners, que defende que é preciso requalificar os profissionais, «não só para fazer face à destruição de emprego, mas também para os tornar capazes de superar os novos desafios das organizações».

Por Sandra M. Pinto

 

Foram mais de uma centena sessões e 200 oradores, que integraram a edição 2021 do Building the Future – considerado o maior evento de transformação digital do ecossistema empresarial português, liderado pela Microsoft e desenvolvido pela imatch -, onde foram debatidos temas que têm vindo a relevar-se cruciais para enfrentar o futuro, ainda incerto, que nos aguarda.

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Cristina Fonseca defende que a melhor forma de enfrentar a incerteza «não é reinventar a roda, mas rodear-se de parceiros que já tenham visto os nossos problemas noutros contextos, ouvir histórias inspiradoras e expor os nossos desafios a uma comunidade de pessoas capazes de trazer uma perspectiva diferente para a discussão».

 

Com a pandemia muita coisa mudou. De que forma se deve o ensino adaptar para responder às necessidades actuais do mercado?
A questão é difícil porque o ensino tem, em primeiro lugar, de ser inclusivo. Obviamente que a nossa expectativa, pelo menos no curto prazo, é que o ensino consiga ser transportado para uma realidade digital por força das circunstâncias. O ensino remoto tem de ser uma possibilidade, mas tem também de considerar restrições de acesso a redes, equipamentos, literacia tecnológica e garantir que todos os estudantes têm as condições em casa para poderem estudar e aprender. Sendo dos sectores mais fundamentais da sociedade, é também um dos mais desafiantes hoje.

 

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Um futuro digital será construído com a personalização e o recurso a experiências imersivas?
Um futuro digital faz sentido se e enquanto a tecnologia resolver problemas. A tecnologia foi crucial em garantir que conseguimos continuar a trabalhar remotamente, fazendo compras, assistindo a aulas online, entre outros.
Todos nós esperamos que a tecnologia seja não só um solucionador de problemas, mas também seja personalizável. Os exemplos mais simples incluem usar um messenger sem escrita inteligente, ou ir ao youtube, mas sem histórico e recomendações. Funcionalidades de personalização estão já tão enraizadas nas ferramentas tecnológicas que usamos que estas não são tendências de futuro, mas sim de presente.
Claro que a maioria destas funcionalidades nos passam despercebidas e há efectivamente a oportunidade de criar experiências mais imersivas, que de alguma forma aproximem a interação virtual à real.

 

Será inevitável o aparecimento de novos modelos de negócios? Se sim de que tipo e características?
Não sei se iremos ver novos modelos de negócio a surgir porque num negócio há que alinhar incentivos das partes intervenientes. A maior disrupção está em aplicar modelos de negócio diferentes a áreas novas e, sobretudo, novas formas de trabalhar. Áreas como a educação, saúde são duas muito óbvias.

 

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Que importância terá o reforço das competências digitais nas novas oportunidades de negócio do futuro?
O último ano veio acelerar a transição digital em todos os sectores, por forma a que dos professores aos funcionários públicos, toda a gente se viu forçada a desempenhar as suas funções de forma mais digital requerendo competência novas.
Por outro lado, as dificuldades que algumas empresas estão a sentir, como é por exemplo o caso da restauração, irão com certeza destruir empregos que dificilmente terão procura nos próximos anos. No entanto, outras empresas, como é o caso das de e-commerce ou departamentos de serviço ao cliente, estão pressionadas e à procura de pessoas com competências digitais.
Nesse sentido, há uma necessidade real de requalificar pessoas e dotá-las de mais competências digitais, não só para fazer face à destruição de emprego, mas também para as tornar capazes de superar os novos desafios das organizações.

 

Qual é hoje o papel desempenhado pela inovação? É ela agora ainda mais importante e essencial?
A inovação é um “ser” que até agora se materializava na visão de fazer diferente ou fazer coisas novas no futuro, noutros casos era um departamento a explorar novas ideias de negócio ou melhorias internas, para algumas empresas seria um evento anual. A inovação hoje em dia traduz-se em ter um radar que constantemente procura novas oportunidades, não ter medo ou resistência em fazer a mesma coisa de formas diferentes e saber mais que nunca que os negócios dependem disso.

 

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Num mundo em mudança será necessária uma aproximação de empresas de todos os setores da atividade económica? Por quê?
Como mencionei anteriormente, um mundo em mudança obriga a ajustes constantes e a melhor forma de iterar na direção correta é rodearmo-nos de inspiração, daí a importância da aproximação de outras pessoas e organizações sejam de que sector forem.

 

O que mudou para os clientes em 2020?
A pandemia trouxe clientes mais exigentes e menos pacientes, o que criou pressão nas empresas que têm de reagir cada vez mais rápido.

 

Que novas iniciativas estão a ser implementadas e de que forma iniciativas como o Building the Future podem contribuir?
As organizações estão a tirar do papel muitos projectos que tinham em mente, mas que em alguns casos resistiam em fazer acontecer em muitos casos por falta de incentivo a fazer acontecer.
A pandemia veio colocar uma pressão enorme não só na capacidade de resposta dos hospitais, mas também nas operações logísticas dos retalhistas, na capacidade de processamento dos bancos, nas redes e sistemas de lojas online, para além de desafiar a resiliência de cadeias de hotéis e restaurantes. Um dos papeis de iniciativas como é o caso do Building The Future é o facto de juntar para discussões da actualidade líderes que partilham dores muito semelhantes e que tiveram de reagir (e ainda o estão a fazer) relativamente rápido.
A melhor forma de o fazer não é reinventar a roda, mas rodear-se de parceiros que já tenham visto os nossos problemas noutros contextos, ouvir histórias inspiradoras e expor os nossos desafios a uma comunidade de pessoas capazes de trazer uma perspectiva diferente para a discussão.

 

Perante a incerteza como devemos olhar para 2021?
Com esperança no futuro, com optimismo em relação às oportunidades que agora se criam, e com a curiosidade necessária para navegar um ano que será incerto, em relação ao qual não se consegue planear com muita clareza. 2021 será um ano em que teremos de aprender a estar confortáveis com a incerteza.

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