Entrevista: «O retalho tem uma exigência adicional neste cenário de crise», afirma a head of Talent da Sonae MC

«O retalho tem uma exigência adicional neste cenário de crise provocada pela COVID-19. Por um lado, garantir o normal funcionamento da sua operação, sobretudo no pico inicial de procura de bens e serviços e, por outro lado, gerir a diversidade de situações e funções que temos numa empresa com a dimensão da nossa, com 33 mil colaboradores» afirma Sofia Castro, head of Talent & Employer Brand da Sonae MC. Leia a entrevista à Human Resources.

 

Quando e quais as medidas prioritárias adoptadas nas vossas empresas? Como foi traçado o plano de contingência?
Desde o final de Janeiro que criámos uma equipa de gestão de crise e começámos a delinear um plano de contingência, à semelhança de outras crises anteriores que já vivemos como a Gripe A, em 2009. Uma equipa de projecto que se estendeu a vários eixos de actuação da empresa com o objectivo de nos prepararmos para os vários estádios de crise decorrente da propagação da COVID-19.

Este plano de contingência tem como prioridade garantir a segurança de to- dos, colaboradores e clientes, desencadeando as acções necessárias para assegurar o normal funcionamento dos nossos serviços que, hoje, são ainda mais críticos para assegurar o bem-estar dos portugueses. Temos vindo a seguir atentamente as recomendações das autoridades de saúde e actuado em conformidade com as mesmas.

 

O que foi mais difícil gerir? Assegurar os meios para empresa continuar a funcionar com a normalidade possível ou gerir a ansiedade criada nas pessoas?
O retalho tem uma exigência adicional neste cenário de crise provocada pela COVID-19. Por um lado, garantir o normal funcionamento da sua operação, sobretudo no pico inicial de procura de bens e serviços e, por outro lado, gerir a diversidade de situações e funções que temos numa empresa com a dimensão da nossa, com 33 mil colaboradores.

Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia do novo coronavírus, verificou-se uma afluência às lojas acima dos níveis habituais, a que tivemos de rapidamente dar resposta. A gestão de stocks é um desafio clássico do retalho: ter disponível o produto e quantidade que satisfaça os clientes, que se torna mais complexo num contexto de crescente volatilidade e incerteza. O conhecimento que temos dos nossos clientes e a experiência acumulada de retalho, foram uma forte vantagem da Sonae MC para fazer face a esta crise.

Sendo o distanciamento social uma das práticas preconizadas para evitar as cadeias de transmissão do vírus, entendemos adoptar medidas que minimizassem a concentração de pessoas. Assim temos todos os nossos colaboradores, cujas funções são passíveis de ser exercidas à distância, a trabalhar em home office.

Para os colaboradores cujas funções não permitem o trabalho remoto, a empresa reforçou as medidas de higiene e segurança. Implementámos distâncias de segurança devidamente assinaladas entre colaboradores e clientes, instalámos barreiras acrílicas de protecção nas zonas de pagamento e nos balcões de informação e o reforçámos a limpeza e higienização das áreas sociais, dos postos de trabalho e de toda a cadeia de distribuição e abastecimento.

A manutenção dos horários de funcionamento das lojas permite evitar filas e a concentração de pessoas, sendo que esta está limitada à presença de quatro clientes por cada 100 m2 de loja. Foi disponibilizado gel desinfectante aos nossos colaboradores, bem como luvas. Estas foram acompanhadas de um conjunto de instruções, alinhadas com a informação proveniente da Direcção-Geral da Saúde (DGS), para que cumpram o seu propósito de protecção de colaboradores, garantindo a sua correcta utilização e evitando a falsa sensação de segurança que a sua má utilização pode transmitir. Em simultâneo, estamos a avaliar um conjunto de medidas adicionais que podem ser accionadas a qualquer momento, conforme o evoluir da  doença.

 

Inadvertidamente, acabou por se criar a maior experiência de trabalho remoto de sempre no mundo. Acha que, quando tudo passar, alguns hábitos vão mudar?
Em 2019, lançámos o programa Flex it Up, uma das iniciativas implementa- das no âmbito do Improving Our Life, tendo por propósito possibilitar o acesso a formatos de trabalho flexível que interagem de forma complementar e permitem que os colaboradores integrem os vários momentos das suas vidas profissional e pessoal.

O programa Flex it Up destina-se aos colaboradores cujas funções são compatíveis com os requisitos de cada uma das iniciativas, sendo uma delas o trabalho remoto, dando a possibilidade aos colaboradores de trabalhar fora do escritório. Assim, os nossos colaboradores já estavam familiarizados com este conceito e dispúnhamos de ferramentas e processos que agilizaram a implementação das medidas do plano de contingência como o home office.

Após este período de forte experimentação do home office, temos a convicção de que irá mudar a forma de trabalhar das empresas, acelerando uma evolução que já estava em curso. Os colaboradores irão criar novos hábitos de trabalho e estabelecer rotinas decorrentes do trabalho à distância, o que vai ampliar a sua valorização, mas também torná-lo mais produtivo.

As empresas que ainda não iniciaram este caminho terão de o fazer e todas terão de readaptar as suas práticas a uma realidade em que o home office está muito mais disseminado entre os seus colaboradores. Esta flexibilidade contribui para uma melhor integração entre a vida pessoal e profissional, o que aumenta o bem-estar e felicidade dos colaboradores dentro e fora do trabalho, repercutindo-se na sua motivação e performance.

Esta entrevista faz parte do tema de capa da edição de Abril da Human Resources, nas bancas.

Ler Mais