Estabilidade e flexibilidade são incompatíveis? Não, e dependerá mais de nós do que de um contrato de trabalho (vídeo)

Sandra M. Pinto
12 de Abril 2021 | 14:33
Estabilidade e flexibilidade são incompatíveis? Não, e dependerá mais de nós do que de um contrato de trabalho (vídeo)

Quando se fala em estabilidade é comum pensar-se no contrato de trabalho que liga empresa e colaborador. Mas será que esse conceito continua a fazer sentido? Será sequer que é o que os profissionais mais valorizam? Na mais recente RE(talk), Alexandra Monteiro, vice-presidente de People da Outsystems, e José Pestana, senior manager | Shared Services & Technologies da Randstad Portugal, concordaram que a estabilidade é flexível.

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Por Sandra M. Pinto

 

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No mês de Abril, as (re)talks têm como tema “maior” a estabilidade profissional e na sexta-feira passado o foco esteve na estabilidade versus flexibilidade. Num momento em que se fala da necessidade de flexibilização na relação laboral entre empresas e colaboradores, não raras vezes vamos parar ao termo “precariedade”. Mas com novos modelos de trabalho a surgir, muitas vezes são os próprios colaboradores a querer essa flexibilidade. E isto que se passa no mundo das Tecnologias, por exemplo. Isso mesmo faz notar Alexandra Monteiro, contextualizando: «no sector em que actuamos, há uma grande escassez de talento, ou seja, há muito mais trabalho disponível do que pessoas, o que leva a que as empresas deste mercado e estar sempre uma lógica de esforço e investimento para atrair e reter. Isto tem grandes implicações na forma como se olha para os contratos de trabalho e para a regulação nesta matéria. Queremos ir ao encontro das pessoas, porque o talento é fundamental para nós.

Assim, na Oustystems, não só é perfeitamente compatível a ideia de flexibilidade com segurança e estabilidade, como é o que os profissionais procuram. «Entendemos por flexibilidade, por exemplo, contratar um colaborador remoto ou que esteja num destino onde não temos escritório, e isto num mundo onde não exista precaridade.»

Para José Pestana, noutros sectores que não o tecnológico, este entendimento pode ser o mesmo, dando como exemplo a gestão de marketing  ou áreas financeiras. E faz notar que, para a Randstad, «flexibilidade envolve  factores como o “remote work”, o “work from anywhere”, o definir o seu próprio horário de trabalho e até o trabalhar por objectivos. Esta realidade já não é tão ligada ao contrato de trabalho como era antigamente».

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Alexandra Monteiro concorda e defende que «a verdadeira estabilidade está dentro de cada um de nós enquanto profissionais, no sentido de estarmos empenhados em perceber as nossas forças e as nossas fraquezas. Estabilidade é eu ter um plano para mim enquanto profissional, lutar por isso e dar o meu melhor a cada dia.»  Mas ressalva que isto não tira a importância ao contrato de trabalho, pois «um contrato de trabalho sem termo regula um conjunto de benefícios a que o colaborador tem direito, pelo que é melhor e mais seguro ter um contrato de trabalho. Mas o mundo está a avançar de uma maneira muito rápida, que a mudança é uma constante e o consequente necessário ajustamento a ela também.»

Assim, o mais importante será «existir um alinhamento entre o que são as expectativas da empresa e do colaborador», defende José Pestana. «Já não existem trabalhos para a vida e perante o que vivemos hoje temos exacta percepção disso, como mrosta a drástica redição de estruturas na Banca. É preciso que nos valorizemos e que, a cada dia, façamos cada vez melhor,. Isso vai ajudar à nossa retenção na empresa.»

