Esta empresa implementou um horário de trabalho de cinco horas diárias. 10 anos depois, comprova que trabalhar menos é mais (a todos os níveis)

Human Resources
31 de Julho 2025 | 12:20

Em vez de exigir mais dos colaboradores em plena crise, esta empresa californiana reduziu o horário laboral para cinco horas diárias. O resultado? Mais produtividade, menos burnout e um crescimento de 150% na receita anual, revela a Inc.

Em 2016, a Blue Street Capital, empresa de financiamento de equipamentos com sede na Califórnia, co-fundada por Dave Rhoads, estava a sair de uma crise terrível. Para evitar despedimentos, os colaboradores tiveram um corte salarial de 20% e alguns saíram para a concorrência.

Rhoads acusou a pressão e recorda que estava em burnout, mas em vez de pressionar a equipa de 17 colaboradores para trabalhar mais, ele e o sócio decidiram seguir o caminho oposto. Instituíram um horário de trabalho de cinco horas para os colaboradores, mantendo a remuneração estável.

Como começou

Quase 10 anos depois, a política de cinco horas de trabalho continua firme e forte, e Rhoads atribui o aumento da receita por colaborador em quase 50%.

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A ideia surgiu de artigo que leu sobre uma empresa de pranchas de surf que tinha adoptado um dia de trabalho de cinco horas. Apesar de a equipa de liderança não ter achado boa ideia, Rhoads acreditava que esse era o caminho.

Ao analisar a cultura do escritório com atenção, viu grande desperdício de tempo, com reuniões ineficientes, conversas de corredor, almoços prolongados e, talvez o mais problemático para Rhoads, muitas interrupções que quebravam a concentração das pessoas.

«Para começar, nem sequer trabalhamos cinco horas», pensou. É uma intuição apoiada por dados substanciais. Estudos repetidos mostram que grande parte da maioria dos dias úteis é desperdiçada exactamente com esse tipo de distracções.

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Com estes factos, os sócios de Rhoads compreenderam o seu ponto de vista e decidiram testar um dia de trabalho de cinco horas nesse Verão.

Os desafios

Os colaboradores adoraram a ideia e, inicialmente, dedicaram-se a provar que podia funcionar como uma política a longo prazo.

«As chamadas dispararam, a actividade, o desempenho, a eficiência, tudo. E pensámos: ‘Uau, isto é óptimo’», recorda Rhoads. «Três ou quatro meses depois, os hábitos normais de trabalho voltaram.» Lembra-se inclusivamente de uma vez ter encontrado um colaborador a limpar o seu aquário na casa de banho do escritório às 9h30 da manhã.

Eram necessárias mudanças culturais mais profundas e duradouras para que a política sobrevivesse a longo prazo. Mas Rhoads estava a gostar dos seus dias de trabalho mais curtos e ainda acreditava na política, por isso começou a fazer ajustes.

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Alguns colaboradores que não tinham a mentalidade certa para o horário reduzido foram dispensados.

A liderança investiu em tecnologia para ajudar a equipa a ser mais eficiente e enfatizou a importância do foco e da gestão de tempo para que tudo funcionasse. Para um dia de trabalho de cinco horas ser bem-sucedido, são necessários lembretes constantes e exemplos de comportamentos da gestão de topo.

A liderança passou também a compreender a necessidade de flexibilidade. A equipa de vendas continua a responder às solicitações dos clientes a qualquer hora. O horário de trabalho de cinco horas oferece estrutura, mas os colaboradores têm autonomia para trabalhar como bem entenderem.

Mudar o paradigma

Embora o dia de trabalho de 8 horas possa ter sido ideal para os trabalhadores da Ford que montavam o Modelo T, é altamente inadequado para a maioria dos trabalhos intelectuais modernos. A neurociência e a observação de profissionais de alto desempenho sugerem que o cérebro tem apenas quatro a cinco horas por dia de pensamento focado e criatividade. Proteger e explorar estas horas ao máximo faz mais sentido do que permitir que as distracções as prolonguem por mais de 40 horas semanais.

E foi exactamente isso que a equipa da Blue Street Capital aprendeu a fazer e continua a fazer até hoje. Em quase 10 anos, a receita anual cresceu 150%. Recrutar e reter colaboradores, apesar da concorrência, é muito mais fácil. «O tempo é o maior benefício que podemos dar a alguém», diz Rhoads. «Além disso, não é tributado pelo Governo.»

A política abriu também outras portas para outros talentos. «Alguns dos nossos melhores colaboradores são mães para quem este ambiente funcionou e que conseguiram regressar ao mercado de trabalho graças ao nosso horário de trabalho», relata.

Mas os maiores benefícios para Rhoads não foram mais tempo livre com os filhos e menos burnout. Foi ver as oportunidades que isso abriu para a sua equipa. «Temos as métricas, o negócio cresceu nos últimos 10 anos, mas como se mede quantos jogos uma mãe ou um pai conseguiu ver? Como se mede a felicidade de alguém? Como se mede se essa pessoa está saudável?», questiona.

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