Falar mal de alguém de alto nível publicamente, como Elon Musk fez recentemente no X, apelidando o projecto de lei do presidente Trump “uma abominação repugnante”, não fará sentido para a maioria das pessoas. Mas os especialistas em carreira afirmam que existem outras formas mais práticas de dar feedback negativo a um superior, avança o Business Insider.
«Ninguém recomenda o uso das redes sociais para criticar o seu chefe», alerta a psicóloga organizacional Alison Fragale. «Embora possa receber críticas positivas, também traz consigo riscos negativos.»
Falar alto não é, geralmente, a melhor estratégia
Como um dos homens mais ricos do mundo, Musk detém um poder e um estatuto especiais, e ser franco faz parte da sua marca pessoal.
Para o resto dos “comuns mortais”, adoptar uma abordagem offline e confidencial para expressar descontentamento é, muitas vezes, a melhor opção, uma vez que evita denegrir o destinatário e gerar reacções negativas, afirma Jeffrey Sonnenfeld, professor de Gestão na Universidade de Yale. Esta é uma lição que muitos CEO de grandes empresas têm utilizado nas últimas semanas para se oporem aos aumentos significativos das tarifas do presidente dos EUA. «Conseguiram, através de acções colectivas privadas, fazer com que considerasse melhor o tema. Apresentaram os factos. Não tentaram humilhá-lo publicamente.»
Quando e como levantar preocupações
No local de trabalho, os gurus de carreira aconselham frequentemente as pessoas a manifestarem-se apenas sobre preocupações que afectam vários colaboradores ou a empresa como um todo. As reclamações pessoais são melhor tratadas através de um gestor directo, do departamento de Recursos Humanos ou da linha de reclamações do empregador.
«Nem toda a verdade tem de ser dita em voz alta», realça Alison Fragale. Uma voz colectiva cria legitimidade, e por isso recomenda reunir aliados e ter pelo menos um ao seu lado quando estiver pronto para se manifestar.
Avalie se é a melhor pessoa para levantar a questão a alguém no topo da hierarquia empresarial se não tem estatuto ou não conquistou o respeito dessa pessoa. «Terceirizei quase todos os aspectos da educação dos meus filhos, não porque não saiba nadar ou andar de bicicleta, mas porque eles não me ouvem», conta Alison Fragale.
Entretanto, lembre-se de que pode não ter todos os factos sobre o motivo pelo qual um superior tomou uma decisão com a qual discorda, acrescenta Bill George, membro executivo da Harvard Business School. É possível que a sua crítica seja injustificada, por isso recomenda que seja baseada no que sabe. «Por vezes, os CEO têm de tomar decisões por motivos que não são aparentes. É preciso entender todo o contexto.»
Só fale com um superior quando tiver algo significativo a destacar, aconselha Candice Pokk, consultora sénior da Segal. «É preciso estar à altura da posição deles.»
Alguns líderes empresariais dizem que são receptivos a feedback negativo, desde que seja transmitido com respeito. Quando Bill George era CEO da Medtronic, um gestor disse-lhe em privado que tinha ferido os sentimentos de vários colaboradores durante uma reunião de grupo. Embora tenha mantido a essência dos seus comentários, pediu desculpa pela forma como os transmitiu e disse que o feedback o fez pensar de forma diferente sobre o seu estilo de comunicação. «Fez-me reflectir sobre isso», recorda.
Para partilhar feedback negativo, comece com algo positivo e autêntico sobre a pessoa antes de passar à crítica, e seja breve, sugere Candice Pokk. «Os executivos querem informações concisas e fáceis de entender.»
Fazer críticas a alguém numa posição mais poderosa pode ser stressante, independentemente de quão preparado e confiante esteja. «Os portadores de más notícias temem muitas vezes que o mensageiro seja “trucidado”», observa Jeffrey Sonnenfeld. No entanto, ser franco pode valer a pena. «Se estiver certo, talvez possa salvar vidas ou salvar uma empresa.»