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Uma nova mentalidade

A verdade é que vários estudos vêm indicado que a estabilidade começa a surgir menos nas prioridades dos profissionais quando decidem onde trabalhar. Talvez porque haja uma forma diferente das novas gerações encarar o trabalho. A VP of People da Ousystems reitera que «estabilidade, entendida como continuar sempre na mesma empresa ou durante um longo período de tempo, é um conceito que não surge amiúde no universo da tecnologia, «provavelmente pela própria nova geração de profissionais, que estão mais abertos à mudança e anseiam por novos desafios, e também pelas próprias características do mercado.»

a flexibilidade é muito procurada, constata Alexandra Monteiro. «A pandemia acelerou muito o tema da flexibilidade, sendo que no lado laboral temos hoje em dia casos, inclusive em Portugal, onde implementámos um contrato de trabalho que suporta a relação em trabalho remoto, principalmente em países onde não temos subsidiárias estamos a contratar.  Do ponto de vista de horas de trabalho também há flexibilidade, e trabalhamos bastante de forma assíncrona, mas ainda é importante que exista uma mancha de trabalho que aconteça no mesmo horário de forma a que todos os colaboradores e chefias se consigam encontrar.»

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O senior manager da Randstad considera que estamos de facto a asssitir a uma mudança de mentalidade. «O trabalho remoto a 100% está a chegar a muitas empresas e, sendo que cada vez mais existe meno talento disponível para dar resposta às necessidades das empresas, é preciso ser cada vez mais inovador para os atrair e, sobretudo, para os reter. Se as empresas não seguirem as tendências daquilo que as pessoas efectivamente querem vão perder a “corrida” para outras empresas concorrentes. É verdade que as diferentes gerações têm diferentes vontades relativamente ao mundo de trabalho, mas temos de arranjar modelos que sejam ajustáveis a todos.»

 

É inegável que novas formas de trabalho, nomeadamente da gig economy, trabalho por projecto ou freelance, começam a ganhar expressão no mundo do trabalho em Portugal, mostranto que o tradicional contrato sem termo não é a unica modalidade desejada pelos profissionais. «Na Outsystems estamos a começar a implementar esse tipo de relação com profissionais muito específicos para responder a necessidades de projectos também eles muito específicos», revela Alexandra Monteiro. «Acaba por ser uma forma muito flexível de olhar para o mercado de trabalho.»

O trabalho temporário também é um instrumento que assegura flexibilidade na contratação, mas persiste um estigma que o liga a precariedade. José Pestaca concorda  que há necessidade de uma mudança de paradigma. «A contratação a nível de trabalho temporário não indica que seja mais fácil despedir as pessoas, mas sim o de suprimir uma necessidade temporária. Ou seja, estamos a contratar pessoa porque a empresa tem uma necessidade temporária, seja para um dia, uma semana ou um mês.» Mais uma vez, o que «é preciso é alinhar as expectativas de ambas as partes, profissionais e empresas e conseguir que o colaborador temporário desenvolva outro tipo de competências para conseguir entrar em mais projectos. Assim vai crescer profissionalmente, tornando-se desejado e procurado por mais empresas.»

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Sobre que modelos de trabalho irão imperar no futuro, as incertezas ainda são muitas, mas Alexandra Monteiro acredita que, «evoluir para um modelo completamente remoto, não é, para já, e com a informação que existe disponível actualmente, a melhor solução», pelo menos para a OutSystems. «Ainda não sabemos medir qual é o impacto de estarmos sempre em remoto, pelo que nos parece precipitado adoptar essa modelo a 100%. Assim no futuro queremos garantir uma cadência de ida ao escritórios de colaboradores e equipas.» E acredita que esse também não será o modelo desejado pela maioria dos colaboradores, pelo “fear of missing out” e pela necessidade de contacto com os colegas. «Provavelmente vamos ter mais gente a voltar ao escritório do que pensamos.»

 

(re)Veja esta conversa aqui, na íntegra. A moderação foi assegurada por Ana Leonor Martins, directora de redacção da Human Resources.

As re(talks) são uma iniciativa da Randstad em parceria com a Human Resources, promovida desde Março, e estão todas reunidas aqui.

 

http://videos.sapo.pt/ONr8PJ02uuPGyNI04clp

 

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