ERSE vai monitorizar consumos das empresas, que terão de devolver apoios em caso de inconformidade

Human Resources com Lusa
17 de Janeiro 2023 | 18:40

As indústrias que irão beneficiar do desconto no preço do gás, bem como os comercializadores, poderão ter de devolver o apoio, caso se verifiquem «desvios entre o consumo reportado e o consumo real», com a ERSE a monitorizar esta iniciativa.

Num documento publicado, em que explica como vai funcionar este desconto, que chega às faturas das empresas em Fevereiro, a ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos disse que «tanto os clientes como os comercializadores ficam obrigados à devolução dos montantes que tenham sido indevidamente obtidos, designadamente quando se verifiquem desvios entre o consumo reportado e o consumo real, ou sejam detectadas inconformidades em outros dados que impactem no valor do apoio obtido».

De acordo com o mesmo documento, «os comercializadores e os seus gestores são responsáveis pelas informações fornecidas e pelos fluxos financeiros gerados no âmbito da aplicação do presente decreto-lei, sendo responsáveis por quaisquer inexatidões ou incorreções nessas declarações».

Além disso, adiantou o regulador, «os comercializadores com clientes abrangidos por este regime de apoio enviam à ERSE, até 30 de Junho de 2024, um relatório de auditoria elaborado por uma entidade independente que certifique o cálculo e aplicação dos descontos, bem como os montantes deduzidos às faturações dos clientes e os recebidos do GTG [Gestor Técnico Global do Sistema Nacional de Gás]».

«No mesmo prazo, o GTG envia à ERSE relatório de auditoria que certifique as transferências realizadas», indicou a entidade, destacando que o regulador «pode ainda emitir orientações vinculativas sobre os termos dos relatórios previstos, bem como proceder oficiosamente a acções de supervisão e controlo e emitir instruções e diretivas, tendo em vista a correcta aplicação do presente decreto-lei».

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O apoio aos consumidores industriais de gás natural será feito através dos comercializadores e aplicado a partir de Janeiro, com reflexo na factura de Fevereiro, explicou à Lusa o ministro do Ambiente e da Acção Climática, Duarte Cordeiro, no dia 9 de Dezembro.

A medida, criada para mitigar o impacto do aumento dos preços da energia, foi aprovada no Conselho de Ministros em Outubro, estando previsto um orçamento de 1.000 milhões de euros a aplicar este ano.

Segundo o ministro do Ambiente, o apoio tem como objectivo «reduzir a tarifa do gás para consumidores com consumos superiores a 10.000 metros cúbicos, ou seja, aqueles que estão fora da tarifa regulada do gás».

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Este apoio começa a ser operacionalizado em Janeiro e «será feito através dos comercializadores num desconto da factura do mês seguinte», disse Duarte Cordeiro.

Porém, acrescentou o ministro, «quando o preço está abaixo do mercado do gás, abaixo dos 30 euros megawatt-hora, não haverá nenhum tipo de redução, porque corresponde a um preço que identificámos como sendo o preço aproximado do período antes da guerra [da Ucrânia]».

Já quando o preço for superior a 30 euros megawatt hora (MWh) «haverá um apoio que terá até um máximo de 40 euros MWh», indicou.

Este apoio será aplicável a 80% da média do consumo de cada cliente, «no âmbito do cumprimento das metas de redução do consumo de gás», de acordo com o que foi anunciado pelo Governo.

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