Estão os colaboradores preparados para regressar ao escritório?

Voltar ou não voltar ao escritório? E se voltarmos, como o devemos fazer? Há muito que as empresas debatem a forma como pretendem abrir de novo as portas dos seus espaços físicos aos colaboradores, talvez desde que fomos “arrastados” para uma realidade de trabalho até então desconhecida. Mas o facto é que o desconhecido mostrou ser um formato vencedor.

 

Por Nuno Abreu, HR Solutions Director da Aon Portugal


Voltar ou não voltar ao escritório? E se voltarmos, como o devemos fazer? Há muito que as empresas debatem a forma como pretendem abrir de novo as portas dos seus espaços físicos aos colaboradores, talvez desde que fomos “arrastados” para uma realidade de trabalho até então desconhecida. Mas o facto é que o desconhecido mostrou ser um formato vencedor. Desde logo por assegurar um maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos trabalhadores. Em outro aspeto, o home office veio permitir a muitos de nós potenciar os seus níveis de produtividade – e até competências tecnológicas.

Contudo, uma reflexão deve ser feita: a mudança, para ser bem-sucedida e menor em risco, requer resiliência da organização e, mais do que isso, resiliência das suas pessoas. E por resiliência refiro-me à capacidade de o colaborador se adaptar a situações adversas, ser capaz de gerir o stress e manter-se motivado. Como se pôde concluir há cerca de um ano, a partir dos resultados do Rising Resilient Report, somente 32% dos colaboradores em todo o mundo são resilientes. Neste sentido, importa compreender se, face às adversidades que a pandemia trouxe, os trabalhadores conseguirão trabalhar a sua resiliência e preparar-se para os desafios do futuro do trabalho.

Hoje, e mais do que nunca, é necessário refletir sobre a influência do “new better” no ativo mais importante das empresas, e essa reflexão deve começar pelo reconhecimento de que não estamos a retomar a normalidade que conhecíamos até ao início de 2020. Perante o risco pandémico, a nossa sociedade foi forçada a adaptar-se e a evoluir no que às suas necessidades e comportamentos concerne. Isto significa que, uma vez mais, teremos de adaptarmo-nos e evoluirmos, agora para uma realidade que o pós-Covid nos trará, e nesse contexto impere a necessidade de as empresas colocarem os colaboradores no centro da decisão.

E como podemos alcançar este paradigma people-centric? Desde logo, devemos começar por repensar o modelo de trabalho a médio-longo prazo. Para já, a maioria das empresas prevê implementar neste regresso ao escritório um modelo de trabalho híbrido – 84,9%, de acordo com o Aon Push Survey – Regresso ao Office – mas devemos olhar para o formato mais além do que um simples plano de transição para o total regresso ao escritório. O modelo híbrido deve ser tido como o formato ideal de trabalho, uma vez que permite conjugar as vantagens do teletrabalho – como a produtividade – com as vantagens do trabalho presencial – nomeadamente a componente de cooperação e relação com os pares.

No seguimento desta ideia, repensar o modelo de trabalho implicará repensar igualmente o escritório do futuro. Hoje, este já não é mais o espaço onde o colaborador poderá executar as suas tarefas diárias. Hoje, o escritório deverá respeitar a verdadeira assunção da palavra “colaborador”, e assumir-se como o espaço onde os trabalhadores podem colaborar e interagir entre si e com os diversos stakeholders da empresa.

Por fim, a mudança terá de passar também pela concretização de uma ambição que já vinha a “levantar o véu” nos últimos anos, e que agora terá de avançar para o próximo nível. Falo da promoção do bem-estar dos colaboradores, onde já começamos a ver cada vez mais empresas a implementar estratégias que respeitem os cinco pilares do bem-estar: físico, social, emocional, profissional e financeiro. Mas ainda há um longo caminho a percorrer, pois apenas 55% das organizações a nível global adotam estratégias nesta área, segundo o 2021 Global Wellbeing Survey.

Tendo em conta os pontos aqui refletidos, e se me perguntassem hoje se estão os colaboradores preparados para regressar ao escritório, diria que a resposta não é clara. Nunca saberemos a resposta até lidarmos com os desafios de uma realidade que, apesar de planeada, ainda se arrisca a ser volátil. Mas uma coisa é evidente: o futuro do trabalho não poderá ser feito top to bottom. A voz dos colaboradores deve ser ouvida e respeitada, pois será a sua motivação que no final ditará a verdadeira capacidade de resiliência da organização.

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