Escassez de talento – A nova guerra na gestão de pessoas

Por Valter Ferreira – Data Scientist, Marketeer, Economista do território, Inovador e Especialista em cidades humanas e inteligente

 

Será que estamos preparados para a nova guerra que se aproxima? E não estou a falar de confrontos geopolíticos que ao momento é bastante latente, mas, ao invés, falo do desafio que se vai apoderar de nós nos próximos anos: a guerra pelos escassos talentos disponíveis no mercado laboral.

A natureza de certas áreas vai mudar exponencialmente e desafiar a oferta existente de competências. Ao mesmo tempo, as empresas ainda a lidar com os baby boomers vão descobrir que a geração que a vai substituir está subdesenvolvida. Ao enfrentar falta de talento, os profissionais de recursos humanos vão descobrir que as competências e recursos de que necessitam, não existem ou são impagáveis.

Já é um lugar comum utilizar a pandemia da Covid-19 para justificar avanços ou recuos em determinadas áreas, no entanto é um facto indesmentível que a mesma causou uma revolução na adopção de tecnologias de informação em empresas de todos os sectores, basicamente décadas de tentativas de adopção e de transformação digital aconteceram em menos de dois anos.

Agora, as grandes empresas, aquelas com maior orçamento, estão a aumentar salários e a pagar mais aos trabalhadores. Querendo isto dizer, e olhando a todo o panorama económico actual, que as empresas batalham contra a inflação e contra uma competitividade que extravasa fronteiras. Tudo isto torna a atracção de talento quase uma miragem para as pequenas e médias empresas.

A falta de capital humano especializado não é um problema de hoje. Já há algumas décadas que a questão tem vindo a ser amplamente discutida, no entanto a Covid-19 exacerbou o fosso de competências e o outro lado do trabalho, e, ao que parece, ainda não se encontrou a luz ao fundo do túnel.

Estudos da consultora Korn Ferry sobre o futuro do trabalho apontam para que, em 2030, possamos estar em mão com um défice de 85,2 milhões de trabalhadores, ou seja, superior à população da Alemanha. Esta escassez global de trabalhadores pode resultar em mais de 8,452 biliões de euros (já convertido do trillion americano) de receita anual não realizada, o equivalente ao PIB conjunto da Alemanha e do Japão.

Assim, os custos de não investir no capital humano são bastantes altos, afectando inclusive a própria performance dos governos na sua captação de impostos.

Importa assim que as empresas comecem por investir na:

  • Requalificação dos trabalhadores;
  • Repensar/transformar o modelo de formação actual para áreas mais tecnológicas;
  • Aposta cada vez maior no trabalho freelancer (ver o meu artigo sobre uberização do trabalho: https://hrportugal.sapo.pt/a-uberizacao-do-trabalho/);
  • Ter um papel activo na definição das políticas nacionais de imigração.

As empresas vão necessitar de criar modelos que permitam a retenção e ao mesmo tempo que permitam pagar os investimentos necessários. Claro que nada disto é imediato, contudo, todos conhecemos o tempo entre o plantar e o colher. As empresas devem agir agora de forma a terem estratégia para atrair e/ou manter talentos.

Um dos passos imediatos a ser dado é as empresas tornarem-se criativas nos benefícios que oferecem, como por exemplo na flexibilidade do teletrabalho ou no equilíbrio vida pessoal – vida profissional.

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