Está a contratar jovens? Estas 11 competências são críticas ao sucesso nas funções de entrada. Certifique-se de que os candidatos as têm

Margarida Lopes
6 de Maio 2025 | 14:00

O estudo “Talento Jovem em Portugal”, desenvolvido pela SHL Portugal em parceria com o GRACE e o Uni.Network, identificou as competências que mais contribuem para o sucesso em funções destinadas a jovens. Foram identificadas 11 competências críticas, preditoras de sucesso em qualquer função de entrada, bem como dois indicadores de potencial: o nível de readiness para o mercado de trabalho e o potencial cognitivo.

 

São elas:

1. Usar o tempo de forma eficiente: Gerir o tempo e entregar o trabalho dentro do prazo.

2. Aprender rapidamente: Recolher e assimilar novas informações com facilidade. Esta competência integra resultados do teste de raciocínio.

Continue a ler após a publicidade

3. Manter boas relações de trabalho: Desenvolver boas relações com os outros.

4. Assumir a responsabilidade: Aceitar a responsabilidade pelos resultados do trabalho e assumir a responsabilidade quando as coisas correm mal.

5. Adaptar-se à mudança: Aceitar e adaptar-se à mudança sem dificuldade.

Continue a ler após a publicidade

6. Gerar novas ideias: Criar abordagens inovadoras.

7. Promover a coesão da equipa: Estimular e manter a coesão da equipa.

8. Analisar informação: Identificar favtores-chave e integrar informação para entender dados ou situações. Esta competência integra resultados do teste de raciocínio.

9. Trabalhar com altos padrões de qualidade: Concluir todas as tarefas com um alto nível de qualidade.

10. Lidar com contratempos e críticas: Ser positivo quando enfrenta dificuldades e não se deixar atrasar por eventos negativos.

Continue a ler após a publicidade

11. Esforçar-se por alcançar objectivos: Definir metas exigentes e esforçar-se para cumpri-las ou excedê-las.

 

O estudo revela que os jovens demonstram uma forte predisposição para a responsabilidade, adaptabilidade e relações interpessoais. No entanto, enfrentam desafios significativos ao nível da análise de informação, gestão do tempo e aprendizagem autónoma.

A competência mais bem classificada entre os jovens em Portugal foi «Assumir a responsabilidade», o que revela uma predisposição positiva, frequentemente associada a maturidade e ética profissional  para aceitar consequências e responder pelos resultados do próprio trabalho.

Na presente amostra, a idade está relacionada com esta competência: os jovens entre os 25 e os 29 anos revelam níveis significativamente mais elevados de responsabilização do que os grupos etários mais novos, sugerindo que a responsabilização pode desenvolver-se de forma gradual ao longo do tempo, com diferenças mais evidentes a partir dos 25 anos.

O estudo indica que a «adaptação à mudança» também se destaca como uma das principais forças dos jovens em Portugal, refletindo uma geração que cresceu num ambiente caracterizado por rápidas transformações tecnológicas, sociais e económicas. Esta competência revela-se essencial num mundo do trabalho cada vez mais imprevisível e acelerado.

Os dados mostram que a capacidade de adaptação à mudança aumenta com a idade, sendo os jovens dos 25 aos 29 anos os que mais se destacam nesta competência, em comparação com os mais novos.

«Manter boas relações de trabalho» ocupa o terceiro lugar entre as competências mais desenvolvidas. Este resultado reforça a presença de um capital relacional sólido nesta geração, revelando facilidade na construção de relações profissionais positivas, na comunicação com pares e na integração em equipas.

Por outro lado, «analisar a informação» surge como a competência mais fragilizada entre os jovens em Portugal. Esta competência refere-se à capacidade de identificar factores-chave, integrar dados e interpretar informação de forma lógica – actividades fundamentais num mercado de  trabalho onde a tomada de decisão baseada em evidência é cada vez mais exigente.

Os resultados mostram um nível de readiness tendencialmente positivo, com a maioria dos jovens a situar-se nos níveis médio-superiores da escala (cerca de 60%). Estes dados sugerem que existe uma boa base de preparação comportamental, especialmente no que respeita à adaptação, responsabilidade e competências relacionais. No entanto, ainda há margem para reforçar este nível de prontidão, sobretudo considerando que apenas cerca de 8% atinge níveis muito elevados.

Já relativamente ao potencial cognitivo, os jovens apresentam um desempenho funcional, com cerca de 60% da amostra situado nos níveis médios e cerca de 32% em níveis baixos. Isto revela um perfil cognitivo médio, mas que beneficia de maior desenvolvimento para responder aos desafios mais complexos do mercado. A agilidade cognitiva será um dos principais diferenciadores para o futuro do trabalho, e este indicador deve ser interpretado como um sinal de alerta para reforçar competências de raciocínio, abstracção e aprendizagem autónoma. As mulheres destacam-se, em média, com maior readiness e potencial cognitivo.

De forma geral, o perfil de competências dos jovens portugueses revela um bom ponto de partida em várias dimensões comportamentais. Contudo, o estudo também evidencia fragilidades em áreas críticas para o futuro do trabalho, associadas à resolução de problemas. Estas competências são precisamente algumas das mais valorizadas pelo World Economic Forum como prioritárias até 2030.

Entre os jovens avaliados, 65,7% manifestam intenção de trabalhar em Portugal e 34,3% preferem trabalhar no estrangeiro. A maioria das competências não apresentou diferenças significativas entre quem quer ficar e quem quer sair. Isso significa que, em termos de preparação geral e potencial, os dois grupos são semelhantes.

No entanto, surgem diferenças relevantes nas competências relacionais. Os jovens que pretendem permanecer em Portugal têm, em média, resultados mais elevados em Mantém Boas Relações de Trabalho, e tendem também a pontuar mais em Fomenta a Coesão da Equipa
Estes dados sugerem que quem quer ficar valoriza mais os vínculos interpessoais, a estabilidade e a colaboração e pode sentir-se mais integrado no contexto profissional nacional.

Já os jovens que pretendem sair apresentam, em média, níveis ligeiramente mais baixos nestas competências, o que pode reflectir uma menor percepção de pertença ou uma maior orientação individual.

A amostra do estudo incluiu 610 jovens em Portugal, com o objectivo de avaliar as competências consideradas críticas para o sucesso no início de carreira.

Partilhar


Mais Notícias