Em Fevereiro de 2024, Lee Joong-keun, bilionário de 84 anos fundador da Booyoung Co. em Seul, uma das maiores empresas de construção da Coreia do Sul anunciou aos seus colaboradores que a empresa iria oferecer 100 milhões de wons (mais de 60 mil euros) por cada bebé nascido de uma colaboradora. E, acrescentou que a oferta se aplicava retroactivamente aos últimos três anos.
A taxa de fertilidade da Coreia do Sul é de apenas 0,75 nascimentos por mulher, a mais baixa do planeta, prevendo-se que a população diminua quase um terço até 2072 se o ritmo actual se mantiver.
As implicações são graves na força de trabalho, na receita fiscal e na sociedade. Para inverter essa situação, o governo investiu elevadas quantias, desde as ajudas financeiras para bebés até habitação subsidiada e créditos fiscais, mas o sucesso foi limitado. Agora, as empresas, temendo um futuro sem trabalhadores (e ansiosas por atrair talento ao mesmo tempo), seguiram o exemplo.
A Booyoung foi a primeira e afirma que o impacto foi imediato, revela a Bloomberg. O investimento, cerca do dobro do rendimento per capita anual da Coreia do Sul, ajudou a incentivar 28 trabalhadoras a terem filhos no ano passado, cerca de cinco a mais do que o habitual.
A nova política também ajudou na cultura empresarial. Na Coreia do Sul, as longas jornadas de trabalho e uma cultura de escritório competitiva e paternalista há muito que desencorajam a paternidade. Os colaboradores passaram a incentivar-se uns aos outros a “casar, arranjar o dinheiro e comprar uma casa”.
Outras grandes empresas foram atrás. A Krafton Inc., empresa de desenvolvimento de videojogos, começou a distribuir 36 mil euros no nascimento e mais 25 mil em prestações até a criança completar 8 anos. A Korea Aerospace Industries Ltd., fabricante de aviões, oferece cerca de 6 mil euros por cada filho — e 18 mil euros no terceiro.
O Hanwha Group, que abrange sectores que vão do aeroespacial ao financeiro, pagou quase 700 mil euros — mais de 6 mil euros por bebé em 14 afiliadas. Em Julho, a empresa realizou um inquérito aos colaboradores apoiados e 86% disse que a política os incentivou a considerar ter mais filhos e 96% que os ajudou a equilibrar o trabalho e a vida familiar.
Outras, como a Doosan Energy, a Posco, a SBW e a Kumho Petrochemical, aderiram à iniciativa com valores variados, mas com o mesmo objectivo: pagar aos trabalhadores para terem filhos é mais barato a longo prazo do que gerir um negócio num país sem qualquer bebé.
Com as empresas e o governo a enfrentar o problema, há sinais iniciais de sucesso. Pela primeira vez em quase uma década, a taxa de natalidade aumentou no ano passado e, de Janeiro a Maio deste ano, aumentou quase 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os casamentos também aumentaram.
Para apoiar a sua crescente força de trabalho parental, a Krafton, fabricante de videojogos, também adicionou benefícios como serviços de babysitting de emergência, vagas temporárias para cobrir licenças de maternidade e protecção contra penalizações de carreira por faltas. Na creche interna da empresa em Seul, duas dezenas de crianças brincam, enquanto uma equipa de 15 professores toma conta delas por turnos até às 21h30, caso o trabalho mantenha os pais até tarde.
As políticas pró-crianças estão também a ajudar a empresa a recrutar e reter talentos. Na Booyoung, dos cerca de 100 colaboradores que receberam o bónus, nenhum saiu.
E os 58 colaboradores da Krafton, que receberam os apoios desde que foram implementados no início deste ano, todos permanecem na empresa. «A qualidade dos currículos que estamos a receber dos candidatos está a melhorar, e também vêm dos nossos concorrentes», diz Choi Jae-keun, chefe de operações gerais da Krafton.














