Estabilidade laboral: um em cada quatro portugueses permanece no mesmo emprego há 20 anos

A Randstad Research divulga os 50 destaques do mercado de trabalho português relativos ao segundo trimestre de 2026, com base nos resultados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Margarida Lopes
19 de Agosto 2026 | 11:50
Estabilidade laboral: um em cada quatro portugueses permanece no mesmo emprego há 20 anos

Um dos dados mais marcantes deste trimestre reflecte a capacidade de retenção a longo prazo no mercado de trabalho nacional: 1,39 milhões de profissionais têm uma antiguidade superior a 20 anos no seu emprego actual, o que equivale a 25,7% do total de empregados. Este rácio de um em cada quatro profissionais espelha uma situação que seguia uma tendência crescente até ao impacto da pandemia e que, a partir de 2020, seguiu uma tendência negativa, estabilizando neste último trimestre.

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O mercado de trabalho português registou um aumento da população activa em 53,5 mil pessoas durante o segundo trimestre de 2026. Com esta subida, Portugal supera, pela primeira vez na história, a barreira dos 5,7 milhões de activos, o que representa um crescimento homólogo de 2,2%.

No segundo trimestre de 2026, o número de pessoas empregadas aumentou em 99 mil, quase alcançando os 5,4 milhões de profissionais, com a taxa de emprego a fixar-se nos 58,3%. A estabilidade contratual mantém-se a norma: entre os 4,57 milhões de trabalhadores por conta de outrem, 85,5% têm contrato sem termo, com a taxa de emprego a termo a situar-se nos 14,5%.

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Apesar dos indicadores de volume, a análise às qualificações volta a expor desafios estruturais. Actualmente, 29% de todas as pessoas empregadas em Portugal continuam a ter um baixo nível de qualificação (no máximo, o ensino secundário obrigatório), uma proporção que duplica a média da União Europeia. Em contraponto, 36,1% dos profissionais empregados possuem o ensino superior completo, um grupo que regista uma expressiva taxa de emprego de 81,3%.

 

Desemprego cai e teletrabalho recupera
O desemprego diminuiu em 45,5 mil pessoas no segundo trimestre de 2026, totalizando 300,8 mil desempregados. Em termos homólogos, verificou-se uma redução significativa de 8,7%, o que fez a taxa de desemprego descer para os 5,3%. Os jovens e os desempregados de longa duração continuam, no entanto, a requerer atenção: a taxa de desemprego jovem (16-24 anos) recuou para 18,3% (ainda três vezes superior à média nacional) e 40,2% dos desempregados continuam à procura de emprego há mais de um ano.

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«Os dados do segundo trimestre de 2026 revelam um mercado de trabalho muito resiliente, que alcançou recordes históricos na população activa. É particularmente interessante o nosso novo destaque: o facto de um em cada quatro profissionais estar há mais de 20 anos na mesma empresa. Estes são sinais de estabilidade, assente tanto na experiência acumulada como na capacidade de adaptação dos profissionais. O grande desafio passa agora por continuar a apostar na formação continuada para acompanhar a evolução das empresas», afirma Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad.

No que diz respeito ao regime de teletrabalho, este inverteu a queda registada no início do ano e aumentou em 33,1 mil pessoas. Actualmente abrange 1,15 milhões de profissionais, o equivalente a 21,3% da população empregada. O modelo híbrido (presencial e em casa) reforça a sua posição como a principal modalidade, sendo a escolha de 40,8% dos teletrabalhadores. A nível geográfico, apenas a Península de Setúbal e a Grande Lisboa registam valores acima da média nacional.

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Dinâmica empresarial e emprego público em alta
O tecido empresarial manteve uma tendência positiva iniciada no ano anterior, com a constituição de empresas a superar largamente as dissoluções. Só em Junho de 2026, foram constituídas 3.639 entidades, contra 793 dissolvidas.

Outro dado em destaque neste trimestre prende-se com o aumento do emprego nas administrações públicas, que aumentou em 7.650 pessoas (+1%) face ao período homólogo, superando a fasquia dos 768 mil profissionais. A administração central concentra 75,3% destes trabalhadores. A nível de funções, o maior grupo profissional corresponde a assistentes operacionais, operários e auxiliares, destacando-se ainda que 37,2% de todo o emprego público actua nas áreas cruciais da saúde e educação.

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