Está a meio da sua carreira? Especialistas da Harvard Business Review alertam para as seis perguntas que deve fazer a si próprio

Ao atingir determinada idade, que muitas vezes coincide com o meio da carreira, é normal fazer uma retrospectiva do caminho percorrido e o que está por vir. Perceber que alguns sonhos podem não acontecer nem sempre é fácil. Mas, este período também oferece uma oportunidade de crescimento, de reavaliar prioridades e traçar um caminho alinhado com objectivos para o futuro.

Human Resources
7 de Abril 2026 | 10:40

A primeira metade da vida é uma questão de “acumular”, diz Chip Conley, fundador da Modern Elder Academy e autor de “Learning to Love Midlife: 12 Reasons Why Life Gets Better with Age”. «Fazer isto, experimentar aquilo, acumular amigos, filhos, currículos e bens para a casa. A segunda metade é destinada à edição. É quando discernimos o que é realmente importante para nós», explica.

Os especialistas partilham com a Harvard Business Review seis perguntas a fazer quando chegar o momento de fazer o balanço da sua carreira:

1. O que vou me arrepender de não ter feito ou aprendido daqui a 10 anos?
O arrependimento pode ter uma conotação negativa, mas é também um professor poderoso, diz Conley. «A vantagem de envelhecer é que se tem visão periférica e se pode vislumbrar o futuro. Entendemos as consequências das nossas acções» e recomenda aproveitar o poder do “arrependimento antecipado”, que envolve imaginar a desilusão que poderemos sentir no futuro se não tomarmos certas medidas hoje. Essa previsão pode ajudar a tomar decisões que o “futuro eu” apreciará, acrescenta.

Estudos sugerem que manter a curiosidade, aprender novas competências e abraçar novas experiências estão correlacionados com uma vida mais longa e feliz. Portanto, pense no que gostaria de aprender, experiências que gostava de experimentar e lugares que gostaria de ir agora, antes que seja tarde demais. O objectivo, garante Conley é «tomar decisões voltadas para a realização a longo prazo, e não para a gratificação imediata».

 

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2. Como atingir o meu propósito?
No início de carreira, são várias as influências de factores externos, a pressão dos pais, as normas sociais ou noções específicas de sucesso. Isso pode levar a escolhas profissionais que priorizam as expectativas dos outros em detrimento dos nossos próprios desejos e interesses. Mais tarde, os sacrifícios pelos cônjuges e filhos podem eclipsar as ambições pessoais ainda mais.

Joyce defende que, ao atingirmos o ponto médio na vida, é hora de mudar de uma carreira moldada por forças externas e agendas de terceiros para uma carreira impulsionada pelo que desejamos e consideramos significativo. «É uma oportunidade de nos libertarmos do “sim, está bem” e nos focarmos nos nossos sonhos.»

Determinar o que constitui uma carreira pessoalmente significativa exige autorreflexão, diz Conley. «O que o entusiasma? O que o deixa curiosos? De que actividades gostava inicialmente e que deixou de fazer? As respostas vão ajudar a identificar possíveis pontos-chave na carreira, seja na mudança para um sector adjacente ou na transição para algo totalmente diferente.

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3. Que dom ou capacidade desenvolvi que posso dar ao mundo?
Na meia-idade, há um manancial de experiências, aprendizagens e também algumas marcas conquistadas com muito esforço ao longo do caminho. Reflicta sobre as competências e conhecimento adquiridos e veja como pode usá-los para causar um impacto positivo noutras pessoas, aconselha Conley.

E recomenda um exercício. Peça alguém para lhe perguntar “O que faz na vida?” cinco vezes seguidas. Em cada uma ira refinando a sua resposta. «O resultado muitas vezes produz uma epifania», diz Conley. O objectivo é obter uma compreensão mais clara dos seus pontos fortes e como podem ser aplicados de maneira significativa e consistente com o seu propósito pessoal.

 

4. Como quero passar os meus dias?
Muitos coaches e mentores de carreira pedem para visualizar o futuro em cinco ou dez anos ou definir sucesso. São dicas valiosas, mas Joyce sugere contemplar o futuro a um nível micro e pensar nos detalhes das rotinas diárias.

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Em vez de se focar em grandes objectivos de longo prazo, Joyce recomenda imaginar um dia típico no futuro ideal. Pense em como gostaria de gastar o tempo, com quem gostaria de interagir e o que gostaria de fazer fora do trabalho. Este treino mental permite obter clareza sobre a vida que deseja criar e alinhar os objectivos com os aspectos práticos do dia-a-dia.

 

5. Que cedências estou disposto a fazer (ou não)?
Questionar certas escolhas na vida é natural, mas não devemos esquecer que as escolhas que fizemos faziam sentido para as necessidades e prioridades daquele momento, afirma Joyce. Com o avançar da idade e da experiência, podem ter mudado, os filhos já saíram de casa e as distracções ou responsabilidades domésticas mudaram, por exemplo. Também pode não estar mais disposto a fazer os sacrifícios que fazia antes e quer que a sua vida pessoal esteja em primeiro lugar.

A chave é considerar cuidadosamente os seus valores e prioridades e tomar decisões conscientes sobre os compromissos que está disposto a assumir. «Não existem respostas certas ou erradas, mas deve ser intencional», explica.

 

6. O que está a melhorar na minha vida?
Falhas de memória, dores musculares, menos energia – são vários os desafios associados ao avançar da vida. Em vez de olhar para o copo vazio, Conley sugere mudar a mentalidade para apreciar as vantagens do envelhecimento: a sabedoria adquirida, as experiências e o crescimento pessoal alcançado. Essa mudança de perspectiva pode trazer benefícios reais e tangíveis para o bem-estar e longevidade. Um estudo mostrou que as pessoas com autopercepções positivas do envelhecimento viviam em média 7,5 anos mais do que aquelas com uma perspectiva negativa.

O preconceito de idade existe na sociedade e nos locais de trabalho como, mas também é importante cada um enfrentar o seu próprio preconceito de idade. «Se tiver uma postura de curiosidade, envolvimento e entusiasmo, as pessoas vão reparar na sua energia e não nas suas rugas», garante Conley.

A meia-idade traz consigo uma série de transições e desafios. De acordo com Conley, o objectivo é aproveitar a sabedoria e as experiências adquiridas ao longo do caminho e «seleccionar conscientemente a próxima fase da vida».

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