
Entrevista a Joaquim de Almeida, Fnac Darty Portugal: A dar tudo, para dar o melhor às pessoas
Quando Joaquim de Almeida assumiu a liderança da Gestão de Pessoas na Fnac, a empresa estava já em forte crescimento e foi preciso dotar a área de capacidade de resposta aos desafios. O crescimento continua – com uma aquisição recente “pelo meio” – e, hoje, a Gestão de Pessoas é o pilar estratégico que o sustenta, preparando as equipas, mantendo-as motivadas e alinhadas, para que a Fnac Darty Portugal continue “a dar tudo, para dar-te o melhor”.
Por Ana Leonor Martins | Fotos Walter Vieira
Entrou na Fnac quando esta estava a dar os primeiros passos em Portugal, há quase três décadas (1999) e está à frente da direcção de Recursos Humanos há oito anos, o que faz com que Joaquim de Almeida tenha vivido “de dentro” a transformação da empresa, que recentemente adquiriu a Media Markt, agora Darty. A prioridade foi fazer com que os colaboradores se sentissem parte integrante deste novo projecto, abraçando os valores e o ADN da Fnac Darty. Com as pessoas no centro da estratégia de crescimento, os temas prioritárias vão da consolidação da cultura à forte aposta no desenvolvimento e capacitação das equipas, assegurando o seu bem-estar e promovendo a retenção de talento, a diversidade e a ética.
É director de Recursos Humanos da Fnac Portugal há oito anos. Como têm evoluído os desafios, em relação aos do início?
Quando iniciei essas funções, o principal objectivo era dotar a Gestão de Pessoas de capacidade de realização e de resposta aos desafios que tínhamos pela frente. O que mais nos “faltava” na altura dizia respeito às relações laborais, ao desenvolvimento e retenção de talento e à comunicação. A empresa encontrava-se em forte crescimento e pensava- se já num desenvolvimento assente na aquisição de outras empresas, o que se veio a verificar mais tarde. Por isso, a diferença em oito anos é enorme, quase diria que é a diferença entre “ter” ou “não ter”.
Estava na Fnac desde 1999, onde começou na área Comercial. Que empresa recorda dessa altura?
A Fnac estava a dar os primeiros passos em Portugal, havia somente duas lojas e estava tudo por fazer e criar, desde a estrutura até procedimentos, métodos de trabalho, tudo. Foram nove anos de grande criatividade e realizações, de forte desenvolvimento e consolidação no mercado. Depois passei para a direcção de Operações e, nove anos mais tarde, foi-me lançado o desafio de liderar os Recursos Humanos.
Na realidade, em 25 anos, tudo mudou: o País, a sociedade, o sector do Retalho e, obviamente, a própria empresa. Considero-me um privilegiado porque vivi e presenciei tudo isto. Realço a rapidez da evolução e da comunicação, a rapidez com que tudo se faz e decide, cada vez mais, principalmente no retalho, que é um dos sectores mais dinâmicos do mercado. E este aspecto também se reflectiu nas pessoas, na sua atitude, no seu compromisso e na sua responsabilidade. Depois, houve a COVID-19, e este fenómeno também alterou consideravelmente as relações laborais e o modo como trabalhamos, e até como nos relacionamos em sociedade.
No final do ano passado, a Fnac adquiriu a Media Markt, agora Darty. Qual a importância que a Gestão de Pessoas teve nesta decisão do negócio?
A decisão de adquirir a Media Markt e, posteriormente, transformá-la em Darty foi, desde o primeiro momento, profundamente estratégica e, nesse sentido, a Gestão de Pessoas desempenhou um papel absolutamente central. Sabíamos que para consolidarmos a nossa liderança – e para que a Darty concretizasse o seu ADN de confiança, proximidade e “serviço total” no mercado português –, teríamos de ter as pessoas certas, no lugar certo, e com o conhecimento adequado.
Não é por acaso que um dos nossos pilares de valor é precisamente a “confiança no know-how dos colaboradores”. A aposta neste modelo, que combina preço competitivo com um serviço de excelência e uma relação humana e descomplicada com o cliente, é impossível de concretizar sem um investimento robusto e contínuo nas equipas.
E trouxe alterações em termos de prioridade de actuação?
A prioridade na Gestão de Pessoas manifesta-se de diversas formas. Em primeiro lugar, através de um plano de criação de emprego ambicioso, prevendo 500 novos postos de trabalho até 2030. Depois, reforçámos o foco na formação, para que os nossos especialistas possam, de facto, traduzir a tecnologia em soluções práticas para o dia-a-dia dos clientes. Por fim, mas não menos importante, a própria cultura da Darty, assente na simplicidade e na proximidade, exigindo uma Gestão de Pessoas que coloque “as pessoas no centro”, como aliás preconiza a nossa estratégia global “Beyond Everyday” para 2030.
Acreditamos que só com equipas motivadas, bem formadas e alinhadas com os nossos valores conseguiremos cumprir a nossa promessa de “a dar tudo, para dar-te o melhor”.
Quais foram os principais desafios no processo de aquisição? Há sempre algum receio de reestruturações…
Qualquer processo de aquisição e rebranding desta dimensão acarreta, naturalmente, desafios. É inegável que, no início, possa haver alguma apreensão por parte dos colaboradores, o que é perfeitamente compreensível. Mas, desde o primeiro momento, a nossa abordagem tem sido de total transparência e foco no crescimento e na valorização das pessoas.
O principal desafio tem sido garantir que todos os colaboradores, tanto os que já faziam parte da Fnac como os que vieram da antiga Media Markt, se sintam parte integrante deste novo projecto e abracem os valores e o ADN da Fnac Darty. É crucial assegurar a transição dos conhecimentos, a adaptação às novas ferramentas e processos e, acima de tudo, a interiorização da nossa promessa de serviço.
A mensagem de criação de 500 novos postos de trabalho até 2030 e o investimento total superior a 30 milhões de euros para o plano de expansão, incluindo a abertura de 40 lojas, são um sinal inequívoco da aposta no mercado português e também nas nossas pessoas. Isto permite-nos mitigar qualquer receio de reestruturações, mostrando que estamos a crescer e a criar oportunidades, e não a cortar.
Leia a entrevista na íntegra edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.
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