De acordo com o mais recente relatório de mercado de crédito habitação do ComparaJá, com dados de Março, o mercado tornou-se mais estratégico, menos reactivo e com sinais de estabilização, reflectindo uma procura crescente por soluções que combinem segurança e flexibilidade.
Em Março de 2026, a taxa mista representou 79,5% das opções no crédito habitação, acima dos 74,6% registados em Março de 2025. No mesmo período, a taxa variável perdeu terreno, com uma queda homóloga de 6,4 pontos percentuais, enquanto a taxa fixa registou apenas uma evolução ligeira, de 1,5 pontos percentuais. O reforço da taxa mista foi ainda mais visível na comparação mensal: face a Fevereiro de 2026, subiu 6,8 pontos percentuais, ao mesmo tempo que a variável recuou de forma expressiva, fixando-se nos 15,9%
Esta evolução mostra que os consumidores estão a privilegiar soluções intermédias, capazes de oferecer alguma protecção inicial contra a volatilidade das taxas de juro sem abdicar de condições potencialmente mais competitivas no futuro. A preferência pela taxa mista surge, assim, como resposta natural a um ambiente ainda marcado pelo peso do custo do crédito e pela necessidade de maior controlo sobre a prestação mensal.
A mesma lógica de equilíbrio também se observa na escolha do indexante. A Euribor a seis meses passou a ser claramente dominante, subindo de 25,7% em Março de 2025 para 68,9% em Março de 2026, enquanto a Euribor a 12 meses desceu para 29,5% e a de três meses manteve expressão residual. Segundo o relatório, esta preferência pela maturidade intermédia revela que o mercado encontrou um novo ponto de equilíbrio, favorecendo revisões relativamente frequentes, mas sem a instabilidade associada a prazos mais curtos.
O avanço da taxa mista não está isolado de outras mudanças no comportamento das famílias. Em Março, o montante médio financiado desceu para 187.890 euros, abaixo dos 197.420 euros registados um ano antes, e o prazo médio dos contratos encurtou de 34 para 32 anos. Estes dados sugerem que os consumidores estão a entrar no mercado com maior prudência, reduzindo o valor pedido e evitando compromissos demasiado longos.
No conjunto, os números apontam para um mercado habitacional onde a decisão de contratar crédito está cada vez menos assente em apostas de curto prazo e cada vez mais em estratégias de gestão de risco. A liderança da taxa mista traduz precisamente essa mudança: num cenário ainda exigente, os portugueses parecem preferir estabilidade suficiente para proteger o orçamento familiar, sem fechar totalmente a porta a ganhos futuros caso o contexto monetário evolua de forma mais favorável.














