Por Ana Leonor Martins
Com presença estabelecida em Portugal – em concreto, no Porto – desde 2017, através da Natixis, o Grupo BPCE, segundo maior grupo bancário de França, continua a investir no nosso país, mais recentemente com a abertura de um novo centro de competências, desta feita na capital portuguesa. Foi – e continua a ser – o talento altamente qualificado que justificou a aposta, reforçando o know-how e especialização em tecnologia, dados, inteligência artificial (IA), cibersegurança, risco, compliance e operações financeiras. Em cerca de 10 anos, contam já perto de 3500 colaboradores e 45 nacionalidades.
À frente dos destinos da Natixis em Portugal está, desde 2020, Etienne Huret, liderando agora uma nova fase de crescimento da operação. Em entrevista exclusiva à Human Resources, fala sobre o papel estratégico da empresa no Grupo BPCE, dos principais desafios de Gestão de Pessoas, de liderança num contexto de mudança e da transformação que a IA está a trazer ao mundo trabalho, nomeadamente no sector bancário. Reconhece que terem a tecnologia na sua génese os coloca numa posição favorável para o futuro, mas com a consciência de que «a verdadeira vantagem está na combinação entre tecnologia, conhecimento do negócio e cultura colaborativa».
Em final de Maio, a Natixis inaugurou um novo centro de competências, em Lisboa. O que justifica este investimento e qual o papel estratégico de Portugal para o Grupo BPCE?
Portugal tem hoje um papel cada vez mais relevante na estratégia de crescimento e diversificação do Grupo BPCE, pela sua capacidade de combinar talento qualificado, inovação, investimento internacional e competências tecnológicas ao serviço da transformação do grupo.
Curiosamente, não começaram na capital. Porquê?
A aposta inicial no Porto justificou-se pela qualidade do talento que encontrámos na região. A Natixis identificou profissionais altamente qualificados, sobretudo nas áreas das ciências e tecnologias, formados em universidades e institutos de referência, com forte domínio de línguas e uma visão internacional alinhada com as necessidades do Grupo BPCE.
E porquê a expansão, agora, para Lisboa? Em que consiste exactamente este novo centro de competências?
O novo centro em Lisboa vem reforçar o apoio às várias linhas de negócio do Grupo BPCE. Temos equipas ligadas a áreas como tecnologias de informação, banca de investimento, risco, inovação e funções de suporte. O objectivo é trabalhar em modelo integrado com o Porto, sob uma gestão unificada, preservando a nossa cultura e aumentando a nossa capacidade de entrega.
Qual a estratégia de crescimento para o futuro próximo?
A nossa estratégia passa por crescer de forma sustentável, reforçando competências críticas para o Grupo BPCE e consolidando Portugal como centro de excelência internacional. Queremos continuar a atrair talento especializado, sobretudo em tecnologia, dados, IA, cibersegurança, risco, compliance e operações financeiras. Mas o crescimento não será apenas quantitativo. O foco está em aumentar a sofisticação das competências, a capacidade de inovação e o impacto das equipas em Portugal.
Está em Portugal – e à frente dos destinos da Natixis no país – desde Julho de 2020. Que marcos evolutivos destaca, nestes seis anos?
Cheguei à Natixis em Portugal num contexto muito particular, marcado pela pandemia e por uma profunda transformação da forma como trabalhávamos. Mas destacaria três grandes marcos: a consolidação da Natixis no país como centro estratégico do Grupo BPCE, o reforço das nossas competências tecnológicas e operacionais e a expansão para Lisboa, que marca uma nova fase do nosso crescimento.
Crescemos em dimensão, mas também em maturidade. Hoje, temos equipas mais especializadas, maior integração com as linhas de negócio do grupo e uma cultura muito própria, assente na colaboração, diversidade e inovação.
Como vê o mercado de trabalho português? É muito diferente das outras realidades que conhece?
Vejo como um mercado muito competitivo, particularmente nas áreas de tecnologia, dados, cibersegurança, risco e serviços financeiros. Comparando com outras realidades em que trabalhei, diria que Portugal combina algumas características muito interessantes: qualidade técnica, proximidade, espírito colaborativo e uma grande capacidade de adaptação e vontade de aprender e evoluir. Existe também uma relação muito positiva entre empresas, universidades, startups e comunidades tecnológicas, e uma abertura natural a contextos internacionais, que cria um ambiente favorável à inovação.
Com uma carreira internacional – e engenheiro de formação –, como viu o desafio de vir para Portugal?
O que mais me atraiu foi a oportunidade de liderar uma organização em crescimento, com relevância estratégica para um grande grupo bancário europeu e com forte potencial tecnológico. A minha formação em engenharia dá-me uma visão estruturada sobre sistemas, processos e transformação. Mas este desafio era também muito humano, desenvolver talento, preservar uma cultura forte e criar condições para que Portugal assumisse um papel cada vez mais relevante no grupo.
Já conhecia Portugal? Quais as primeiras impressões e o que mais o surpreendeu?
Sim, já conhecia. A minha primeira experiência no país foi nos anos 90, quando era ainda um jovem consultor e vim para Sesimbra, no âmbito de um projecto ligado ao sector bancário. Na altura não falava português, mas acabei por fazer uma formação intensiva na Berlitz e, durante o período em que estive em Portugal, entre 1995 e 1996, aprofundei o contacto com a língua e com a cultura portuguesa.
Tinha cerca de 27 anos e lembro-me de ficar muito marcado pela vitalidade, pelo pragmatismo e pela forma como as pessoas encaravam os desafios. Foi uma experiência profissional importante, mas também muito pessoal, porque me permitiu criar uma primeira ligação real a Portugal.
Leia a entrevista na íntegra na edição de Agosto (nº. 188) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.
















