Seis meses depois de assumir a liderança de Recursos Humanos, a aposta passa por desenvolver talento, acelerar a transformação e garantir impacto sustentável numa organização com oito décadas, referência europeia em tapeçaria de luxo, onde tradição e inovação caminham lado a lado.
Por Ana Leonor Martins
A celebrar 80 anos, e com a convicção de que «a tradição só se mantém viva quando evolui», a Ferreira de Sá, símbolo vivo da manufactura e do saber fazer português, tem a «obsessão com a inovação» como um dos seus valores. Com três unidades fabris localizadas em Espinho, equipas altamente especializadas e perfis muito distintos, em idade e funções, num total de cerca de 250 profissionais, a Gestão de Pessoas exige equilíbrio, coerência e transparência. Da aposta na formação e na liderança ao investimento em digitalização, automação e programas de reskilling e upskilling, a estratégia passa não só por atrair, fidelizar e capacitar talento, mas também por preservar e transmitir o conhecimento crítico e o legado que a distingue. O objectivo é claro: criar um ambiente onde as pessoas – todas – se sintam valorizadas, ouvidas, motivadas e com espaço para crescer, consolidando a Ferreira de Sá como um dos melhores lugares para trabalhar e mantendo-se referência em tapeçaria de luxo, «não como algo estático, mas como um património em movimento, que se respeita, se partilha e se projecta no futuro».
Um dos objectivos da contratação da Mafalda foi “posicionar os Recursos Humanos como pilar estratégico, capaz de gerar impacto real, tanto para as pessoas como para o negócio”. Foi o que a fez aceitar o desafio?
Sem dúvida. Aceitei o desafio porque acredito que os Recursos Humanos podem ir muito além de processos e rotinas. Têm o poder de transformar a experiência das pessoas e, consequentemente, o resultado no negócio. Para mim, fazer parte dessa mudança significa criar um ambiente onde as pessoas se sintam valorizadas e motivadas a dar o seu melhor, enquanto a empresa cresce de forma sustentável.
Que empresa encontrou?
Encontrei uma empresa cujos valores transmitem a sua essência e são o que nos move: o fazer com paixão, a obsessão pela inovação, a herança em movimento, o design como linguagem, o poder do talento e o respeito pelas pessoas e pelo mundo em que vivemos. E uma equipa fantástica, que “faz acontecer”.
Que acções definiu como prioritárias?
Estruturámos a nossa actuação em três grandes prioridades: talento, transformação e impacto. Acreditamos que é no equilíbrio entre elas que se constroem organizações sólidas, preparadas para crescer e para enfrentar os desafios do futuro. Em primeiro lugar, o talento. Confiamos no potencial das pessoas e queremos desenvolvê-lo, investindo na formação, no fortalecimento da liderança e numa cultura de excelência que permita a cada pessoa dar o seu melhor contributo. Em segundo, a transformação. O contexto de constante mudança exige agilidade
organizacional. A aposta na digitalização e na automação de processos permite-nos evoluir, ganhar eficiência e libertar espaço para aquilo que realmente faz a diferença: as pessoas e a inovação. Por fim, o impacto. Queremos que a nossa actuação tenha um propósito claro e gere valor duradouro para as nossas pessoas, para o negócio e para a sociedade. Isso implica agir com responsabilidade e com uma visão de futuro sustentável.
Nem sempre é fácil conciliar as expectativas das pessoas com as exigências do negócio. Em que temas isso é mais desafiante?
As pessoas procuram cada vez mais flexibilidade e bem-estar, enquanto as empresas precisam de garantir produtividade, qualidade e capacidade de resposta ao mercado.Outro tema relevante é o desenvolvimento de carreira. As pessoas desejam evoluir e assumir novos desafios, o que é legítimo e positivo, mas nem sempre as organizações conseguem acompanhar esse ritmo com a mesma rapidez. O papel dos Recursos Humanos passa muito por gerir essas expectativas com transparência e por criar oportunidades de desenvolvimento contínuo, tanto de competências como de carreira. Enquanto directora de Recursos Humanos, acredito que o segredo está no diálogo e na construção de uma cultura de confiança. Quando existe clareza quanto aos objectivos do negócio e, ao mesmo tempo, uma verdadeira preocupação com as pessoas, é possível encontrar soluções equilibradas que beneficiam ambas as partes.
Têm três unidades fabris, equipa de design, comercial, de suporte… Ou seja, têm perfis muito distintos. Como gerem essas diferenças, nomeadamente em termos de políticas de flexibilidade e bem-estar?
A Ferreira de Sá é, de facto, uma organização muito diversa, e essa diversidade exige uma gestão muito equilibrada das políticas de Pessoas. Queremos, acima de tudo, garantir equidade, ainda que nem todas as funções permitam exactamente o mesmo tipo de flexibilidade. Em contexto industrial, por exemplo, a presença física é indispensável, enquanto noutras áreas existe maior margem para modelos de trabalho mais flexíveis. O nosso foco está em criar condições que promovam o bem-estar e o equilíbrio das pessoas dentro da realidade de cada função, quer seja através da organização do trabalho, dos programas de benefícios, de iniciativas internas de saúde e bem-estar ou de oportunidades de desenvolvimento. Mais do que aplicar soluções standard, procuramos responder às necessidadesb das diferentes equipas, de forma justa e responsável.
Leia a entrevista na íntegra na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














