A tendência, designada por “job dropping”, descreve a decisão de trocar posições consideradas mais exigentes por funções menos stressantes, ainda que isso possa significar menor remuneração ou menor prestígio profissional.
Segundo a The EveryGirl, esta mudança resulta sobretudo da procura de uma vida mais equilibrada, da redução da pressão profissional e de uma maior valorização do bem-estar pessoal.
Reavaliar o significado de sucesso
Para muitas profissionais, a pandemia e as profundas transformações ocorridas no mundo do trabalho levaram a uma reflexão sobre prioridades.
Em vez de continuarem a perseguir promoções e posições hierárquicas mais elevadas, algumas trabalhadoras estão a redefinir o conceito de sucesso, colocando a felicidade, a flexibilidade e a saúde mental acima dos tradicionais indicadores de carreira.
Esta mudança não significa necessariamente uma falta de ambição. Pelo contrário, representa uma escolha consciente sobre a forma como querem gerir o seu tempo, energia e qualidade de vida.
O peso crescente do desgaste profissional
O fenómeno surge também num contexto em que o burnout continua a ser uma preocupação significativa para trabalhadores e empregadores.
Funções com níveis elevados de responsabilidade, longas jornadas de trabalho e uma pressão constante para atingir resultados podem gerar desgaste físico e emocional, levando alguns profissionais a reconsiderar o caminho que desejam seguir.
Para quem adere ao “job dropping”, o objectivo não é abandonar a carreira, mas encontrar uma relação mais sustentável com o trabalho.
Uma tendência particularmente visível entre mulheres
Este movimento tem sido particularmente observado entre mulheres, muitas vezes devido à acumulação de responsabilidades profissionais e pessoais.
A gestão simultânea de carreira, família, cuidados a terceiros e vida pessoal pode levar algumas profissionais a procurarem funções que lhes permitam recuperar tempo, energia e disponibilidade para outras áreas da sua vida.
Neste contexto, a decisão de aceitar uma posição menos exigente é vista não como um retrocesso, mas como uma estratégia deliberada para alcançar maior satisfação global.
Desafios para as empresas
O crescimento do “job dropping” lança vários desafios às organizações. Por um lado, evidencia que os modelos tradicionais de progressão de carreira podem já não corresponder às expectativas de todos os profissionais. Por outro, reforça a necessidade de criar ambientes de trabalho que permitam conciliar desempenho e bem-estar.
Esta realidade pode traduzir-se numa maior atenção a factores como:
- Flexibilidade laboral;
- Gestão equilibrada da carga de trabalho;
- Programas de bem-estar;
- Desenvolvimento de carreiras não lineares;
- Modelos de liderança mais sustentáveis.
Uma mudança cultural em curso
A tendência do “job dropping” reflecte uma transformação mais ampla na relação dos profissionais com o trabalho.
Se durante muitos anos a ascensão hierárquica era vista como o principal objectivo de carreira, hoje cresce o número de pessoas que privilegia aspectos como saúde mental, autonomia, tempo livre e qualidade de vida.
Para as empresas, compreender esta mudança será fundamental para atrair, motivar e reter talento num mercado de trabalho cada vez mais orientado para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

















