Está preocupado com a saúde mental dos seus colaboradores? Isto pode ajudar

Margarida Lopes
2 de Setembro 2021 | 10:30

Um grupo de ambientalistas está a testar, em Portugal, um modelo de promoção de saúde mental assente em retiros ecológicos. A comunidade, integrada no movimento “Primal Gathering”, promove, em específico, actividades que combinam mindfulness e desenvolvimento pessoal – sessões de relaxamento ou workshops de auto-aceitação radical, por exemplo – com acções de reflorestação e de restauração de ecossistemas.

 

Desde 2018, a comunidade já reuniu mais de quatro mil pessoas num total de 48 retiros que, além de promoverem o bem-estar emocional, valorizam recursos da terra. Entre as acções mais significativas, incluem-se, por exemplo, a restauração de uma floresta em Odemira ou a plantação de 800 árvores de fruto e vegetais em dois canteiros elevados, em Sintra.

O próximo retiro do grupo vai decorrer entre os dias 12 e 14 de Novembro, em Monchique, no Algarve, e vai envolver a plantação de mil árvores (recorde-se que Monchique foi muito afectada pelos incêndios no mês de Julho, sendo que, já em 2018, foram queimados mais de 27 mil hectares de floresta devido a fogos florestais na região). A expectativa do grupo é que, durante os próximos cinco anos, sejam plantadas 10 mil árvores em diferentes zonas do país.

A fundadora do projecto “Primal Gathering”, Nicole Bosky, assume agora promover os retiros junto de empresas de diversos sectores, através de sessões de team building com foco em actividades de capacitação psicológica e na plantação de árvores. O objectivo, muito particularmente, passa por trabalhar com um mínimo de 10 empresas anualmente – em parceria com a Reflorestar Portugal – e conseguir plantar, em cada sessão, 500 árvores, para atingir a meta de cinco mil plantações por ano.

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Numa empresa com 50 colaboradores, «até conseguimos mais. Se cada trabalhador plantar 20 árvores num retiro, chegamos ao fim da ação com mil plantações. O mundo empresarial beneficiaria com a introdução destas práticas e atividades como forma de criar laços entre as equipas de trabalho e de manter os colaboradores motivados, saudáveis, confiantes e felizes», explica a fundadora.

De acordo com Bosky, «a transformação do mundo só é possível quando mudamos comportamentos individuais. Por isso, criamos um contexto em que as pessoas aprendem e se empoderam umas às outras com um verdadeiro sentido de comunidade. A dedicação à sustentabilidade é consequência da valorização da nossa saúde mental e bem-estar emocional. Quanto mais as pessoas estão atentas ao seu próprio bem-estar emocional e físico, mais conscientes se tornam do ambiente ao seu redor e se sentem chamadas a fazer a sua parte. Queremos que as pessoas sejam autossustentáveis externamente, com o mundo, e, em simultâneo, internamente, com as próprias emoções », explica.

O programa está a ser actualmente implementado em Portugal, mas Nicole quer replicar este modelo de regeneração emocional e ambiental no resto do mundo, a começar no Reino Unido, em parceria com a rede Rebuild, já no próximo ano, e em Nova Iorque, em 2023. A fundadora tenciona ainda tornar o projecto “Primal Gathering” numa plataforma de pedagogia para cidadãos e empresas. Para tal, a par das sessões de team building, Nicole quer apostar na criação de guias práticos de apoio à adoção de práticas sustentáveis em casa e no trabalho, bem como em cursos online.

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Estas sessões criativas de capacitação psicológica são promovidas numa altura em que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 300 milhões de pessoas de todas as idades sofrem de depressão. Os negócios também sentem os efeitos da doença mental, com várias empresas a reportarem custos elevados relacionados com stress e burnout entre colaboradores. Já em 2020, a Ordem dos Psicólogos Portugueses alertava para esta realidade. No Relatório do Custo do Stress e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal, aquele organismo profissional revelava que a doença mental pode custar 3,2 mil milhões de euros por ano aos negócios nacionais.

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