Conseguir responder à pergunta “como vai ser o meu trabalho daqui a um ou dois anos?” é como acertar no Euromilhões… Por muito que se tente, é praticamente impossível. A consultora global EY está a tentar ajudar os colaboradores a responder a esta questão, reporta o Business Insider.
A empresa desenvolveu um programa de formação, conhecido como AI Now 2.0, que funciona como um “parceiro estratégico” para ajudar os seus colaboradores a prever como as suas funções irão evoluir como consequência da IA, disse Simon Brown, Global Learning and Development leader da EY, em entrevista ao Business Insider.
Os colaboradores respondem a uma série de perguntas sobre o seu trabalho, responsabilidades diárias e resultados gerais, e depois enviam as respostas para o EYQ, a ferramenta interna da empresa semelhante a um assistente tipo ChatGPT.
O EYQ gera uma análise de como a função actual do colaborador pode mudar devido ao impacto da IA e ajuda-o a identificar as competências, o conhecimento e as capacidades de que poderá necessitar no futuro.
A ferramenta não tenta prever com certeza qual será o papel de um profissional de contabilidade ou de consultoria daqui a cinco anos, explicou Brown. «É difícil prever onde estarão muitos destes cargos no futuro, por isso não estamos a contar com a IA para isso.»
Em vez disso, o objectivo é ajudar os colaboradores da EY a identificar como podem utilizar melhor a IA nos seus trabalhos actuais e a compreender o que esperar da sua trajectória futura na EY e quais as competências de que necessitarão para ter sucesso, sublinhou Brown.
A EY lançou o AI Now 2.0 em Janeiro deste ano e a utilização do programa é voluntária, mas cerca de metade dos 406.000 colaboradores globais já o utilizaram, e todos os novos contratados fazem a formação como parte do processo de onboarding.
Desenvolver uma formação para toda a empresa que também pudesse ser personalizada para cada indivíduo foi fundamental, salientou Brown. «Ajuda a mostrar e a dar vida, de uma forma totalmente relevante, como a IA os pode ajudar.»
A IA já está a assumir tarefas quotidianas anteriormente realizadas pelos colaboradores, remodelando as competências mais valorizadas pelos empregadores e tornando a transformação da força de trabalho uma prioridade para os departamentos de Recursos Humanos.
O upskilling em IA é um imperativo empresarial ainda maior para os líderes de consultoria — que actuam como consultores das principais empresas do mundo e precisam de demonstrar aos clientes que as suas próprias equipas incorporam com sucesso a expertise em IA que promovem.
«Todos sabemos que 40% das nossas competências actuais serão diferentes daqui a cinco anos. As competências técnicas precisam de ser melhoradas, mas é preciso ter o mindset adequado para isso», afirmou Imgard Naudin ten Cate, Global leader of Talent Acquisition da EY.
«Vamos certamente ver muito mais competências e erosão de competências. Portanto, garantir que esta transição é possível é crucial», garantiu.
A PwC, outra consultora global, desenvolveu um programa para formar os colaboradores em gestão de risco e liderança na era da IA. O programa inclui «conteúdos online apelativos, formação, hackathons e competições ao estilo de programas de jogos».
Na KPMG, Niale Cleobury, Global AI Workforce lead, partilhou com o Business Insider que a empresa enfrentou o desafio da transformação da força de trabalho desenvolvendo uma ferramenta de IA que divide as funções por tarefas, pensa em casos de utilização de IA e analisa a capacidade de poupança de custos.
«Podemos introduzir todas as funções em toda a organização e, em poucos minutos, obter todas estas informações em termos de diferenças de competências», disse Cleobury.














