Com a crescente democratização da Inteligência Artificial (IA), as estratégias de transformação digital e automação estão a assumir um papel central nas agendas dos líderes empresariais. Assim, para promover uma transformação digital centrada nas pessoas, responder às necessidades do mercado e aos desafios actuais, a Experis identifica três estratégias fundamentais para as empresas.
São elas:
1. Reduzir o desfasamento no optimismo de líderes e trabalhadores em relação à IA
Dados da Experis revelam que, tanto em Portugal como a nível global, a maioria dos profissionais (65%) acredita que a inteligência artificial terá um impacto positivo no futuro do trabalho. No entanto, o grau de optimismo varia consoante o nível hierárquico. Em Portugal, são as lideranças sénior e intermédias que demonstram maior confiança (70%), enquanto os trabalhadores da linha da frente revelam maior cautela, com apenas 53% a partilharem este optimismo. Dados da Accenture confirmam esta percepção, ao revelarem que muitos profissionais expressam falta de confiança nas organizações para garantir que os benefícios da tecnologia serão distribuídos de forma justa.
Para garantir uma adopção bem-sucedida da inteligência artificial, é essencial que as organizações envolvam as suas equipas no processo, promovendo uma cultura de inovação e aprendizagem contínua. Isto implica não só capacitar os colaboradores, mas também integrá-los activamente na transformação, ouvindo os seus contributos e preocupações. Só se os profissionais se sentirem valorizados e preparados para experimentar estas novas tecnologias, é que a sua percepção poderá evoluir e passem a encarar a IA como um recurso que aumenta as suas capacidades, e não como uma ameaça.
2. Apostar no planeamento estratégico de talento
Para poderem assegurar o êxito das suas iniciativas de transformação, é fundamental que as organizações coloquem as pessoas no centro da concepção e implementação dos sistemas de IA. Neste âmbito, e à medida que a tecnologia altera continuamente as competências e funções exigidas pelas organizações, o planeamento de talento torna-se cada vez mais relevante.
Para isso, as organizações devem redefinir e redesenhar as funções com base nas capacidades da sua força de trabalho atual, analisando eventuais desvios de competências e identificando aquelas que será necessário desenvolver ou contratar. Partindo dessa análise, devem, em seguida, investir em programas robustos de upskilling e reskilling que lhes permitam capacitar as suas equipas e dotá-las das competências e da confiança para avançar nesta transformação.
Finalmente é igualmente importante que haja uma preocupação em assegurar que as novas tecnologias a adoptar se integram de forma fluída com o stack tecnológico existente, evitando confusões operacionais e quebras de produtividade, bem como garantir que todas as ferramentas e processos implementados cumprem os requisitos legais e éticos ao nível da recolha e gestão de dados de IA.
3. Utilizar o poder da IA para acelerar a capacitação das equipas
A inteligência artificial pode igualmente desempenhar um papel estratégico no sucesso das iniciativas de capacitação dos trabalhadores. Dados da McKinsey revelam que as empresas podem potenciar o uso de IA para identificar desvios de competências, priorizar áreas de desenvolvimento e orientar decisões de formação e mobilidade interna.
Do mesmo modo, a IA permite às organizações criar percursos formativos personalizados e adaptados às necessidades individuais dos colaboradores, tornando a aprendizagem mais eficaz e motivadora, bem como reforçar a mobilidade interna, ajudando a mapear trajectórias de carreira e sugerindo oportunidades alinhadas com as competências complementares dos trabalhadores.
A transformação digital, impulsionada pelo acesso massificado a ferramentas de IA, está a redefinir o panorama empresarial global. Neste contexto, as organizações que conseguirem equilibrar o progresso tecnológico com uma estratégia de talento centrada nas pessoas irão destacar-se pela sua capacidade de adaptação e também pelo compromisso e lealdade dos seus colaboradores, tirando o melhor proveito dos benefícios da automação e inovação tecnológica. O desenvolvimento de competências técnicas e humanas e a valorização dos profissionais são, por este motivo, os pilares de uma transformação digital bem-sucedida.














