Estará a ocupação constante a acabar com o pensamento criativo?

Margarida Lopes
19 de Dezembro 2019 | 08:20

Nos dias de hoje vivemos rodeados de distracções e por isso é difícil concentrar a nossa atenção apenas num assunto. Vários estudos recentes mostram que a criatividade é afectada quando se está constantemente ocupado. 

 

O escritor Derek Beres refletiu sobre este tema num artigo publicado no site Big Think.

Derek Beres, começa por referir que ter a capacidade de alternar entre o foco e o sonho é uma capacidade importante que é posta em causa pela ocupação constante.

«A ideia é equilibrar o pensamento linear, que requer foco intenso, com o pensamento criativo». Alternar entre os dois modos parece ser a melhor maneira de fazer um trabalho bom e inventivo», refere a escritora e investigadora Emma Seppälä.

Continue a ler após a publicidade

Já o neurocientista Daniel Levitin fez um apelo semelhante no seu livro de 2014, “The Organized Mind”. Em 2011, o autor escreveu, que os americanos consumiram cinco vezes mais informações que 25 anos antes, e que fora do trabalho, processaram aproximadamente 100 000 palavras todos os dias. Isso afasta-os não apenas da força de vontade, mas também da criatividade.

O processo criativo implica tirar um espaço do dia para ficar a meditar ou a olhar para o nada, e isso é impossível quando em todos os momento livres estamos com o telemóvel. O sistema de atenção do cérebro habitua-se a estímulos constantes, e ficamos nervosos e irritados quando não temos essa opinião, porque o cérebro é viciado em ocupação e isso é perigoso para a qualidade de vida.

Por isso mesmo, talvez seja necessário diminuir as nossas comunicações, as nossas interacções e as coisas que consumimos.

Continue a ler após a publicidade

Emma Seppälä dá quatro sugestões de como desligar:

1.Fazer uma longa caminhada, sem o telefone, parte da rotina diária

2. Sair da zona de conforto

3. Arranjar mais tempo para diversão e jogos

4. Alternar entre realizar trabalho e actividades menos exigentes intelectualmente

Continue a ler após a publicidade

Este último ponto também é recomendado por Cal Newport, autor de Deep Work. O autor não está em nenhuma rede social e só verifica e-mails uma vez por dia e mesmo esse horário é estritamente regulado. O que parece estar perdido em estar “conectado” é um tempo essencial para se concentrar nos projectos.

Vários estudos mostram que o medo de perder um momento aumenta a ansiedade e afecta a saúde a longo prazo. De todas as coisas a sofrer, o pensamento criativo é uma das nossas maiores perdas. Independentemente da profissão que temos, uma mentalidade flexível, aberta a novas ideias é fundamental, perdê-la para ver o último tweet ou publicar uma selfie pode ser evitado.

Partilhar


Mais Notícias