Portugal é um dos países da Europa com números mais preocupantes de burnout ocupacional, de acordo com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Entre outras consequências, esta situação leva muitas vezes a um relaxamento na aplicação das medidas de segurança digital, criando brechas nos sistemas informáticos das empresas.
O problema não é novo, mas tem-se agravado com a explosão da inteligência artificial e o aumento das tentativas de penetração nas redes das empresas. Como refere o Centro Nacional de Cibersegurança no relatório de 2024 “Cibersegurança em Portugal”, esta situação — conhecida como “fadiga da privacidade” — “é negativa para a proteção contra ameaças com um maior pendor técnico, como o ransomware e, em parte, o comprometimento de contas”.
O que é, afinal, a fadiga da privacidade?
Esta expressão designa um fenómeno psicológico em que as pessoas se mostram esgotadas com os requisitos de segurança digital, a ponto de se tornarem menos propensas a seguir protocolos importantes. Embora este tipo de fadiga seja frequentemente discutido entre profissionais de cibersegurança — muitos dos quais relatam níveis elevados de burnout —, a verdade é que afeta todos os níveis de uma organização. Desde colaboradores administrativos até gestores de equipa, todos estão sujeitos ao cansaço provocado por sistemas que exigem vigilância constante.
Este desgaste tem implicações concretas. À medida que o cansaço se instala, muitos funcionários começam a ignorar atualizações, repetir senhas, evitar formações ou contornar sistemas. Em vez de agirem como um elo forte na segurança da empresa, tornam-se, involuntariamente, o elo mais fraco.
O impacto da fadiga da privacidade não é apenas individual, afetando a cultura de segurança de toda a organização. Os erros humanos continuam a ser uma das principais causas dos incidentes de cibersegurança e, quando os colaboradores estão saturados de avisos, sistemas intrusivos e linguagens técnicas, é natural que comecem a alhear-se. A literatura sobre este tema distingue dois tipos principais de fadiga:
Mais do que uma falha técnica, trata-se de um problema de cultura. As organizações que não reconhecem este fenómeno correm o risco de ver a segurança tratada como uma obrigação trabalhosa, em vez de um valor partilhado. Além disso, a desconfiança gerada por ferramentas mal explicadas, especialmente aquelas que monitorizam a atividade do trabalhador, pode criar um ambiente de tensão e resistência.
O papel estratégico dos Recursos Humanos
Os profissionais de RH estão numa posição privilegiada para atuar como ponte entre a segurança da empresa e o bem-estar dos colaboradores. Em vez de insistirem em mais regras e ferramentas, a resposta passa por simplificar, humanizar e envolver. Para reduzir a fadiga da privacidade, a lista de boas práticas deve incluir:
As soluções técnicas podem ajudar
Em vez de sobrecarregar, as empresas devem investir em soluções intuitivas, numa comunicação clara e numa cultura onde todos compreendem o seu papel na proteção da informação. Mas as equipas de TI também podem ajudar, implementando mecanismos de proteção automática que reduzam a possibilidade de ataques ou a sua eficácia, se vierem a acontecer.
Uma das soluções mais práticas é o uso de uma rede virtual privada, também conhecida como VPN. Mas o que é uma VPN? No fundo, trata-se de um canal seguro entre o dispositivo do utilizador e a internet, que protege os dados mesmo em redes públicas. A sua utilização é especialmente relevante em contextos de teletrabalho ou deslocações frequentes, uma vez que permite aos colaboradores acederem à rede da empresa com o mesmo nível de segurança de um escritório.
Proteger a informação não tem de ser sinónimo de stresse. Pelo contrário, quando as organizações adotam uma abordagem empática, integrando a segurança de forma equilibrada e transparente, aumentam o compromisso dos colaboradores e reduzem significativamente os riscos.














