Envelhecimento populacional exige resposta estrutural do Estado, alerta António José Seguro

O envelhecimento acelerado da população portuguesa pressiona os sectores da saúde e da segurança social, criando uma situação crítica que exige políticas estruturais e estáveis. O Presidente da República destaca que a solidariedade da sociedade civil não pode substituir a responsabilidade do Estado.

Human Resources com Lusa
5 de Junho 2026 | 18:40

O envelhecimento demográfico em Portugal representa uma “bomba-relógio” que pressiona fortemente os sistemas de saúde e segurança social, alertou António José Seguro durante a abertura do 15.º Congresso Nacional das Misericórdias, em Braga.

Seguro destacou que, apesar do importante contributo das misericórdias para suprir as lacunas existentes, cabe ao Estado garantir em primeiro lugar as respostas necessárias para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional. «A solidariedade da sociedade civil não pode nunca substituir a responsabilidade primeira do Estado português», afirmou.

Como exemplo, apontou a resposta ao internamento social nos hospitais, que, segundo ele, só tem sido possível graças às camas disponibilizadas pelas misericórdias, situação que não pode ser considerada o “novo normal”.

O Presidente da República defendeu a implementação de políticas estruturais que ultrapassem ciclos eleitorais, garantindo estabilidade política e convergência entre as forças políticas para enfrentar o problema que se agravará antes de melhorar.

«Os problemas mais relevantes exigem planeamento que atravesse várias legislaturas», sublinhou, destacando que o envelhecimento populacional é um desafio que requer respostas de longo prazo.

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Segundo dados da OCDE mencionados por Seguro, Portugal é o terceiro país da União Europeia com menos camas para idosos em lares. No sector privado, o custo de uma cama é duas vezes e meia o valor médio de uma reforma, com mensalidades que têm aumentado entre 200 e 250 euros ao ano, tornando o acesso difícil para muitas famílias.

Além disso, 70% das unidades de residências seniores estão totalmente ocupadas e apresentam listas de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses.

O país enfrenta um significativo envelhecimento populacional, sendo um dos mais envelhecidos da Europa. Projecções indicam que, em 2050, Portugal será o quarto país do mundo com maior proporção de população acima dos 65 anos, o que aumentará a pressão sobre os sistemas de saúde e segurança social.

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Seguro afirmou que o “tsunami social” decorrente dessas mudanças demográficas não pode ser enfrentado com improvisação, mas sim com uma evolução coordenada envolvendo o Estado, as misericórdias, as famílias e a sociedade em geral.

O Presidente comprometeu-se a actuar como uma voz que amplifica as causas das instituições sociais e lembra ao Estado suas obrigações, reforçando a necessidade de uma resposta estruturada e urgente para o envelhecimento da população portuguesa.

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