Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho
Actualmente, são já 164 lojas em Portugal e mais de 2800 colaboradores, repartidos entre lojas, centros de distribuição e escritórios. Só no ano passado, a Aldi Portugal criou 180 postos de trabalho. E até final de 2026 deverão acrescentar mais uma centena de profissionais à equipa. Com o crescimento e, pela natureza do negócio, maior dispersão geográfica, aumenta o desafio da transmissão e vivência da cultura, assente em três valores: simplicidade, responsabilidade e fiabilidade. Para este desiderato, é essencial o papel dos líderes, que têm sido capacitados para «sustentar uma liderança positiva».
Esta visão demonstra que a Aldi cresceu não só em tamanho, mas em maturidade da Gestão de Pessoas. Se quando Vera Martinho integrou a retalhista, em 2010, os Recursos Humanos estavam sobretudo centrados na gestão operacional de vagas, e quando, em 2019, assumiu a direcção de People & Culture, continuava uma área essencialmente administrativa e de suporte, hoje são parceiros estratégicos do negócio. E «curadores da experiência do colaborador», com uma «proposta de valor enquanto marca empregadora assente na estabilidade, em condições competitivas e em oportunidades reais de desenvolvimento».
A Aldi tem feito um grande investimento em Portugal, com a abertura de várias lojas. Como é que isso se tem traduzido ao nível de contratações?
O crescimento sustentado da Aldi em Portugal tem sido acompanhado por um reforço contínuo das equipas, traduzindo-se num aumento significativo das nossas contratações nos últimos anos. Em 2025, criámos cerca de 180 novos postos de trabalho, resultado não apenas da abertura de novas lojas, mas também do reforço das estruturas já existentes.
E em 2026?
Desde Janeiro, já apostámos no reforço das equipas de loja no Algarve para o período do Verão e, recentemente, lançámos uma nova campanha de recrutamento para aumentar a equipa de logística do Centro de Distribuição da Moita. Até ao final do ano, prevemos manter o ritmo de expansão com a abertura de novas lojas, o que nos levará a reforçar a nossa estrutura com a contratação de mais de 100 novos colaboradores.
Quais têm sido os principais desafios desse rápido crescimento?
A nossa dispersão geográfica apresenta alguns desafios, tais como a transmissão e vivência da cultura. A área de People & Culture tem um papel fundamental neste tema. Apostamos na proximidade, empatia e sentimento de pertença, enquanto factores fundamentais da nossa cultura. E, para isso, trabalhamos em conjunto com os líderes das diferentes equipas para que os nossos valores sejam vividos por todos os colaboradores, seja numa loja, nos centros de distribuição ou na nossa sede.
Têm privilegiado o recrutamento local. É um desafio acrescido ou têm conseguido dar resposta às vossas necessidades?
A proximidade às comunidades onde estamos presentes é um princípio central da nossa actuação, uma vez que nos permite criar uma ligação mais forte. Esta abordagem traduz-se no contributo directo para a dinamização da economia local.
Antes de inaugurarmos uma nova loja, trabalhamos em articulação com os centros de emprego locais e autarquias. Através da participação em feiras de emprego e open days, damos a conhecer as oportunidades que temos nas regiões e identificamos possíveis candidatos.
Que perfis têm maior dificuldade em encontrar? E que resposta têm encontrado?
No actual contexto do mercado de trabalho, mais do que experiência numa função específica, valorizamos a atitude, vontade de aprender, capacidade de adaptação e de trabalhar de forma simples e eficiente. Quando encontramos estes perfis, a nossa prioridade é valorizá-los.
É também por isso que apostamos na formação de líderes internamente, dando oportunidades de crescimento a quem já faz parte da equipa. Cerca de 30% das nossas chefias de loja são fruto de progressões de carreira internas, o que nos permite contar com líderes que conhecem bem o negócio, a operação e a nossa cultura.
A rotatividade é um tema para vocês? É mais desafiante atrair ou fidelizar pessoas?
A rotatividade é um desafio intrínseco ao sector do retalho. Mais do que olhar para esta questão apenas do ponto de vista da atracção ou da fidelização, trabalhamos ambas de forma integrada. É aqui que o employer branding tem um papel crucial, ao transmitir de forma clara a nossa proposta de valor enquanto marca empregadora, assente na estabilidade, em condições competitivas e em oportunidades reais de desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, investimos na experiência dos colaboradores. Nas lojas e nos centros de distribuição, esta aposta traduz-se também em medidas concretas, como prémios de produtividade.
Leia a entrevista na íntegra na edição de Maio (nº. 185) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














