Neste contexto, a Zühlke partilha algumas tendências emergentes de IA que estão a redefinir a liderança tecnológica nas empresas:
1. A democratização da criação tecnológica
O aumento das competências para utilizar estas tecnologias no setor tecnológico está a provocar transformações significativas no seio das empresas. A IA está a permitir que cada vez mais pessoas compreendam e se envolvam em processos que, tradicionalmente, estavam reservados ao desenvolvimento de software. Isto constitui uma mudança face ao paradigma que, durante muito tempo, concentrou quase exclusivamente nas equipas de IT a responsabilidade de criar tecnologia.
Essa centralização nas equipas de IT traduzia-se numa espécie de função de controlo: eram elas que determinavam o que era tecnicamente viável, quais as ferramentas a usar e de que modo. Actualmente, à medida que essas ferramentas se vão tornando mais acessíveis às várias áreas da organização, o papel do IT está a sofrer uma reconfiguração.
2. A mudança do papel da IT: de controlo para capacitação
O papel das equipas de IT já não pode limitar-se ao controlo da tecnologia, mas sim à criação das condições que permitam aos outros departamentos explorar, testar e inovar de forma segura e responsável. Liderar tecnologicamente significa, hoje, desenvolver mecanismos que protejam a organização e, ao mesmo tempo, garantir um espaço seguro onde a tecnologia possa ser disponibilizada, fomentando a curiosidade das equipas e apostando na sua formação contínua.
Neste cenário, a capacidade de adaptação torna-se cada vez mais determinante, já que a IA está a alterar funções e modelos de trabalho a um ritmo que torna difícil prever quais as competências técnicas que serão mais valorizadas nos próximos anos. Liderar significa, assim, traçar um rumo claro e construir a confiança necessária para que as equipas possam experimentar, aprender e crescer.
3. A avaliação de competências centrada no uso crítico da IA
As competências dos candidatos devem ser avaliadas de forma adequada às diferentes fases do processo de recrutamento. Realizar uma tarefa deliberadamente sem recorrer à IA pode demonstrar conhecimento e esforço, mas levanta uma questão cada vez mais pertinente: se existe uma ferramenta capaz de tornar determinado trabalho mais rápido, eficiente ou rigoroso, por que razão não a utilizar? O valor passa pela capacidade de perceber quando e como recorrer a estas ferramentas, avaliar criticamente os resultados que produzem e reconhecer as situações em que o conhecimento e o julgamento humano continuam a ser indispensáveis.
À medida que criar tecnologia se torna algo ao alcance de um número cada vez maior de pessoas, liderança, governance, cibersegurança e desenvolvimento de competências deixam de poder ser tratados como dimensões separadas. A próxima fase da adopção da IA não será determinada apenas pela qualidade dos modelos ou pela rapidez com que as empresas implementam novas ferramentas, mas pela capacidade das organizações criarem culturas que conciliem autonomia para experimentar, espaço e tempo para reconhecer o que ainda não se sabe, e responsabilidade para compreender os riscos da tecnologia utilizada. É neste equilíbrio que se irá desenhar o futuro da liderança tecnológica.
















