Está revoltado com o sistema “Volta”? Não é o único. E há um país na Europa que já desistiu de o implementar

A petição pelo fim do sistema “Volta”, de depósito e reembolso de embalagens, que aguarda no parlamento “deliberação sobre a sua admissibilidade”, já conta com mais de 46 mil assinaturas, segundo informação no site Petição Pública. Além disso França desistiu de implementar um sistema semelhante ao Volta.

Human Resources
20 de Setembro 2026 | 14:00
Está revoltado com o sistema “Volta”? Não é o único. E há um país na Europa que já desistiu de o implementar

Tendo dado entrada no parlamento a 15 de Agosto, a petição, exigindo ao Governo, à Assembleia da República e à Agência Portuguesa do Ambiente “a suspensão imediata do sistema de depósito e reembolso “Volta” e a sua substituição por um modelo transparente, justo e verdadeiramente ambiental”, baixou quatro dias depois à Comissão de Ambiente e Energia, indica a página online da AR.

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Quando deu entrada na assembleia, a petição de cidadãos contava com 34.211 assinaturas, sendo que são necessárias 7.500 para que um requerimento possa ser discutido em plenário.

Um mês depois, mais quase 12 mil pessoas assinaram a queixa, que considera que o sistema “transfere custos das empresas para os consumidores”, que é ainda “responsabilizado por falhas que não controla”.

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Assinala ainda que existe “falta de transparência sobre quem lucra com o sistema” e que este “não cumpre o objetivo ambiental anunciado”.

Um sistema ambiental deve, segundo os signatários, “reduzir resíduos, aumentar a reciclagem, promover responsabilidade dos produtores, ser acessível e justo para todos”, mas, acrescenta a petição “o sistema “Volta” falha em todos estes pontos, criando barreiras, custos e injustiças que descredibilizam a política ambiental e prejudicam a confiança dos cidadãos”.

O sistema, que entrou em funcionamento em Abril, permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no acto da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros, mediante a sua devolução nos pontos ‘Volta’ existentes em Portugal continental, Açores e Madeira.

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Além da “suspensão imediata do sistema “Volta” nos moldes actuais”, a petição exige uma “auditoria independente ao modelo financeiro, operacional e ambiental da SDR Portugal”, associação que “reúne mais de duas dezenas de empresas da indústria e do retalho de bebidas” que “asseguram a gestão do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR)”, indica a associação no seu ‘site’.

A petição pública “Pelo Fim do Sistema “Volta” e pela Criação de um Modelo Justo de Gestão de Embalagens”, que tem como primeiro signatário João Pontes, “não está associada a qualquer Organização ou Partido Politico”, sendo um requerimento “de cidadãos para cidadãos”, refere o texto.

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A ministra do Ambiente admitiu no passado dia 1 problemas na implementação do Sistema Volta, nomeadamente devido à deposição de embalagens na via pública, assegurando que as situações identificadas estão a ser analisadas e resolvidas caso a caso.

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«O Sistema Volta […] é um sistema europeu que vai ser obrigatório em todos os países europeus e nós fomos o 18.º país a implementar esse sistema. Em todos eles, no início, houve perturbações, portanto é um sistema que é complexo, mas é muito útil para reutilizar as garrafas de plástico e tudo o que é latas», disse Maria da Graça Carvalho aos jornalistas em Bruxelas.

A ministra apontou os grandes eventos e festivais como um dos primeiros problemas detectados, considerando que essa situação já foi resolvida, e referiu também a necessidade de encontrar soluções para evitar que pessoas revolvam o lixo à procura de embalagens para obter o respetivo reembolso.

«Estamos num processo de transição, esperamos resolver todos os problemas», afirmou Maria da Graça Carvalho, defendendo que é necessário reforçar a fiscalização e envolver os municípios, nomeadamente na localização das máquinas de recolha e no acompanhamento do funcionamento do sistema.

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França desiste de implementar sistema semelhante ao Volta
O governo francês desistiu de impor um modelo nacional obrigatório de depósito com reembolso para garrafas de plástico, semelhante ao sistema Volta em Portugal.

Em alternativa, as autoridades francesas decidiram que cada região do país poderá criar o seu próprio sistema de reciclagem, adaptado às necessidades e especificidades locais.

A decisão surge depois de três meses de reuniões com autarquias, empresas de bebidas e operadoras de reciclagem. O projecto que o presidente francês acreditava ser uma forma de aumentar a recolha e a reciclagem das embalagens fica sem efeito.

O modelo em discussão previa que os consumidores pagassem um pequeno depósito no momento da compra e recuperassem esse valor ao devolverem a embalagem vazia num ponto de recolha, à semelhança do que acontece noutros países europeus. Contudo, a proposta encontrou forte oposição por parte das autarquias francesas.

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