Rebeca Venâncio, Revolut: Pessoas + cultura = bons resultados

É esta a fórmula de sucesso da Revolut. Assim, procuram talento excepcional que possa ser amplificado numa empresa com uma cultura forte, marcada por um permanente estado de desafio. E a comunicação assume um papel fundamental no assegurar dessas duas variáveis.

 

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

Criada em 2015 por dois ex-banqueiros de investimento do Credit Suisse e do Deutsche Bank, hoje a Revolut está avaliada em 5,5 mil milhões de euros e conta com mais de 2200 colaboradores em todo o mundo. Em 2019, chegou a Portugal, e em 2021 são já mais de uma centena os colaboradores que trabalham com o foco na missão de simplificar a vida das pessoas. «Ambiciosos, inconformados, desafiadores e apaixonados por tecnologia», é, nas palavras de Rebeca Venâncio, directora de Comunicação da fintech, como se apresentam ao mercado. E o mercado parece reconhecer não só o produto, mas a marca de empregador. Prova disso é que têm na sua equipa desde médicos a engenheiros aeroespaciais e, para uma vaga, chegam a ter perto de 600 candidaturas.

Perante este crescimento, e num contexto particularmente desafiante, o principal desafio da Comunicação passa por incutir os valores e a missão da empresa à equipa, e promover a sua integração e elevados níveis de engagement.

 

Integrou a Revolut em Portugal. O que a fez “trocar” o desafio na Microsoft por este? O que mais a atraiu no projecto?
Quando surgiu o convite da Revolut, estava na Microsoft há quase três anos, durante os quais fui muito desafiada, aprendi imenso e tive oportunidade de trabalhar com óptimos profissionais. Mas senti, naquele momento, que poderia evoluir mais com um novo desafio. Continuaria ligada à área da tecnologia, mas interessava-me adquirir novas competências e seria totalmente novo trabalhar numa startup de grande escala. A Revolut já tinha milhões de clientes, mas estava ainda nos seus primeiros quatro anos de vida. Esta nova função permitia-me assumir a liderança da Comunicação no País, o que era também mais exigente.

 

O que lhe foi pedido e quais os principais desafios com que se deparou?
O meu papel era essencialmente educar e informar sobre a marca. Parte do trabalho passava por desconstruir algumas ideias preconcebidas em relação ao produto – que era útil exclusivamente em contexto de viagens, sobre o funcionamento das licenças de dinheiro electrónico, o tipo de protecção ou regulação que têm, etc. –, dar eco às inovações no produto ou dar a conhecer a estratégia da organização.

No final de 2018, a Revolut tinha pouco mais de 98 mil utilizadores em Portugal. Fechámos 2019 com quase 400 mil clientes, agora já ultrapassámos os 500 mil. Os números devem-se essencialmente ao valor intrínseco do produto e à inovação constante, mas o nosso desafio é criar este terreno fértil onde o produto possa prosperar.

 

Assumindo a liderança da Comunicação, o que definiu como prioridades?
Perceber qual era o compromisso da organização com o nosso país e com o talento nacional, de que forma os portugueses poderiam beneficiar do produto e como podíamos contribuir para o incremento da literacia financeira em Portugal. Depois, precisava também de aumentar o reconhecimento da marca.

 

A pandemia veio alterar a estratégia definida? Como adaptaram a forma de comunicar com os colaboradores, que estão 100% em teletrabalho há quase um ano?
Houve, naturalmente, uma preocupação ainda maior com o bem-estar dos colaboradores. Num primeiro momento, passou pela monitorização permanente dos dados relevantes de cada país, em alinhamento com as autoridades globais e locais de Saúde para que pudéssemos agir em conformidade. Esses dados eram enviados numa base diária aos colaboradores através de um bot no Slack, uma das ferramentas que usamos. Depois passou por garantir que as necessidades dos colaboradores estavam supridas do ponto de vista de material ergonómico. Foi feito um self-assessment e a Revolut enviou equipamento para casa dos colaboradores. Mais tarde, e à medida que o confinamento começou a tornar-se a norma, sentimos necessidade de criar canais próprios por geografia, com desafios frequentes, actividades que criassem engagement, assim como a realização de encontros virtuais entre os colaboradores.

Criámos também um programa voluntário de Mental Health First Aiders, com o objectivo de ser uma linha de contacto para colaboradores que pudessem estar a sofrer com o impacto da situação na sua saúde mental.

 

A equipa não voltou a reunir-se, fisicamente, desde Março? Principalmente numa equipa tão jovem como a vossa, como é possível manter a cultura organizacional?
As decisões foram adaptadas à realidade de cada país e às exigências das autoridades de Saúde. Em Portugal, em Setembro de 2020, considerámos que havia condições para reabrir o escritório de Matosinhos, mas dado que os colaboradores tinham manifestado interesse em continuar no regime híbrido, mantivemos a opção de trabalhar a partir de casa.

Naturalmente sentem falta do ambiente do escritório e dos colegas, mas procuramos colmatar isso da forma possível, com actividades e encontros virtuais frequentes.

 

O que define a cultura Revolut?
O sucesso na Revolut vem de duas coisas: as pessoas e a cultura organizacional. Procuramos talento excepcional que possa ser amplificado numa empresa com uma cultura forte, e acreditamos que isso traz bons resultados.

Os cinco pilares que definem a nossa cultura organizacional são: Dream Team, Never Settle, Get It Done, Think Deeper, Deliver Wow. Passam por acreditarmos no trabalho em equipa em prol de um objectivo comum, com uma inconformidade permanente, assente em assertividade e execução, com marcado pensamento estratégico, de forma a produzir algo que maravilhe o cliente.

 

O que acredita que vos distingue enquanto local de trabalho e como se apresentam ao mercado?
Mantemos o espírito de startup apesar de estarmos avaliados em 5,5 mil milhões de euros e termos mais de 2200 colaboradores em todo o mundo. Estamos sempre em permanente mudança, em permanente estado de desafio. As equipas são os grandes agentes dessa mudança e sabem isso.

Apresentamo-nos como somos: ambiciosos, inconformados, desafiadores, apaixonados por tecnologia que possa simplificar a vida das pessoas, eliminando barreiras.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição de Março (nº.123) da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, está disponível em versão papelversão digital.

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