Cadeia de restaurantes está a apostar em planos de carreira. E os resultados já se fazem sentir

A escassez de profissionais continua a pressionar a restauração portuguesa. Apesar de o sector ter atingido um número recorde de trabalhadores no primeiro trimestre de 2026, as dificuldades de recrutamento mantêm-se, levando algumas empresas a reforçar o investimento na retenção de talento através da formação, da progressão na carreira e do desenvolvimento de lideranças.

Human Resources
2 de Setembro 2026 | 14:40
Cadeia de restaurantes está a apostar em planos de carreira. E os resultados já se fazem sentir

Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados pelo Turismo de Portugal através da plataforma TravelBI, as actividades de alojamento e restauração empregaram 344,1 mil pessoas no primeiro trimestre deste ano, o valor mais elevado de sempre para um primeiro trimestre. O crescimento do emprego, contudo, não eliminou o problema da escassez de profissionais. O estudo Global Talent Shortage Survey 2026, do ManpowerGroup, coloca a hotelaria e restauração entre os setores portugueses com maior escassez de talento e conclui que 84% dos empregadores enfrentam dificuldades em recrutar profissionais com as competências necessárias.

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Na rede de restaurantes Braza, esta realidade levou a empresa a reforçar a aposta na gestão de pessoas, através de planos de carreira, formação contínua, desenvolvimento de lideranças e processos de integração mais estruturados.

Actualmente com mais de 150 colaboradores, a cadeia realizou, nos últimos dois anos, 91 promoções internas, envolvendo 52 profissionais. No último ano, cada colaborador recebeu mais de 60 horas de formação, entre componentes teóricas e práticas.

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José Luiz Penha, sócio-fundador e COO da cadeia de restauração, acredita que a mudança resulta da evolução do próprio mercado de trabalho. «Durante muitos anos, a prioridade foi preencher vagas. Hoje percebemos que o verdadeiro desafio é criar condições para que os colaboradores queiram construir uma carreira connosco. A estabilidade das equipas tem impacto direto na qualidade do serviço e na sustentabilidade do negócio», avalia.

Os resultados começam também a reflectir-se na retenção. Segundo dados internos da empresa, o turnover registou uma redução de 7,29 pontos percentuais, equivalente a uma queda relativa de 11,3%.

A dimensão do problema não é recente. A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) chegou a estimar, em 2024, um défice de cerca de 40 mil trabalhadores na hotelaria e restauração no país. Mais recentemente, um inquérito da associação mostrou que 45% das empresas de restauração continuam a afirmar não ter trabalhadores suficientes para garantir a melhor qualidade do serviço. As maiores dificuldades de recrutamento concentram-se nas funções de empregado de mesa e balcão (76%) e de cozinha (64%).

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Na prática, a estratégia do Braza passa por criar percursos de crescimento profissional e preparar as chefias para desenvolver equipas, numa actividade onde a experiência do cliente depende, em grande medida, das pessoas que estão no terreno. Um dos exemplos é Anthony Avila, que começou como empregado de mesa no primeiro restaurante da cadeia e hoje é gestor de operações. O percurso ilustra a aposta da empresa em preencher posições de maior responsabilidade também a partir das equipas já existentes.

Para Luiz Felipe Costa, CEO e cofundador do Braza, investir na formação e na progressão das equipas é também uma forma de preparar a empresa para crescer. «Não conseguimos pensar em abrir novos restaurantes sem pensar primeiro nas pessoas que vão assumir essas operações. Para nós, crescer também significa criar oportunidades para que quem já está connosco possa assumir novas responsabilidades e avançar profissionalmente», afirma.

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