Estamos preparados para o trabalho do futuro? A realidade é feita de contrastes…

«Não estávamos preparados para o futuro que chegou mais rápido do que se previa. Mas vamos todos ter de estar confortáveis para trabalhar com a tecnologia, mesmo lado a lado com robots, em equipa, dando ao trabalho o lado emocional e de raciocínio que estes não têm.»

Por Patrick Götz, fundador e CEO da Teckies

 

O mundo não pára e isso não é surpresa para ninguém. O que não esperávamos é que o futuro chegasse tão rápido. Já muito se escreveu sobre a forma como a pandemia veio acelerar a automação de vários sectores, mas a realidade é feita de contrastes.

Por um lado, os exemplos de como a tecnologia está a apoiar médicos e cientistas no combate à pandemia chegam dos quatro cantos do mundo: há hospitais a utilizar técnicas de análise preditiva e inteligência artificial para monitorizar doentes internados em unidades de cuidados intensivos, há supercomputadores a serem utilizados para criar medicamentos em tempo recorde e, mesmo fora dos hospitais, há drones a patrulhar as ruas, a desinfectar as cidades ou mesmo a entregar medicamentos em casa.

Sem darmos conta, tudo à nossa volta é automatizado, há uma solução tecnológica para cada problema e nós estamos sempre todos ligados. Ou quase todos, porque nem todos demos os passos à velocidade necessária, ficando alguns para trás – aqueles que, por diversas razões, hoje, pleno século XXI, continuam sem internet ou sem computador, ou com internet e computador, mas incapazes de dar uma aula pelo Zoom. Curioso, não é? O que para uns é tão básico e tão garantido, para outros é tão desafiante. Mas como mudar isso?

 

Para os que vivem com dificuldades financeiras, a resposta pode não ser tão evidente – e esse seria um outro artigo, já que pelo menos 28% dos alunos do ensino básico não tem acesso a computador/ internet -, mas para os restantes a resposta é fácil: mudar na raiz. Mudar nos mais jovens, mudar o paradigma da formação e preparar as crianças desde cedo para lidarem com a evolução tecnológica. Fomentar a literacia digital e mostrar que é mais do que jogar no iPad ou usar redes sociais: pode, por exemplo, passar por construir um robot para cuidar de doentes numa fase pandémica como a que vivemos actualmente, ou para atender os clientes numa loja quando estamos todos em isolamento social.

É deste tipo de competências e de contacto com a tecnologia que vamos precisar num futuro muito próximo. Agora. É certo que não vamos precisar todos de ser engenheiros informáticos, programadores ou data scientists, mas vamos todos ter de estar confortáveis para trabalhar com a tecnologia, mesmo lado a lado com robots, em equipa, dando ao trabalho o lado emocional e de raciocínio que estes não têm. É, por isso, igualmente relevante que competências como criatividade, resolução de problemas e trabalho de equipa façam parte da nossa formação, para que mesmo num futuro totalmente robotizado nos possamos fazer valer com o que de melhor temos para oferecer: o lado humano.

 

Mas porque o futuro é agora, há também uma urgência em formar (ou re-formar) os adultos em idade activa que não tiveram esta formação de base e agora se veem a braços com uma realidade drasticamente distinta da de há duas ou três décadas. Hoje, as empresas têm nos seus quadros três ou quatro gerações de trabalhadores, todos com competências muito válidas, certamente, mas também muito dispares, sobretudo se falarmos de competências tecnológicas. Não é por acaso que o termo “re-skilling” está cada vez mais em voga: é que há, de facto, uma necessidade premente de dar ferramentas e conhecimentos a estas diferentes gerações para que vivam – e sobretudo trabalhem – numa sociedade que é cada vez mais tecnológica.

A realidade que professores e alunos vivem hoje é o espelho dessa necessidade. A maior parte dos professores tem alguma dificuldade em dar aulas à distância, não por faltar competências pedagógicas, mas por faltar à-vontade com a tecnologia e por não saberem como ajustar a pedagogia às tecnologias. E por uma razão simples: nunca precisaram. E agora, quando precisaram, houve muito pouco tempo para se familiarizarem com as plataformas que vão utilizar diariamente e não tiveram a ajuda técnica que seria desejável. Com isto, não vamos ter um real ensino à distância, mas sim uma leve passagem de conhecimentos, uma proximidade entre alunos e professores que faça lembrar os dias rotineiros do passado próximo e que permita, de alguma forma, garantir uma avaliação. E porquê? Porque simplesmente não estávamos preparados para o futuro que chegou mais rápido do que se previa.

Precisamos de trabalhar em novas competências, seja para ensinar avós a ligarem aos netos pelo skype, para que professores e alunos façam aulas pelo Zoom, para que empresas de vários sectores ajudem a desenvolver máscaras para fazer frente a uma pandemia, para que ajudem a criar um robot, ou para desenvolver processos robotizados para a sua empresa. Seja qual for o grau de dificuldade e a utilidade, é necessário um novo leque de conhecimentos que não se ensinavam há 20 anos.

 

E desengane-se quem pensa que “burro velho não aprende línguas”. Não é verdade. Pode até existir, esporadicamente, alguma inflexibilidade por parte destes profissionais, por acharem que isso é coisa para jovens, mas de uma forma geral as pessoas têm vontade de aprender, de ser melhores, de se desafiarem.

E é necessário que assim seja, para que possam continuar a fazer parte do mercado de trabalho, que, assim como deu um salto tecnológico gigante nas últimas duas décadas, vai dar um novo salto não tarda (uma vez que todas estas ferramentas tecnológicas que passámos a usar nestes últimos dois meses vieram para ficar e ser usadas de forma regular). E só o acompanhará quem tiver feito um bom “aquecimento”

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